terça-feira, 21 de outubro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mentiras e verdades...

Existe um ditado, que aprendi com a minha Mãe: "Mentira tem perna curta!" Acredito na sabedoria deste ditado, que todos nós ouvimos de nossos antepassados, desde a nossa mais tenra infância. Certo da veracidade das palavras da minha Mãe, aprendi a não mentir, especialmente quando se trata de coisas mais sérias. E, quando se trata das coisas de Deus, este ditado tem um especial peso, pois nós podemos mentir para todas as pessoas que convivem conosco, podemos enganar a todos em todo o tempo, mas não a Deus - Ele nos conhece mais do que ninguém, mais do que nós mesmos nos conhecemos e está no mais íntimo de nós. Portanto, não tem como mentir para Deus.
Com facilidade, encenamos para os outros aquilo que nós não somos, de forma que eles possam nos admirar e nos aceitar, não pelas nossas virtudes reais, mas por aquilo que ficticiamente queremos ser para eles. As consequências desse tipo de atitude é o fato de que, de repente, acabamos perdendo a nossa real identidade e nos tornamos estranhos para nós mesmos? "Quem sou eu, mesmo? Será que sou aquilo que o Fulano pensa que eu sou? Ou será aquilo que enceno, para que a Fulana me aceite e me ame?" A perda desta identidade acaba nos destruindo psicologicamente e passamos a viver como um barco sem rumo, à mercê dos ventos e das correntezas.
O Apóstolo João, na sua Primeira Epístola, fala das mentiras e verdades que podem fazer parte da nossa vida. Mente quem vive nas trevas, mas encena estar na luz; mente quem odeia, mas faz de conta que ama; mente quem vive longe de Deus, mas encena uma vida cristã, piedosa, hipócrita, para impressionar os outros... Em compensação, está na verdade aquele que procura viver em Deus e procura amá-lo amando os seus irmãos e irmãs.
Viver nas trevas é sinal de morte, enquanto que viver na luz de Cristo é sinal de vida e de verdadeira alegria, que somente Ele pode nos oferecer. Hoje, mais do que de mestres, o mundo precisa de testemunhas, que vivam aquilo que acreditam, rezam e celebram. A nossa sabedoria está, principalmente, na maneira como nos portamos e como vivemos. Que o Senhor, com seu Espírito, nos conduza pelos caminhos da conversão e da vida.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A centralidade da Palavra de Deus e da Eucaristia

A Palavra de Deus e a Eucaristia são o centro de toda a vida do cristão e da Igreja. Quando vivemos centrados na Palavra e na Eucaristia, começamos a ter uma nova dinâmica na nossa vida espiritual e na vida de nossas comunidades eclesiais. Um cristão que se alimenta de ambas as mesas torna-se fortalecido na luta contra o pecado e aprende a realizar a vontade de Deus na sua vida, tornando-se eficaz testemunha do Evangelho. A proximidade com o Senhor, que nos fala através da Sagrada Escritura e que nos alimenta por meio da Eucaristia vai nos santificando, pois nos torna semelhantes a Ele. O brilho de Deus passa a ser o nosso brilho e a alegria de sua presença se reflete no nosso olhar e nas nossas ações.
Entretanto, quando nos afastamos dele, a nossa vida perde o seu rumo, pois a centralidade dela deixa de ser o Senhor e passa a ser o nosso próprio eu. É por isso que a consequência do pecado é a morte, pois ela significa o desaparecimento de todos os sinais de vida no nosso ser, deixando-nos num vazio interior, sem alegria verdadeira e sem luz. Uma pessoa longe de Deus não tem a luz no seu coração e nem no seu olhar, tornando-se completamente azeda e infeliz, pois somente Deus pode preencher o vazio de nossa alma.
Por isso, coloquemos a Palavra e a Eucaristia como Centro de nossas vidas. Deixemos que a Palavra nos eduque e que a Eucaristia nos alimente e, com isso, um novo rumo daremos para a nossa história.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Espírito de Deus e o nosso testemunho de vida

A eficácia da ação evangelizadora está na junção de dois fatores: a ação do Espírito Santo e o testemunho de vida dos cristãos. Estes dois fatores são imprencindíveis se quisermos que a Boa Nova do Reino de Deus seja proclamada e aceita pelo mundo.

A ação do Espírito Santo é essencial porque toda a vida da Igreja é marcada pela sua Presença. Sem o Espírito de Deus, a Igreja seria apenas mais uma instituição vazia de sentido e teria os seus dias contados. Sem a sua Presença, nossos atos litúrgicos não passariam de teatrinho e nossas orações seriam o supra-sumo do farisaísmo.
Porém, a Graça do Espírito Santo supõe a nossa natureza, a nossa adesão total e sincera. Sem o nosso testemunho, a eficácia de nossas ações ficam comprometidas, pois de nada adianta falar aquilo que não se vive e testemunhar aquilo que não se pratica. Podemos ser excelentes pregadores, eficientes pastoralistas. Podemos saber conduzir reuniões, celebrar belíssimas Missas, utilizando todos os meios e tecnologias mais avançadas, mas se não tiver junto o testemunho de uma vida cristã, ecoará no meio do nada e não produzirá fruto algum. Poderemos até causar emoções, mas não mudaremos a vida de ninguém, pois não mudamos a nossa. Seremos, assim, cegos guias de cegos.
O Senhor quer de nós conversão e a busca pela santidade. E quer isto porque sabe que é garantia de felicidade e de salvação para nós. É claro que às vezes não é fácil, mas é nesses momentos que o Espírito Santo nos dá a força necessária para podermos dar o nosso SIM a Deus, e dando o nosso SIM a Deus poderemos dar o nosso sim aos irmãos, oferecendo para eles o nosso testemunho de vida cristã.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Democracia

Foi muito bonito assistir e participar da "Festa da Democracia", que foi este tempo eleitoral e o dia de votações ontem. Na quinta-feira, após retornar do Curso que fiz em Nova Santa Rita, pude perceber como é importante a democracia para o nosso país e para a vida do nosso povo. Ainda na estrada, entre Tavares e São José do Norte, às vezes, no meio do descampado, inúmeras pessoas, com as bandeiras do seu partido e, em alguns lugares, carreatas convidando o povo do interior para um comício, mostrando, assim, a beleza das cores e dos símbolos partidários. Já em Rio Grande, no dia seguinte, nas ruas do entorno da Praça Tamandaré, milhares de pessoas dos mais diferentes partidos confraternizavam, mostrando sua adesão aos seus respectivos candidatos. Foi uma belíssima e emocionante festa. É claro que muitos não têm a menor noção das propostas políticas apresentadas e estavam ali ganhando o seu dinheirinho como cabos eleitorais, mas mesmo assim faziam parte do cenário e davam noção da grandeza do atual momento político pelo qual nós passamos.
Votação encerrada, agora temos que parabenizar os eleitos e rezar por eles, para que cumpram com determinação e ética aquilo que se comprometeram realizar. Que eles possam pensar no bem estar da nossa gente e façam um bom governo, para o bem de todos. E que possamos ajudá-los com nossas orações e com nossa participação, para que nossas cidades sejam locais de vida digna para todos.
Agora retomamos o nosso Blog, com atualizações diárias, se Deus quiser.

sábado, 20 de setembro de 2008

O casamento do Marcelinho e Gigi

Hoje casarei um filho. É claro que ser Padre é ser pai de muitos filhos, mas alguns são mais filhos, por serem mais próximos, mais amigos, com quem nos identificamos mais. O Marcelinho é um desses filhos. Quando aqui cheguei, em maio de 2003, ele já fazia parte da vida desta Paróquia, sendo uma liderança extremamente positiva entre os nossos jovens daquela geração, seja na participação no Praesidium Stela Maris, da Legião de Maria Juvenil, seja na condução do Grupo Novo Amanhã, na Catequese, na Liturgia, no Nazareth, no Enjo... enfim, alguém que sempre se destacou pastoralmente. Mas, mais do que isto, foi sempre um filho amoroso e amigo para todas as horas. Mesmo depois que entrou para a Faculdade e começou a trabalhar e a namorar, ficando, assim, impedido de continuar atuando na vida da Paróquia, continuou bastante próximo, vivendo sua vida cristã como leigo, que testemunha a sua fé no ambiente em que vive. Com sua bem amada, a Gigi, continuou sua caminhada de fé, e hoje selam o seu amor com o Sacramento da Matrimônio. Tenho muito orgulho deste filho e desta nora e tenho a certeza de que eles serão muito felizes. Que Deus os abençoe!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Servir o Senhor com humildade


"Também algumas mulheres o serviam com os seus bens" (Lc 8,3). Na Igreja sempre houve a presença maciça de mulheres, que constribuíram e contribuem de diferentes modos para o êxito da ação evangelizadora. Foi assim desde os tempos de Jesus. Delas mal sabemos o nome, o que faziam ou como era suas vidas. O essencial é saber que elas existiam, amavam Jesus e O serviam com aquilo que eram e tinham. E saber disso é saber tudo.
Nós, também, em nossos dias, mulheres e homens, amamos e desejamos servir o Senhor com nossas características, capacidades e bens. E servimos porque amamos, reconhecendo-O nosso Senhor, Salvador e Deus. Não precisamos fazer resplandecer a nossa luz; deixemos que a Luz de Cristo resplandeça em nós e através de nós. "Convém que Ele cresça e eu diminua", fala João Batista. Se a luz do Céu resplandece já é suficiente, já nos basta.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Os nossos sonhos e projetos

Nesta semana tive a oportunidade de conversar com as turmas do Ensino Médio do Liceu Salesiano Leão XIII, nas Manhãs de Formação que eles organizaram para os alunos do 2. e 3. Ano. O assunto que tratei foi o sentido da vida e os projetos pessoais que eles, na idade em que estão, são chamados a assumir. É impressionante perceber que nos tempos atuais a vida passa correndo e a gente não busca pensar nos ideiais de vida que devem ser buscados e vivenciados. Passamos pela vida e, quando percebemos, um tempo danado foi perdido andando sem rumo nem direção.
O que queremos de nossa vida? O que pensamos estar fazendo no dia 18 de setembro de 2018, ou seja, dentro de dez anos? A resposta para estas perguntas é que vai definir nossos sonhos e projetos, nossa prática e ação. Se procurarmos respostas para elas, iremos determinar o que faremos e quais as nossas atitudes e quais os valores que irão pautar estas nossas atitudes.
Outra coisa que trabalhei com eles foi o fato de temros nos horizontes de nossas opções a necessidade de se viver e buscar uma atitude oblativa, ou seja, viver o amor de forma que este seja serviço ao outro, para que o outro tenha vida e felicidade. Da felicidade do outro depende o sentido da nossa vida e da nossa própria felicidade. Quando pensamos nos nossos planos e sonhos em vista apenas do nosso "ego", tornamo-nos monstros de egoísmo e frustramos os sonhos de Deus para nós e nossos próprios sonhos. A alteridade é essencial para a nossa própria felicidade.
Assim sendo, as perguntas que fiz aos jovens salesianos nãos e refere apenas a eles ou às suas próprias vidas, mas a cada um de nós, que temos um futuro pela frente e uma vida a construir. Enquanto existimos somos construtores da história e, portanto, co-responsáveis por ela. Que nossa contribuição ajude a humanidade a ser melhor.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O desafio do indiferentismo religioso

Pior do que ser contra é ser indiferente. Eu prefiro mil vezes que alguém não goste de mim do que outros que me são indiferentes. Porque o ódio é um sentimento e quem odeia ao menos dedica parte de seu tempo a destilar o seu ódio. Uma pessoa indiferente é terrível, porque para ela eu não existo, simplesmente isso: não existo, não sou.

O maior desafio para a Igreja em nossos dias não são as outras religiões e nem mesmo os que se consideram nossos inimigos: o maior desafio está exatamente no indiferentismo religioso, que consiste na mais absoluta apatia diante de Deus, do seu Evangelho e da sua proposta de vida. E o vírus do indiferentismo religioso está perigosamente se alastrando em nossa sociedade e entre os nossos fiéis.
Por isso, além de cuidar para não sermos atingidos pelo indiferentismo religioso, nós cristãos (e nós padres e consagrados...) precisamos nos imunizar através do amor apaixonado por Jesus Cristo e por sua Igreja. Somente pessoas que se deixaram encantar pelo Reino de Deus é que poderão ser eficazes na sua ação evangelizadora. A vivência da radicalidade do Evangelho é que deve nos orientar na postura de vida e nas opções fundamentais que fazemos. Não podemos e não temos o direito de achar que nos é permitido ser cristãos pela metade: assim como não existe uma mulher mais ou menos grávida, não pode existir um cristãos mais ou menos santo. Ou somos cristãos que vivem radicalmente a nossa fé ou não somos cristãos!
Alguém poderá dizer: "Eu não consigo, por mais que tente, ser fiel à radicalidade do Evangelho!" Se ao menos tentamos, podemos até cair muitas vezes, mas sempre seremos erguidos pela Misericórida de Deus. O triste é quando desistimos totalmente de Deus e acabamos por nos tornar totalmente apáticos a tudo o que Deus quer de nós.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A relação padre e jovem


"Jovens, não tenhais medo de serdes os santos de nossos tempos!" (João Paulo II)
O trabalho com juventude, mais do que apenas mais um trabalho pastoral, está muito mais realcionado com um carisma na vida da Igreja e na vida pessoal de quem trabalha. Exige tempo, disponibilidade e alegria do padre ou agente de pastoral.
Exige que permaneçamos perenemente jovens, identificados com eles, capazes de um relacionamento e de um diálogo com eles, de igual para igual. Se eles encontrarem em nós, adultos, pessoas em quem eles possam confiar, estaremos sendo eficazes no nosso trabalho. Porém, é igualmente necessário que esta identificação não faça desaparecer aquilo que é próprio a nós. Sou padre e sou adulto. E eles devem encontrar em mim não apenas "mais um gurizão da galera", mas também precisam perceber o adulto que sou, com as coisas próprias de adultos e com a experiência de adulto, que possa contribuir no seu processo de amadurecimento. Tenho muitos amigos e amigas jovens, que gostam de estar na minha companhia. Não preciso, para isso, fazer tipo adolescente, usando roupas de adolescente ou indo às festas que eles vão ou me portando como eles. Sendo adulto (e sendo feliz por ser adulto...) sem ser rabugento já é o essencial para ser próximo aos jovens, conquistando o seu carinho e, podendo assim, ajudá-los no seu crescimento. A experiência que tenho feito nestes últimos anos com a juventude tem sido a de uma paternidade espiritual, tornando-me, para muitos deles, um verdeiro pai, que se interessa, que está sempre junto, que aconselha e, se preciso for, puxa as orelhas, que ama e manifesta no seu amor o Amor de Deus Pai.

domingo, 14 de setembro de 2008

A Evangelização da Juventude

Desculpem ficar estes dias sem dar notícias, mas estava no 45. Nazareth da Diocese do Rio Grande. Tempo de Nazareth é sempre uma oportunidade de podermos refletir sobre a Evangelização da juventude, à luz do Documento 85 da CNBB, que trata do tema.
A juventude é, talvez, a mais bela e desafiadora fase na vida de uma pessoa. Tempo de decisões fundamentais, que influenciarão durante toda a sua existência. É tempo, também, de amadurecimento pessoal, profissional e afetivo. Por isso, a Igreja acompanha sempre com tanta atenção os nossos jovens, oferecendo a mais ampla gama de oportunidades de Evangelização, fornecidas pelas Pastorais da Juventude e pelos mais diversos Movimentos Eclesiais dedicados a eles, como o Nazareth, Emaús, Legião de Maria Juvenil, Enjo e outros tantos Movimentos.
Eu tenho a imensa alegria de ter sido chamado por Deus para ter o carisma de trabalhar com a juventude. Eles me rejuvenescem e me ajudam a ser um padre melhor. No seu rosto eu vejo o rosto de Jesus jovem e, assim como eles me ajudam, desejo ajudá-los a ser reflexo de Deus paraa Igreja e o mundo.
Domingo próximo, às 15 horas, no Centro Diocesano de Pastoral de Rio Grande, no Auditório, acontecerá o segundo encontro sobre a Evangelização da Juventude, com a presença de todas as organizações que, na nossa Diocese, trabalham com jovens. Todos são convidados.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Deixar que Deus nos ame

Hoje, conversando com uma pessoa, ela me disse o seguinte: "A melhor oração que podemos fazer a Deus é a seguinte: 'Senhor, eu deixo que Tu me ames'!" De fato, a maior crise que as pessoas vivem atulamente é a crise de amor. Embora digamos "Eu te amo" com certa facilidade e de um modo até mesmo irresponsável, tornamo-nos carentes da principal Fonte de Amor, que é Deus. E, carentes desse Amor, buscamos amores que não podem preencher o vazio que fica em nossa alma.
Deus respeita a nossa liberdade. Se não permitirmos que Ele nos ame, o Seu Amor não chegará até nós. Ele jamais deixa de nos amar, mas seremos nós que, com o coração fechado, impediremos que nossa vida seja plenificada pelo Amor que Ele nos oferece.
Quando ficamos fechado ao Amor de Deus, a nossa vida vai perdendo o seu sentido e vai ficando triste e vazia. Até podemos buscar coisas que possam nos preencher, mas jamais ficaremos repletos. Tornamo-nos pessoas amargas, sem o verdadeiro senso da felicidade.
Por isso, deixemos que o Senhor nos ame e amemo-nos uns aos outros com este Amor de Deus!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O desenvolvimento da cidade

A nossa região está vivendo um rápido processo de crescimento industrial, econômico e demográfico. Já nos próximos anos, Rio Grande, juntamente com São José do Norte e Pelotas poderá atingir a marca de um milhão de habitantes. Todo este crescimento terá suas vantagens e desvantagens, uma vez que teremos uma crescente oferta de empregos, desenvolvendo também o comércio de nossa região. Porém, este crescimento demográfico trará problemas sérios para serem resolvidos pelo poder público, como a necessidade de um crescimento ordenado em todos os níveis, como o trânsito, o saneamento básico, além da séria questão habitacional.
O desafio que estamos acompanhando também se traduz na necessidade de um mais eficaz gerenciamento eclesial, de forma a atender a demanda que está crescendo. Em que consiste este gerenciamento eficaz? Somos poucos Padres, poucos religiosos e religiosas, poucos leigos e leigas seriamente comprometidos com a Evangelização. Temos poucas Paróquias, que estão mal distribuídas, ficando enormes lacunas na periferia da cidade sem o adequado atendimento pastoral. Por isso, torna-se necessário e até urgente que o novo Plano de Ação Evangelizadora contemple estes desafios que estão surgindo a sugira ações eficazes para a Evangelização.
Alguns passos já estão sendo dados: no dia 02 de setembro tivemos uma reunião do Clero aberta aos religiosos e leigos, onde o Secretário do Planejamento e um professor da FURG nos assessoraram, dando pistas de para onde acontecerá o crescimento de nossa região e quais os desafios principais a serem atendidos. Ontem, tivemos o Conselho Diocesano de Ação Evangelizadora, onde retomamos este tema. Agora, iremos começar a formatar o novo Plano Diocesano de Ação Evangelizadora, que será apresentado e votado na Assembléia Diocesana, em novembro próximo.
Algumas coisas, porém, já parecem claras:
1. precisamos criar em nossas Paróquias uma nova mentalidade missionária, de forma que se tornem, como diz Aparecida, "Comunidades de Comunidades". Talvez seja necessário repensar os limites paroquiais, deslocando para a periferia da cidade, um número maior de padres e religiosos e religiosas;
2. Precisamos investir mais na formação de nossos agentes leigos, não apenas capacitando-os, mas encorajando-os a tomar a frente na Evangelização, superando a mentalidade clericalista ainda existente;
3. A Diocese precisa investir na aquisição de terrenos nos novos núcleos habitacionais que surgirão, para a construção de Capelas e Igrejas. No centro da cidade, é fundamental um trabalho pastoral diferenciado.
Enfim, para os inúmeros desafios teremos que criar inúmeras decisões e respostas para os nossos tempos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A força do testemunho de vida

Estamos há poucos dias de mais um Encontro de Jovens de Nazareth. A galera já está a postos, preparando para bem exercer as suas funções e eu também, uma vez que vou para lá pela vigésima quinta vez. Mesmo fazendo a mesma coisa vinte e cinco vezes, para mim sempre o Nazareth representa algo novo na minha vida e no meu Ministério Sacerdotal, especialmente com os jovens. Sou verdadeiramente apaixonado por eles e poder dedicar boa parte de meu tempo e energias para eles é algo tremendamente gratificante.

O que os jovens, garotos e garotas que lá estarão fazendo este Encontro, esperam? As repostas variam muito, mas acredito que vão todas na mesma direção: querem ter a experiência do amor de Deus e do amor dos irmãos. Esta experiência vai ser decisiva na vida de muitos deles, uma vez que, depois deste final de semana a sua vida poderá ter mudado. Deus, com o seu Espírito Santo, faz a parte dele. Cabe a nós, que trabalharemos lá, fazer a nossa parte.
Fazer a nossa parte? Mas como? Reascendendo a chama do amor de Deus em nossa vida, experimentando aquilo que vamos falar, que vamos pregar. Precisamos estar convencidos da verdade que proclamaremos, para que esta verdade possa ter a força do testemunho. De nada adianta falar em amor se eu não o vivo nas relações com meus semelhantes; de nada vale falar em fraternidade se eu sou um monstro de egoísmo; de nada vale falar em pureza se eu há muito não busco viver a castidade como Deus quer; será palhaçada falar em Sacramentos se eu os abandonei por achar desnecessário... Por isso, Nazareth é tempo de conversão para nós, que iremos trabalhar lá, retomando os valores que Jesus nos pede.
É fácil isto? Não! Não é fácil nem para o padre, garanto para vocês! Mas o Senhor não nos pede que estejamos totalmente prontos, perfeitos. O que Ele nos pede é que estejamos buscando, com sinceridade de coração, ser aquilo que Ele quer que sejamos. Se caímos, Ele deseja nos levantar, nos conduzir, como Bom Pastor que é, pelos seus prados e campinas. Seguindo-O, estarmeos prontos para sermos eficazes no nosso trabalho e o nosso testemunho de vida será eficaz para tocar no coração de muitos de nossos jovens.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A Palavra de Deus, luz para os nossos passos

Durante muitos séculos, a Bíblia era uma "ilustre desconhecida" para o nosso povo católico, sendo privilégio apenas dos mosteiros, dos teólogos e do clero o seu acesso. Evitava-se, assim, que as pessoas simples do povo fizessem interpretações errôneas da Palavra de Deus. Com o surgimento do "Movimento Bíblico", no correr do século XX, e especialmente com o Concílio Vaticano II, na sua Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina, houve uma grande popularização da Palavra de Deus dentro de nossa Igreja. Diversas edições, com as mais diferentes traduções foram feitas, algumas com comentários muito bem elaborados. Ao mesmo tempo, diversos Cursos Bíblicos começaram a ser realizados, voltados, especialmente, para os leigos e leigas que buscam aprofundar seus conhecimentos da Sagrada Escritura.

Na América Latina, aconteceu um fenômeno, que se desenrolou especialmente nas décadas de 70 e 80, em dois pólos da nossa Igreja: os Círculos Bíblicos, que deram origem a inúmeras Comunidades Eclesiais de Base, onde, semanalmente, grupos se reúnem para aprofundar a Bíblia e iluminar a realidade com ela; no outro pólo, o surgimento da Renovação Carismática Católica, que popularizou o uso da Palavra de Deus nos seus incontáveis Grupos de Oração. A Bíblia passou a ser do povo. Eu mesmo descobri e comecei a amar a Sagrada Escritura há 25 anos atrás, quando comecei a frequentar a Renovação Carismática e possotestemunhar o quanto a Bíblia foi e é importante na minha caminhada pessoal como cristão e discípulo de Jesus Cristo e como padre, ministro da Igreja.
Quem ainda não tem uma Bíblia para uso pessoal, procure adquirir uma: é baratinho e vale a pena. Afinal, gastamos tanto dinheiro com bobagens...