sábado, 6 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (XI) - O mundo urbano

O crescimento do mundo urbano exige novas maneiras de atuar na ação evangelizadora. A cultura presente nas nossas cidades exigem que elas sejam pensadas de forma global, atendendo as novas realidades e contemplando as novas pobrezas. Aparecida pede de nós, Igreja da América Latina e do Caribe, ações pastorais que sejam feitas com criatividade e competência. Durante séculos, a Igreja Católica atuou num mundo predominantemente rural e num contexto de Cristandade, onde era praticamente obrigatório às populações a prática da Religião Católica. Hoje, dentro de um contexto de secularização, boa parte de nossa população abandonou as práticas religiosas católicas, optando por uma prática religiosa individualista e intimista. "Creio em Deus, mas não professo a fé de nenhuma Igreja", é assim que dizem e praticam. Diante deste contexto de indiferentismo religioso ou ainda de uma "mescla" de doutrinas de diferentes credos, cabe à Igreja ir ao encontro das pessoas, apresentando a Boa Nova de Jesus Cristo como uma proposta atraente e agradável, capaz de cativar e acolher as pessoas, dentro da sua realidade pessoal.

Algumas posturas devem ser assumidas pela Igreja neste mundo urbano e nesta situação de indiferentismo religioso:
a) O testemunho dos nossos católicos deve ser um testemunho vivo de adesão pessoal a Jesus Cristo e sua proposta. Isso exige do cristão ética na sua vida pessoal, familiar e profissional. Testemunho também de alegria em conhecer e amar Jesus e a sua Igreja;
b) nossas Igrejas devem ser locais de acolhida e devem ter um ambiente sagrado, que leve as pessoas a rezar e a se encontrar com Deus. Devemos manter nossas Igrejas abertas, não somente nos horários de expediente, mas em outros horários, que atendam à demanda de quem estuda e trabalha durante o dia. Expediente à noite, bem como Missa ao meio-dia, especialmente nas Paróquias de centro se torna uma urgência;
c) devemos promover, em nossas comunidades eclesiais a possibilidade do atendimento ás pessoas, como confissões e orientação espiritual, esta não apenas com padres, mas oportunizando católicos profissionais, tipo terapeutas e médicos, que poderiam atuar como "aconselhadores". A criação de atendimento por telefone e internet também tem uma eficácia imensa;
d) a criação de núcleos de Igreja nas vilas e condomínios habitacionais facilitaria o acesso às famílias em seu próprio ambiente. O Ministério da da Visitação e da Acolhida é indispensável no mundo de hoje.
Enfim, criatividade é a alma do negócio. Usar mecanismos novos de evangelizar, bem como resgatar outros antigos, mas igualmente eficazes é necessário. Vivemos num tempo de um "Novo Pentecostes Missionário" na Igreja, uma Primavera da Evangelização. Não devemos deixar escapar esta oportunidade que o Espírito Santo dá à Igreja.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (X) - As novas pobrezas

Aparecida cunhou uma nova expressão, que entrou muito em voga a partir da V Conferência: as "novas pobrezas". Convém lembrar que a Igreja Católica na América latina, em Puebla, já no longínquo ano de 1979, fez aquilo que chamou de "opção preferencial pelos pobres". Esta opção preferencial, "não exclusiva e nem excludente", coloca os pobres como preferenciais em todo o atendimento eclesial e social que a Igreja realiza.

A opção preferencial pelos pobres, no dizer de Bento XVI, é cristológica, uma vez que é sinal da opção de Cristo pela humanidade, Ele, que sendo Deus se fez homem, assumindo a nossa pobreza e tornando-se um de nós. Optar pelos pobres é fazer o mesmo trajeto de Jesus, significa agir como Ele, que vai ao encontro de todas as pobrezas, com-padecendo-se de todos os sofrimentos e opressões sofridos pela humanidade. Compadecer significa "padecer-com", estar junto, solidário, unido. Assim deve ser a atitude concreta da Igreja, ou seja, de cada um de nós.
Mas o que significa esta "nova pobreza"? Nas últimas décadas, a situação sócio-político, econômica e social da humanidade mudou consideravelmente. O mundo anda depressa e com significativas transformações. Com isso, surgiram "novos rostos de pobres", que precisam ser vistos e atendidos com o nosso amor samaritano. Aparecida, a partir do número 407, são elencados estes rostos: os moradores de rua, os migrantes, os enfermnos, os dependentes de drogas e os encarcerados. Por que novos rostos? Afinal sempre existiram! Porém, fazem parte de um fenômeno recente o seu crescimento em nossa sociedade. Por isso, a música aquela antiga do Padre Zezinho é cada vez mais atual: "Seu nome é Jesus Cristo e passa fome..."
Constato, com tristeza e preocupação, que a nossa sociedade (e também a Igreja...) tem diminuído sua atenção para com a realidade dos empobrecidos. Pastorais e Movimentos Sociais perderam o seu espaço e este tema não é mais prioritário em nossos Planos de Pastoral. Parece que perdemos a nossa sensibilidade social. Contemplar e auxiliar os pobres, em seus antigos e novos rostos deve ser preocupação constante da Igreja e de cada católico, que deve cultivar o coração de Bom Samaritano.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (IX) - Paróquia: comunidade de comunidades

Aparecida cria uma nova terminologia teológico-pastoral para definir a função das Paróquias na vida da Igreja. Uma Paróquia é uma comunidade de comunidades. Isto parece apenas uma definição sem maiores consequências, mas não é bem assim.

Estávamos acostumados a ver uma Paróquia como uma estrutura composta de Matriz e Capelas, onde o pároco comandava o espetáculo, auxiliado pela diretoria, que tinha a função de realizar promoções para pagar as contas... Portanto, a Paróquia era uma espécie de "empresa", com funções religiosas e sociais. As estruturas que precisavam ser mantidas muitas vezes emperravam toda a vida pastoral, engessando a vida eclesial.
Definir a Paróquia como uma comunidade de comunidades nos dá uma nova percepção de como ela deve ser organizada. É claro que torna-se necessário que se façam promoções para o sustento da vida paroquial e suas atividades, mas a prioridade é sempre a missão evangelizadora. Na medida em que cresce esta consciência, cada comunidade vai se dando conta do seu valor e das suas responsabilidades pela vida eclesial. Sendo de certa forma autônoma, cada comunidade procura atender as pessoas e famílias ao redor de si, de forma personalizada, inculturada à região onde se localiza.
Na Paróquia que eu atendo existem quatro comunidades, sendo cada uma diferente da outra. Se tudo ficasse centralizado na Matriz, boa parte de nossa população ficaria sem um atendimento eficaz. Por isso, torna-se necessária a multiplicação de comunidades, de tal modo que todas as realidades sociais sejam contempladas com o anúncio do Evangelho. Porém, não deixamos de ser uma paróquia, e torna-se necessário que algumas atividades possam ser comuns, mantendo a identidade paroquial, como sinal de unidade entre todos. Tornar a paróquia rede de comunidade: eis a realidade que já temos aqui há anos e que Aparecida sugere a toda a América Latina.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (VIII) - Desafios para a nossa Diocese

Nesta terça-feira acontecerá uma importante reunião, entre o clero de nossa Diocese, representantes das comunidades religiosas, candidatos ao diaconado permanente e lideranças leigas, especialmente ligadas à Equipe Diocesana de Coordenação da Ação Evangelizadora, ao Projeto Missionário Diocesano e ao REMO (Reunião dos Movimentos), bem como outros interessados. Assessorará a reunião o Secretário Municipal de Planejamento e um professor da Universidade do Rio Grande.
Qual o tema para tão importante reunião? Como Rio Grande está na perspectiva de ter nos próximos anos um acentuado crescimento demográfico, torna-se urgente perceber as tendências deste crescimento, para termos uma eficaz ação da Igreja na área social e evangelizadora. É preciso pensar uma pastoral urbana que faça frente à demanda e que se repense com coragem as nossas próprias estruturas eclesiais, especialmente nossas Paróquias, quase todas elas no centro histórico e comercial da cidade.
Aparecida nos fornece pistas que são importantes para as decisões que serão tomadas, especialmente no que diz respeito à criaitivdade pastoral que transforme nossas estruturas caducas em estruturas mais leves e eficientes. É preciso pensar na tão necessária acolhida aos migrantes que estão vindo para cá, de forma que tenham respeitadas as sua cultura e religiosidade. Rio Grande está se tornando uma cidade com diferentes sotaques, com a chegada de muitos nordestinos e cariocas. Como apresentar Jesus Cristo a uma população cada vez mais heterogênea?
Portanto, pedimos a todos os nossos leitores que rezem neste dia pelo êxito desta nossa reunião. É claro que as mudanças que acontecerem deverão passar pelas mais diferentes instâncias, como o Conselho de Presbíteros, a Assembléia Diocesana, sendo a decisão final tomada pelo Bispo Diocesano. Mas, o primeiro passo está sendo dado hoje. É, portanto, uma data que ficará marcada na história de nossa Diocese.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (VII) - Como ficou a nossa Paróquia?

A nossa Paróquia de São José Operário está vivendo neste ano de 2008 o seu quadragésimo aniversário de fundação. Em vista disso, iniciamos neste ano o que chamamos de "Projeto de Re-fundação paroquial", que consiste na retomada das intuições de nossos fundadores, os Missionários Redentoristas, que aqui atenderam de 1968 até 1988. As idéias básicas que queremos ressuscitar são três: a missionariedade, os Grupos de Família e a vida comunitária. Já fizemos diferentes atividades neste ano, tratando do tema "40 Anos": as Caminhadas Penitenciais, as "Noites da Memória", o Retiro Paroquial e a Festa, no próximo final de ano.

Quando olhamos este Projeto de Re-fundação Paroquial, percebemos o quanto dessas intuições fazem parte da imensa riqueza que o Documento de Aparecida nos oferece. Toda a novidade de Aparecida já faz parte da caminhada da Igreja da América Latina há várias décadas, embora com uma nova linguagem e um novo ardor. É aquilo que o livro do Apocalipse fala, quando acusa a Igreja de ter "arrefecido no seu amor", ou seja, de ter esfriado e perdido o rumo da sua caminhada.






A Igreja não é, repito, uma instituição fria e morta,mas possui um corpo e uma alma. Nós, cristãos, somos convocados pelo Senhor para re-assumirmos uma postura de fidelidade ao Evangelho, que nos leve a reencontrar aquilo que foi perdido e a, com novo ardor, e criatividade, construir o novo que os novos tempos exigem. "O mundo anda depressa e nós não pdoemos parar" (Scalabrini).
Este é o objetivo do nosso Porjeto de Re-fundação Paroquial: olhar para trás e perceber aquilo que pode e deve ser retomado com novo ardor; olhar para os lados e contemplar a realidade que nos cerca e que exigem de nós, Igreja de Cristo, uma tomada de posição, com decisões arrojadas e corajosas, que exigem empenho e determinação de todos nós; um olhar para a frente e, com força profética, planejar os rumos que devem ser tomados para atender as demandas que estão surgindo.
Aqui postamos fotos de nossas Comunidades, que compõe a Paróquia de São José Operário. Embora eu resida na Casa Paroquial, que está localizada nos fundos da Igreja de São José, a nossa Paróquia sempre se destacou como uma "Comunidade de Comunidades", ou seja, um conjunto de pequenas Comunidades que, vivendo juntas sua caminhada comum, possuem autonomia suficiente para aquilo que lhes é específico. Esta postura sempre foi utilizada pelos padres que aqui trabalharam e que eu também procurei continuar. É uma postura própria de Aparecida, mas que aqui desde os anos setenta já havia sido aqui instituída e vivenciada. Desta forma, Coração de Maria, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora das Graças e São José Operário tornam-se uma Igreja viva, mesmo com dificuldades, fiéis àquilo que desde 1968 já é realidade nesta área enorme de nossa cidade do Rio Grande.

domingo, 31 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (VI) - Como ficam as nossas Paróquias?


Muitos, quando começam a ler o Documento de Aparecida, ficam angustiados com relação às novidades que ele apresenta, especialmente quando ele trata do tema "Paróquias". O sistema paroquial é quanse tão antigo quanto a Igreja, existindo já nos primeiros séculos do cristianismo, quanso este se deslocou das cidades para a zona rural. Sempre esteve relacionado a uma área geográfica, confiada a um ou mais presbíteros (padres), que tinhama função de pregar a Palavra de Deus, administrar os Sacramentos e coordenar a ação pastoral, em nome do bispo.

Somente neste último século, com o processo de crescente urbanização, a Igreja passou a dar uma atenção mais efetiva ao mundo da cidade. As grande metrópoles e o crescente fenômeno das periferias, fez com que as Paróquias tivessem que se readequar às novas realidades. Por isso, o Documento de Aparecida trata da necessidade de uma nova forma de se viver e de se administrar as Paróquias. O número 173 do Documento propõe que as Paróquias possam se tornar cada vez mais missionárias, uma vez que o número dos frequentadores de nossas Igrejas é cada vez mais escasso. É necessário que se aja com criatividade, de forma que possamos chegar a todos os que precisam receber a proposta do Evangelho.

Outra proposta audaciosa que Aparecida nos faz é a de tornar as Paróquias "comunidades de comunidades" (DA 309), ou seja, retomar com uma nova roupagem a proposta das Comunidades Eclesiais de Base, que foram tão atuantes em nosso continente décadas atrás e que ainda existem em diferentes lugares e cidades. Estas pequenas comunidades deverão ser fruto de uma "setorização" da paróquia (DA 372), que provoque o surgimento de novas lideranças e de novos grupos. O termo "estruturas caducas", presente no Documento nos encoraja a sair em busca de novas modalidades de Evangelização e constante processo de aperfeiçoamento de nós, padres e das lideranças existentes em nossas Dioceses.

O Projeto Missionário Diocesano, existente na Diocese do Rio Grande desde 1996 tem procurado ser uma resposta (até mesmo antecipada...) para os desafios elencados pelos bispos em Aparecida. Muito pouco temos conseguido fazer, porque somos acomodados e medrosos. É necessário para a nossa Diocese um "Novo Pentecostes Missionário", que nos ajude a ir ao encontro das novas populações de nossas cidades, para acolhê-las, amá-las, como Cristo as acolhe e ama, afinal, esta é a tarefa e a missão de toda a Igreja.

sábado, 30 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (V) - O tripé de Aparecida 2


Ao pensar no "tripé" de Aparecida (discipulado, missionariedade e serviço à vida), não estamos falando de coisas teóricas, mas sim, concretas, pois devem fazer parte do "arroz com feijão" das atividades pastorais de nossas Comunidades e Paróquias.

O discipulado deve aparecer na vida de nossas Paróquias na medida em que damos destaque a todas as formas de organização que levem o nosso povo a conhecer melhor e amar mais a Nosso Senhor. Aqui aparece toda a forma de ação catequética e litúrgica, bem como todos os carismas de oração que a Igreja possui: Movimentos, Grupos de Oração, Leitura Orante da Bíblia... Estas maneiras de orar e conhecer melhor a Jesus e sua proposta de vida fazem de nosso povo um povo discípulo (e dentro deste povo entram também nós, padres, que devemos ser os primeiros discípulos...).

A missionariedade na vida da Igreja se manifesta nas diferentes atividades que realizamos para ir ao encontro dos católicos afastados e daqueles que ainda não conheceram a proposta de Jesus. Isto significa sairmos de nossas sacristias para irmos ao encontro das pessoas no ambiente em que vivem: escolas, universidades, mundo do trabalho, da política, economia, sociedade... Missionariedade não significa apenas o trabalho de Santas Missões Populares, mas um projeto contínuo e permanente. Aparecida fala do "estado permanente de missão" e nos propõe uma "Missão Continental". As Santas Missões Populares são apenas uma faceta de um projeto que é bem maior e mais arrojado e que deve ser assumido por todos.

A defesa da vida consiste em todos os trabalhos de ação social, que supere uma postura apenas assistencialista, embora muitas vezes seja necessária uma assistência em situações emergenciais. O trabalho das Pastorais Sociais é a maior expressão da busca de mais vida para todos. Eu vejo com preocupação um certo cansaço das lideranças das Pastorais e Movimentos Sociais, sejam eles eclesiais ou não. Parece que nós, Igreja, estamos, aos poucos, perdendo o profetismo social, de denúncia dos atentados contra a vida dos pobres e de anúncio de valores como a justiça, a solidariedade e o amor. O serviço da caridade organizada e libertadora, de forma séria, faz com que a ação da Igreja seja ainda hoje profética em nossa sociedade. Uma comunidade de Igreja que não possuir nenhum trabalho social não pode ser considerada cristã, pois está traindo o Evangelho de Cristo, que se fez pobre para a nossa Salvação.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (IV) - O tripé de Aparecida


O Santo Padre, o Papa Bento XVI, ao convocar a realização da V Conferência para a cidade de Aparecida, deu a preciosa dica de como a Igreja latino-americana e caribenha deveria caminhar nesta próxima década. O tema proposto pelo Papa esteve sempre diante dos olhos dos nossos bispos e deve estardiante de nossos olhos, na medida em que fizermos os nossos Planos de Pastoral. "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n'Ele nossos povos tenham vida. "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Este tripé, discipulado, missão e vida, oferece-nos uma dinâmica pastoral totalmente nova. O três elementos não podem ser vistos de forma estanque e separada, mas dentro de um conjunto harmonioso, uma vez que eles se complementam e, vistos em conjunto, ganham um brilho especial.

O discipulado consiste aquela atitude de alguém que segue um Mestre. A Igreja é sempre discípula de Jesus Cristo e aprendiz do Evangelho. Este aprendizado se dá na medida em que ela se coloca aberta e atenta à Palavra de Deus, pela contemplação de tudo aquilo que o Senhor fez e ensinou. Mas esta contemplação não nos torna agentes meramente passivos, mas identificados com o Senhor, agindo com Ele e como Ele, fazendo acontecer os sinais do Reino de Deus.

A missionariedade é uma consequência do discipulado. Porém, não acontece antes ou depois do discipulado. Somos missionários enquanto discípulos e vice-versa. A missionariedade sem o discipulado perde o seu significado mais profundo. Ela consiste em sairmos de nós mesmos e de nossas sacristias, para irmos ao encontro dos outros, especialmente dos mais pobres e desesperançados. Aqui entra aquilo que falamos sobre a conversão pastoral: quando contemplamos o Senhor, animados pelo seu Espírito Santo, tornamo-nos missionários mais eficazes, pois vamos enviados pelo Espírito ao encontro de todos os homens.

A defesa da vida é tema muito atual. Vida defendida desde sua concepção até sua morte natural. A Igreja não é contra nada; ela é sempre e apenas a favor da vida. Esta defesa da vida consiste sua dimensão profética, de anúncio do Reino e de seus valores, e de denúncia contra os atentados à vida. Aqui podemos elencar toda a questão do aborto, da eutanásia, dos problemas sociais tão presentes em nosso continente, das "novas pobrezas", como alcoolismo, drogadição, violência urbana, narcotráfico, etc.

Portanto, discipulado, missionariedade e defesa da vida são o tripé que devemos trabalhar a partir de Aparecida.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (III) - Ainda sobre Conversão Pastoral


A Igreja não é apenas mais uma instituição entre tantas. Ela possui um corpo, uma organização, é verdade. Mas, se esta organização não possuir uma alma, ela acaba morrendo por dentro. Por isto, a Igreja possui no Espírito Santo a sua alma, que é garantia de vida perene. Quando aconteceu o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII pediu para a Igreja a graça de um Novo Pentecostes, que iseria esta ação do Espírito de Deus em nossos dias, confirmando com a força do Alto toda a vida a ação eclesial.

Ao convocar a Igreja da América Latina e do Caribe para uma postura de "conversão pastoral", os nossos bispos estão nos pedindo uma postura e atuação que seja de dentro para fora, ou seja, que a conversão possa ser real, sincera e interior e, desta forma, produza frutos concretos, que se manifestem numa atitude diferente da que vinha existindo até então.

Quando a conversão é apenas exterior torna-se fogo de palha. É preciso que ela surja a partir de convicções sinceras e maduras, feitas individualmente e por todos em comum. Por isso, a Igreja no nosso continente deseja fazer a forte experiência do discipulado para que, contemplando Jesus Bom Pastor, possa corresponder concretamente aos desafios dos nossos tempos. E, desta forma,a conversão pastoral se tornará uma realidade concreta, em estruturas fortes e renovadas.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (II) - Conversão Pastoral


O tema da "conversão" é tão velho quanto a Bíblia. Inúmeras passagens, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento nos apresentam a temática da conversão enquanto retomada da Aliança com o Senhor e volta à prática da Palavra de Deus.

A visão cristã de conversão, durante muito tempo, foi direcionada à uma postura privada da relação homem e Deus. Nestas últimas décadas, com o crescimento da consciência social, surgiu a idéia de "conversão social", que nos coloca na direção dos pobres e oprimidos, dentro da ótica da Teologia da Libertação, à luz da Doutrina Social da Igreja.

O Documento de Aparecida cunhou a expressão "conversão pastoral". Todos são chamados a buscar esta postura de conversão pastoral, uma vez que ela é da Igreja toda. Por isso, o novo de Aparecida na verdade já não é tão novo assim, uma vez que faz resplandecer aquilo que o Concílio já havia falado, décadas atrás, sobre o sacerdócio comum dos fiéis, ou seja, todos, pelo Batismo, fazem parte do sacerdócio de Cristo e, por isso, todos são, de certa forma, co-responsáveis pela vida eclesial.

A constatação de que a vida da Igreja em nosso continente está amparada em estruturas "caducas", envelhecidas, leva à necessidade desta conversão. Chamada à missionariedade, a Igreja descobre que ainda está muito dentro de suas sacristias e que precisa sair delas para ir ao encontro das pessoas. Aliás, esta constatação, há mais de 25 anos, D. Frederico Didonet já havia feito aqui no Rio Grande.

E quais serias estas "estruturas caducas"? Algumas delas podemos elencá-las:

a) uma acomodação geral na Igreja, por meio de uma "pastoral de manutenção", ou seja, manter o que nós temos, sem preocupação missionária;

b) um clericalismo, que abafe a atuação dos leigos e leigas e o surgimento de novos carismas na Igreja;

c) um modelo de paróquias, enquanto "feudos", sem um compromisso maior com uma pastoral orgânica e sem atender as novas periferias, que surgem em nossos centros urbanos;

d) um modelo centralizador de Igreja, desrespeitando as culturas locais e os novos desafios. Este modelo pode existir muito em nossas paróquias e organismos eclesiais.

Enfim, mudar é preciso! A receita do bolo nós já a temos. Agora, é buscar a conversão, sincera e total do nosso coração, para entrarmos num processo de conversão pastoral, na direção da missão que Jesus nos confia em nosso continente.

Tópicos de Aparecida (I)


Aparecida foi a V Conferência dos Bispos da América Latina e do Caribe. Aconteceu em maio de 2007, tendo sido aberta pelo Papa Bento XVI. Antes dela, haviam acontecido em 1955, no Rio de Janeiro, em 1979, em Puebla e em 1992, em Santo Domingo. Cada uma destas Conferências teve papel histórico decisivo na vida da Igreja latinoamericana.

Não vou entrar no histórico das Conferências, embora isto seja apaixonante. Aqui, pelos próximos dias, iremos tratar das diferentes temáticas que Aparecida nos oferece e que nos ajudará na reflexão teológica e pastoral destes nossos tempos. Alguns destes temas foram cunhados em Aparecida, aparecendo no documento pela primeira vez; outros,são retomados das documentos anteriores e do Magistério Pontifício, seja do Papa João Paulo II, seja do Papa Bento XVI.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Fotos do Retiro Paroquial

Aqui algumas fotos do nosso I Retiro Paroquial, acontecido na Casa de Formação, em 23 e 24 de agosto de 2008.



Pensando alto: meu Decálogo (X)

"Quero viver na intimidade com Deus, dando um tempo não curto à vida espiritual cotidiana: Liturgia das Horas, Santa Missa, estudo da Palavra de Deus, Meditação... como Presbítero, desejo ser verdadeiramente um mestre de vida espiritual, ensinando, pelo testemunho de uma vida de intimidade com o Senhor, os caminhos da santidade."
O padre é alguém que, pela pregação e catequese, fala de Deus para o povo e, pela oração, fala do povo para Deus. O ministério sacerdotal acontece em várias frentes, e uma das principais, é por meio da oração. A espiritualidade não deve ser apenas um alimento privativo do padre, para consumo próprio, mas "trabalho" que ele realiza, colocando-se, como Moisés, diante de Deus, para rezar pelo povo que lhe é confiado. A oração que o padre realiza é parte essencial do seu ministério que, sem ela, fica árido, sem frutos e vazio de sentido. Certa vez, confessando com um frade carmelita, ele me disse: "Gil, reza muito, porque de um padre que não reza pode-se esperar qualquer coisa, especialmente as piores."
Por isso, o padre deve ser um mestre de vida espiritual, mais pela experiência de comunhão íntima com o Senhor do que pela teoria que ele pode ensinar. Isto eu experimento constantemente na minha vida e ministério: todas as vezes que estou "em dia" com este mandamento, sinto-me feliz e fecundo na minha vida pessoal e ministerial: fico mais disponível para as pessoas que me procuram, fico mais ungido na pregação da Palavra de Deus e na condução pastoral das comunidade que atendo, fico mais sensível àqueles que precisam de mim. Entretanto, às vezes passo por tempos de certa aridez espiritual. Nesses tempos, minha vida e ministério ficam mais pesados e as coisas complicam. É claro que não é a minha linda cara ou piedade que "conquistam" a fecundidade ministerial, mas não nos esqueçamos de que a Graça supõe a natureza, ou seja, temos que colaborar com Deus, para que a sua obra aconteça na nossa vida e ao nosso redor.
Por isso, rezemos por nossos padres (especialmente... REZEM POR MIM!!!!), para que sejamos fiéis à nossa vocação de orantes e intercessores, cumprindo, assim, diante do Senhor, a missão que Ele nos confia.
Concluo, aqui, o meu Decálogo pessoal, que havia rezado, pensado e redigido em Viena, já no longínquo ano de 2002, com comentários atualizados. A partir de amanhã, novos assuntos e temas para reflexão. Aguardem!!!!!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Pensando alto: meu Decálogo (IX)

"Quero viver na disciplina, dando tempo para cada coisa, sem esquecer de nada: tempo para o estudo, para a oração, para a convivência fraterna, para a pastoral, para o lazer e para o descanso."
"Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus"(Ecle 3,1). A sabedoria dos antigos é algo maravilhoso, uma vez que nos ensina ainda hoje. De fato, há tempo para tudo na vida. Pena que ainda não sabemos como utilizá-lo. Especialmente,quando vejo para os meus dias, percebo o quanto sou desorganizado com minhas coisas e com minha agenda. Faço mil coisas, algumas delas totalmente desconexas com as outras e, com isso, acabo gastando tempo e energia, que são dons preciosos de Deus.
Por isso, embora um padre não necessariamente precise ser monge, precisa aprender com os monges o grande lema de São Bento: "Ora et labora", dando tempo para cada coisa, inclusive para o cultivo pessoal.
Um padre não pode ser apenas um "fazedor de coisas", sob pena de perder o rumo do seu ministério. É necessário que tenha um tempo não curto a cada dia para dedicar-se à oração, por si e pelos que lhe são confiados. É necessário, igualmente, saber dedicar um tempo para o cultivo pessoal, com boas leituras, bons filmes e bons papos com amigos. E, finalmente, precisa dedicar-se ao serviço pastoral, feito com competência e dedicação. Quando apenas um desses ítens tem prioridade, o ministério do padre fica desequilibrado e a própria vida fica desestruturada. Por isso, há um tempo para tudo, e eu escolhi tentar viver equilibradamente cada um desses ítens.

domingo, 24 de agosto de 2008

I Retiro Paroquial

Acontece desde ontem, na Casa de Formação da nossa Diocese, o I Retiro Paroquial de nossas Comunidades. O pregador é o Pe. Antônio Reges Brasil, de Pelotas. Quase sessenta pessoas estão participando deste Retiro, que é uma das atividades do nosso "Projeto de Re-fundação Paroquial", uma vez que celebraremos, em novembro próximo, os 40 anos de criação da Paróquia de São José Operário. Rezemos pelo êxito do nosso Retiro e pelos seus frutos na vida de nossos paroquianos.