terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pensando alto: meu Decálogo (IV)

"Quero viver na alegria, alegria sincera, profunda e fraterna. Quero alegrar-me com as conquistas dos meus irmãos e irmãs. Quero alegrar-me com sua existência e estar feliz em sua presença pois eles são sinais de Deus a marcar a estrada da minha vida."
"Um santo triste é um triste santo." Esta frase, ditado popular comumente citado, ajuda a compreender a necessidade de se viver alegremente a realidade de ser filho de Deus. "A alegria do Senhor seja a nossa força", uma vez que o nosso Deus é o Deus da vida, da vitória e da verdadeira felicidade.
O Evangelho de ontem nos apresentava o jovem rico, que foi embora tristemente por não ter sabido atender ao convite amável do Senhor de deixar tudo para seguí-lo. Amou mais as coisas dele do que o próprio Deus, escolheu uma vida medíocre a um projeto de vida de heroísmo, que lhe daria uma alegria que não é deste mundo.
Escolher o Senhor e o seu Reino proporciona a alegria verdadeira e profunda, não aquela superficial que geralmente buscamos. Por isso, escolho esta alegria que Deus me oferece e quero marcar o mundo com um semblante alegre, sincero e sereno. Quero ser reconhecido por isto, manifestando, assim, o rosto alegre e terno de Deus, revelado por Jesus Cristo, a quem desejo sempre mais servir e amar, procurando ser semelhante a Ele.
Problemas? Sempre os terei! Momentos de crise e de dor? Sempre aparecerão! Mistério da Cruz? Fará sempre parte da minha existência! Porém, existe uma frase famosa do Pe. Jonas Abib: "Os meus problemas são meus, mas minha cara é dos outros." Por isso, mesmo nas dores e tempestades, que meu rosto manifeste a alegria de Deus!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Pensando alto: meu decálogo (III)

"Quero viver na obscuridade, longe dos holofotes, sabendo-me servo do Senhor e das pessoas e sabendo que, quando me deixo envaidecer, acabo tomando o lugar que só a Deus pertence e posso tornar-me como Herodes, que morreu corroído por vermes, por não haver dado glória a Deus."
A vaidade é, talvez, o pior verme que corrói a vida de um padre. Por ser formador de opinião e por estar à frente de uma Assembléia, podemos ser tentados a nos colocar no lugar de Deus. Porém, o padre é um instrumento, apenas um instrumento nas mãos de Deus.
Hoje vivemos num tempo midiático, onde inúmeros padres assumiram o trabalho de Evangelização, utilizando diversas formas de MCS, tipo televisão, rádio, missas-shows. Este é um tipo de carisma na vida da Igreja e possui o seu valor. Durante muito tempo fui considerado um "padre-midiático", especialmente nos anos noventa, durante meu ministério à frente da Paróquia Sagrada Família, aqui em Rio Grande.
Em Viena, escutando a vontade de Deus para a minha vida, optei por uma postura mais discreta e sóbria no exercício do meu ministério sacerdotal. Por que esta postura? Em primeiro lugar, pelo fato de perceber que, com facilidade, posso deixar-me levar pela vaidade e esquecer-me do fato de ser instrumento nas mãos de Deus. Em segundo lugar, por entender que o exercício do ministério sacerdotal se dá em duas frentes: diante dos homens para falar sobre Deus e diante de Deus para falar sobre os homens. Quando os holofotes cegam nossa visão, acabamos permanecendo diante dos homens para falar de nós mesmos e isto é trair a missão confiada pelo Senhor a nós.
Não condeno os padres-midiáticos e nem o uso da mídia para a Evangelização. Sempre que necessário for, irei usá-la. Porém, como opção de vida, escolhi evitar os holofotes, evitando, assim, a tentação de Herodes (At 12, 20-23) e seu trágico fim. Todas as vezes que eu pregar a mim mesmo e não der glória a Deus, farei com que o meu ministério seja corroído por vermes e se torne insosso e vazio.

sábado, 16 de agosto de 2008

Pensando alto: meu Decálogo (II)

"Quero viver no despojamento de roupas, de bens, de dinheiro... Tudo aquilo que causa preocupação e torna-se sonho ofusca a visão: o brilho do ouro pode acabar tirando a minha atenção do verdadeiro brilho do Reino."
A pobreza deve ser expressão de um coração despojado. Quando é apenas aparato externo, não convence e nem converte ninguém. A questão não está em ter ou não-ter, mas na liberdade que possuimos diante das coisas, dos títulos e do status que elas nos oferecem. Quando nos deixamos escravizar por alguma coisa, é sinal que estamos colocando algo no lugar que só a Deus pertence e isso é idolatria.
O despojamento significa esta liberdade, sem a qual ficamos esvaziados e sem sentido, pois o Reino deixa de estar no horizonte de nossa atenção e nos critérios de nossas opções fundamentais. Para a vida do padre e do cristão esta liberdade é fundamental, pois orienta toda a nossa existência. Eis aí o segundo mandamento.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Pensando alto: meu Decálogo (I)

Em 2002, quando eu morava em Viena, mensalmente fazia um Dia de Deserto, onde procurava fazer minha Revisão de Vida e preparação para a Confissão Mensal. Num desses dias de deserto, elaborei aquilo que chamei de "Decálogo pessoal de vida", ou seja, os Dez Mandamentos e opções pessoais que, lá assumi como essenciais na vida de um Padre. Desde então este "Decálogo" tem sido fonte de vida pessoal e ministerial para mim. Talvez vocês se perguntem: "Por que este gordo resolveu, agora, partilhar uma coisa tão pessoal e tão íntima, com todos?" De fato, poderia eu dizer que vocês não têm nada a ver com isso, mas acredito que, ao ler e acompanhar o Decálogo e as reflexões em cima disso, irão não só compreender melhor aquilo que faz parte da teologia e ministério sacerdotal, como também poderão assumir em suas vidas pessoais alguns pontos que são válidos não só para nós, padres, mas para todos os cristãos. Então aí vai o primeiro mandamento:
"Quero viver na simplicidade, de coração e de valores, sendo simples como as pombas, porém astuto como as serpentes, sabendo que o que faço, faço pelo Reino, vivendo na pobreza, com total desapego das coisas, tendo-as como instrumentos para o meu trabalho pastoral à serviço do Reino e das comunidades a mim confiadas."
Padre milionário não existe. Aliás, se alguém quiser ser Padre e rico ao mesmo tempo, terá que desistir de algum desses dois pontos: ou vai ser padre, ou vai ser milionário... A simplicidade evangélica é essencial para quem deseja servir o Evangelho. A pobreza sacerdotal vai além da falta de coisas; é uma atitude de vida, uma postura optada e escolhida, assumida de modo livre e que torna a pessoa livre em todos os sentidos. Esta escolha é fundamental para que o padre possa viver como Deus quer que viva e, assim, se torne mais do que "funcionário do Sagrado". O Reino de Deus fica sendo nossa única e fundamental riqueza. Por isso, o primeiro Mandamento: ser simples!

Retomando II

Talvez muitos estejam se perguntando: "Afinal, o que houve para este sumiço?" Confesso-lhes minha total falta de criatividade de ânimo para continuar. Na verdade, um Blog tem inúmeros significados, podendo ser (e sendo...) muitas vezes a expressão egocêntrica de quem acha que é o umbigo do Universo e que, portanto, toda a humanidade tem a obrigação de ficar atualizada naquilo que o "umbigo do universo" está fazendo ou pensando. Pensei, por isso, em até "suicidar" este Blog, não o fazendo porque achei que seria pena destruir tantas coisas bonitas aqui postadas neste último ano.

Sendo assim, resolvi retomá-lo, mas com um novo significado e metodologia. Em vez de falar de mim (o que não impede que eu às vezes poste alguma foto ou comente algum acontecimento...), vou postar comentários e reflexões sobre Teologia sobre pastoral ou algum acontecimento... Assim sendo, num dia da semana na semana vou escrever um texto, com o título"Pensando alto"; noutro dia, postarei "Tópicos de Aparecida", sobre a V Conferência, e assim por diante. Prometo para vocês que vou me esforçar para oferecer-lhes uma postagem diária. Podem procurar que voltaremos a ter, a partir de agora, atualizações diárias.
Aceito sugestões de temas e interação entre os leitores e este que vos fala... Bom proveito a todos... Beijos do gordo!!!!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Retomando...


Depois de mais de um mês de sentida ausência, retomamos o nosso "blogdopadre"...
Os meses de maio e junho foram meses bastante cheios de atividades e complicados num monte de coisas. Por isso, a ausência de postagens e de notícias...
No dia 04 de junho tornei-me "Comendador", ao receber a Comenda do Mérito Marista, outorgada pelo Colégio Marista São Francisco, conforme fotos abaixo:

Recebendo a Comenda do Ir. Jorge Corrêa, diretor do Colégio São Francisco

Discursando...

Noite de queijos e vinhos, após a cerimônia...

Os "comendadores"...

domingo, 11 de maio de 2008

Dia das Mães

Nesta foto com a minha Mãe, parabenizo todas as Mães pelo seu dia. Que vocês sejam reflexo de Maria para os seus filhos e sua família. Deus as abençoe! Te amo, Mãe!


Festa de Pentecostes


Certa vez, eu andando de carro, de repente ele pifou. Parou tudo, nada funcionava. Era horário de pique (11h da manhã de sábado, em plena General Netto...) e eu naquela situação. Chamei o auto-socorro do seguro e após quase uma hora, eles chegaram. Desceram os mecânicos, com uma maleta cheia de ferramentas e olharam o carro detalhadamente: tudo estava em ordem. Para vergonha minha, não tinha gasolina. Um carro pode ser moderno, de marca, zero quilômetro, mas se não tiver combustível, não sai do lugar. Já um fusca velhinho, pode ir longe se tiver tanque cheio.

O Espírito Santo é o combustível de nossa vida. Sem o Espírito de Deus não saímos do lugar, não podemos fazer nada de bom, não podemos ser bons como Deus quer que sejamos. A Igreja somente pode ser Igreja de Cristo por causa do Espírito Santo. Sem Ele, seria apenas uma instituição a mais, fadada ao fracasso, à falência. Por isso, a Festa de hoje deve ser mais do que a memória de um fato passado: deve ser um clamor, uma busca, uma espera. Se clamarmos, Ele virá e na sua generosidade nos concederá todos os seus dons e frutos. Ele em nós, nos torna santos, pois somente o Senhor e o seu Espírito é que são verdadeiramente Santos.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Celebrando os meus cinco anos aqui

Hoje completo cinco anos de meu retorno ao Brasil, após três anos e três meses em Viena, na Áustria, onde realizei o meu Mestrado e atuei como Capelão da Comunidade Brasileira lá existente.
Cinco anos se passaram. Reencontrei muita gente, que fizera parte da minha vida e descobri outros tantos que começaram a fazer parte da minha existência. Nestes cinco anos aprendi muito, cresci como pessoa e como Padre. Na condução pastoral da Paróquia de São José Operário, passei maus bocados, até o momento em que as coisas começaram a dar certo, a partir das 72 Horas de Adoração, iniciada em janeiro de 2006. Hoje temos uma Paróquia mais atuante, com uma Igreja nova e um povo que vai se renovando como comunidade de fé. Desafios ainda temos e muito trabalho também, mas agora, após cinco anos de minha chegada e de minha posse como Pároco deste Paróquia, posso afirmar que vale a pena continuar.

domingo, 4 de maio de 2008

segunda-feira, 28 de abril de 2008

44. Nazareth do Rio Grande

O Nazareth é sempre uma ótima oportunidade de descansar e de rejuvenescer no contato com a juventude. Eu me realizo como Padre quando vou pro Nazareth e desta vez não foi diferente. Neste final de semana aconteceu o 44. Nazareth da nossa Diocese do Rio Grande. Estava muito bom. Vamos rezar para que os frutos aconteçam a seu tempo e muitos desses jovens tornem-se evangelizadores de novos jovens.


Curso de Reciclagem do Clero


Ebaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!! "Ó, nóis aqui traveiz"!!!!!!! Depois de duas semanas, cheias de coisas boas, volto para mostrar tudo aquilo que Deus me deu para viver neste tempo tão lindo.
Para começo de conversa, estive dez dias fora, fazendo um Curso de Reciclagem Sacerdotal, organizado pela Comissão Regional do Clero, para Padres de todas as Dioceses do RS. O local, Sítio Notre Dame, em Nova Santa Rita, pertinho de Canoas, é um lugar paradisíaco, um Hotel-Fazenda, das Irmãs de Notre Dame. Éramos em 25 Padres e 1 Bispo. Durante este período, tivemos formação humana, bíblica e teológica, fizemos exercícios físicos orientados e descansamos bastante. Eias aí algumas fotos:

Os três "riograndinos" do Encontro: Pe. Nilto (Mostardas), Pe. Décio (Cassino) e Pe. Eu (daqui), ahuahuahu
Na Praça da Alfândega,em Porto Alegre

A galera toda junto

domingo, 13 de abril de 2008

ATENÇÂO

O Blogdopadre ficará sem atualizações até o dia 26 de abril. Agradeço a compreensão de todos.

domingo, 6 de abril de 2008


"Não se abrasava o nosso coração...?"

O que significa um coração abrasado? Quando vamos assar um churrasco, primeiro fazemos as brasas, que irão ser feitas com fogo e depois colocamos nelas a carne, que, com o calor, ficará pronta para ser comida. Se as brasas não forem feitas, o calor não permitirá que o churrasco asse como devia, a carne permanecerá fria, dura, crua, sem condições de ser comsumida.

O coração dos dois discípulos estava frio, triste, quando eles caminhavam para sua aldeia de Emaús. Foi preciso que o divino Desconhecido se colocasse a caminho com ambos paraque o seu coração pudesse ser de novo abrasado, aquecido. Foi na explicação das Escrituras que Jesus, o Desconhecido, conseguiu devolver a esperança que eles haviam perdido e no partir do Pão, Jesus devolve a eles a visão da Fé, fazendo com que eles possam voltar pelo mesmo caminho, na direção de Jerusalém, para partilhar com os outros a maravilhosa experiência de te rvisto, ouvido e sentido o Senhor Ressuscitado de perto.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Apenas cinco pães e dois peixes...


Foram apenas cinco pães e dois peixes... nada mais do que isto... apenas isto... Jesus poderia ter estalado os dedos e não apenas os pães sairiam do nada, mas até mesmo sanduíches poderiam surgir... afinal Ele é Deus, Ele tudo pode, Ele tudo faz...
Cinco pães e dois peixes... Ele quiz que fosse assim... uma pequena contribuição humana, uma ínfima parcela de participação, que bastaria para saciar a fome daquela multidão...
O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes Jesus faz ainda hoje; porém, quem dá a matéria-prima é o ser humano. Para saciar a fome de Deus que a humanidade possui, nós devemos fazer a nossa parte, dar a nossa parcela. Para a ação missionária e evangelizadora da Igreja, se fizermos a nossa pequena parte, Jesus faz o resto. O êxito da ação da Igreja depende do nosso esforço, mas principalmente da nossa adesão a Jesus, que permita que a Graça atue.
Esta é a experiência que estamos fazendo na Paróquia de São José Operário: após anos de constantes problemas e crises financeiras e pastorais, quando fomos capazes de dar nossos "cinco pães e dois peixes", a Paróquia reagiu e se renovou, não apenas na sua estrutura física, mas também na sua estrutura espiritual e pastoral. Demos passos de gigante, a partir do momento em que começamos a fazer as 72 Horas de Adoração e as Adorações Mensais, na primeira sexta-feira do mês, bem como após o início das Oficinas de Oração e Vida, que mexeu profundamente com a vida interior do Padre e dos paroquianos.
Por isso, continuemos a dar nossos "cinco pães e dois peixes" e deixemos que Jesus faça o milagre...