sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Palavra de Vida - Mês de janeiro

“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.” (1Cor 12,20)
Você já visitou alguma vez uma comunidade viva de cristãos realmente autênticos? Já participou de um encontro entre eles, ou conheceu mais de perto a vida de uma comunidade assim?Se isso aconteceu, você terá percebido que as pessoas que a compõem desempenham funções diferentes; por exemplo: há quem tem o dom de falar e lhe comunica realidades espirituais que penetram profundamente na alma; há quem tem o dom de ajudar, de atender às necessidades dos outros e deixa você maravilhado diante dos sucessos alcançados em benefício daqueles que sofrem. Há também quem ensina com tamanha sabedoria, a ponto de reforçar a fé que você já possui, ou ainda quem tem o dom de organizar ou de governar; há quem sabe entender todo próximo que encontra e é distribuidor de consolações aos necessitados.É verdade, tudo isso você poderá experimentar; porém, aquilo que mais impressiona numa comunidade tão viva é o único espírito que a todos anima e que se tem a impressão de sentir pairar. Espírito esse que faz da comunidade uma única realidade, um só corpo.
“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”
Também Paulo – e ele de um modo todo especial – se encontrou diante de comunidades cristãs vivíssimas, que nasceram justamente por causa da sua extraordinária palavra.Uma dessas – ainda jovem – era a de Corinto, na qual o Espírito Santo tinha sido generoso em distribuir os seus dons, ou melhor, os carismas, como são chamados. Por sinal, naquele tempo se manifestavam carismas extraordinários, devido à vocação especial da Igreja nascente.Aconteceu, porém, que depois de ter feito a maravilhosa experiência da diversidade de dons distribuídos pelo Espírito Santo, essa comunidade conheceu também rivalidades ou desordens, justamente entre aqueles que tinham sido beneficiados por esses dons.Foi necessário, então, dirigir-se a Paulo, que estava em Éfeso, para pedir esclarecimentos.Paulo não hesita e responde numa das suas importantes cartas, explicando como devem ser usadas essas graças especiais.Ele explica que existe diversidade de carismas, diversidade de ministérios, como o dos apóstolos ou o dos profetas ou ainda o dos mestres, mas que um só é o Senhor do qual eles provêm. Diz ainda que, na comunidade, existem operadores de milagres e de curas, pessoas com o dom excepcional para o atendimento aos necessitados, outras para o governo, como também há quem sabe falar línguas e quem sabe interpretá-las. Mas acrescenta que um só é Deus, onde têm origem esses dons.Portanto, como os diversos dons são expressões do mesmo Espírito Santo, que os distribui livremente, não podem deixar de estar em harmonia entre si, não podem deixar de ser complementares. Esses dons não servem para uma simples realização pessoal, não podem ser motivo de vanglória, ou de afirmação de si, mas foram dados para uma finalidade comum: construir a comunidade. A finalidade deles é o serviço. Por isso, não podem causar rivalidades ou confusão.Paulo, mesmo pensando em dons particulares que diziam respeito diretamente à vida da comunidade, é do parecer que cada membro dessa comunidade tem a sua capacidade, o seu talento, que deve ser usado para o bem de todos, e que cada um deve ficar satisfeito com aquilo que tem.Ele apresenta a comunidade como um corpo, e se pergunta: “Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato? Realmente, Deus dispôs os membros, e cada um deles, no corpo, conforme quis. Se houvesse apenas um membro, onde estaria o corpo?” (cf. 1Cor 12,17-19) Mas, de fato,
“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”
Se cada um é diferente dos outros, cada um pode então ser um dom para os outros; sendo, portanto, aquilo que deve ser e realizar o desígnio que Deus tem para ele em função dos outros.Paulo vê na comunidade, onde os diversos dons funcionam, uma realidade à qual dá um nome esplêndido: Cristo. E com razão, pois este corpo tão original, composto pelos membros da comunidade, é realmente o Corpo de Cristo. Com efeito, Cristo continua a viver na sua Igreja, e a Igreja é o seu corpo. De fato, no batismo o Espírito Santo incorpora o batizando em Cristo, tornando-o assim membro da comunidade. Nela, todos foram transformados em Cristo, toda divisão é cancelada, toda discriminação é superada.
“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”
Se o corpo é um só, os membros da comunidade cristã só atuam bem esse novo modo de viver se realizarem a unidade entre si; unidade que supõe a diversidade, o pluralismo. A comunidade não é como um bloco de matéria inerte, mas como um organismo vivo, composto por vários membros.Para os cristãos, portanto, provocar divisões é o contrário do que devem fazer.
“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”
Como, então, você viverá essa nova Palavra que a Escritura lhe propõe?É necessário que você tenha um grande respeito pelas diversas funções, pelos dons e talentos da comunidade cristã.Você deve abrir o seu coração para acolher toda a rica variedade da Igreja, e não só da pequena Igreja que você freqüenta e bem conhece, como a comunidade paroquial ou a associação cristã da qual participa, ou ainda o movimento eclesial do qual você é membro, mas de toda a Igreja universal, nas suas múltiplas formas e expressões. Deve sentir que tudo lhe pertence, pois você faz parte desse único corpo.E da mesma forma como você cuida de cada membro do seu corpo físico e o protege, deve cuidar e proteger cada membro do corpo espiritual. (...) Você deve estimar a todos e também fazer tudo o que está ao seu alcance para que possam tornar-se úteis à Igreja do melhor modo possível. (...) Você não deve desprezar aquilo que Deus lhe pede, no lugar em que você se encontra – por mais que o trabalho cotidiano possa lhe parecer monótono e sem grande sentido –, pois pertencemos todos a um mesmo corpo e, como membro dele, cada um participa da atividade de todo o corpo permanecendo no lugar que Deus escolheu para ele. Além disso, o essencial é que você tenha aquele carisma – como anuncia Paulo – que supera todos os outros: o amor. O amor para com toda pessoa que você encontra, o amor para com todos os homens da terra.Somente com o amor, com o amor recíproco, é que os muitos membros podem ser um só corpo.
Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em janeiro de 1981.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

No limiar de um ano novo...

"Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração" (Lc 2,19). Começamos um novo ano e este é um tempo privilegiado para conservar no coração tudo o que o Senhor fez por nós no ano de terminou. Quantas graças, quantas bênçãos, quantas maravilhas aconteceram nos últimos 366 dias que vivemos! Guardar no coração tudo isso nos faz encher de gratidão o nosso interior e, com Maria, podemos cantar o nosso Magnificat: "...porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo" (Lc 1,49). Ao mesmo tempo, lembramos todas as porcarias que fizemos neste ano que se encerrou e delas nos arrependemos e pedimos perdão a Deus. Não as guardamos no nosso coração, porque, da mesma forma que uma infecção, quanto mais guardada, mais se agrava, assim os nossos pecados: devem ser jogados fora com uma boa confissão, para que sejam guardados no Coração Misericordioso do nosso Deus. Ele sabe o que fazer com os nossos pecados, uma vez que pagou por eles na Cruz...
Olhamos, igualmente, para o nosso futuro: não sabemos o que nos espera o ano de 2009. Pode ser que aconteçam coisas boas, pode ser que conheçamos pessoas que serão especiais para a nossa vida, pode ser que a dor e a morte venham nos visitar... Tanto faz, se até aqui nos ajudou o Senhor, mais ainda continuará nos ajudando com a sua Graça e com o seu amor. O Senhor, Deus do tempo e do espaço, estará conosco em cada momento de nossas vidas e jamais irá nos desamparar. Confiemos em sua Divina Providência e iremos ter a força do alto para o ano que ora se inicia.
A todos os amigos e amigas que nos visitam neste Blog, desejo um abençoado ano de 2009, com as bênçãos de Deus!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Sagrada Família e a nossa família às vezes nada sagrada...

Celebramos neste final de semana a Festa da Sagrada Família, onde contemplamos Jesus, Maria e José. Esta Festa adquiriu para mim um significado especial nos anos 1994/1998, quando fui Pároco da paróquia da Sagrada Família, no Bairro Cidade Nova, em Rio Grande, hoje atendida pelo meu amigo Pe. John Cléber.

Quando celebramos a Sagrada Família de Nazaré, a tendência que temos é a de festejar um estilo de família que está cada vez mais raro, quase que uma espécie em extinção. A tentação que nos vem é a de desânimo diante da triste realidade que vemos: divórcios, famílias incompletas, pais ausentes, filhos e filhas jogados pela vida afora... Parece que esta triste "ladainha" não tem fim...
O fato de Jesus ter se encarnado numa família tem por objetivo santificar todas as famílias, libertando-as das marcas que o pecado deixou nelas. Jesus santifica todas as realidades que assumiu, entre as quais a realidade familiar. Por isso é que se torna tão importante deixar a luz de Cristo invadir nossas casas e nosso ambiente familiar, mesmo aqueles que vivem situações de dor e de sofrimento. Deixemos que o Amor de Cristo transforme nossas famílias, estejam elas na situação que estiverem, é o melhor remédio para curar relações doídas e sofridas.
Para a Sagrada Família também não foi fácil: eram pobres, tiveram seu filhinho numa estrebaria, tiveram que fugir às pressas para o Egito, perderam o seu menino com doze anos numa cidade grande, como Jerusalém, Maria teve a dor de ver seu filho ser condenado como criminoso... Todas as dificuldades possíveis eles enfrentaram, como que para nos dizer: "Permaneçam firmes, pois vale a pena!"
Por isso, neste dia festivo, louvemos a Deus pela família que Ele nos concedeu, mesmo que marcadas por situações de dor e sofrimento. Deixemos que a luz do Natal nos marque e ilumine e, então conseguiremos fazer de nossas casas verdeiros lares, onde Jesus goste de estar e se sinta acolhido e amado no nosso amor vivido em nossa casa.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Compreendendo o sentido do Natal

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,). Jesus, o Verbo que se faz carne, é a palavra que se realiza. Se, pela Criação do Universo, por meio da Palavra, o Pai disse "Faça-se" e assim foi feito, pela Encarnação o Pai, de novo, por meio di Filho, diz "Faça-se uma nova humanidade", totalmente libertada das garras do pecado e, em Jesus, assim foi feito. Por isso, Paulo diz que Jesus é o novo Adão dessa nova Humanidade, pois nele se inicia o tempo da verdadeira obediência ao Pai, do verdadeiro Amor do Pai para conosco, que exige de nós uma resposta de aceitação de nossa parte. E, em Jesus Menino, contemplamos o Sim do Pai a nós e no seu Sim contemplamos os nossos "sins" ao Pai. Ele, verdadeiro Deus, se faz semelhante a nós em tudo, até mesmo na pobreza extrema e no despojamento absoluto de si mesmo, para que, semelhante a nós, na sua humanidade, possa nos tornar semelhantes a Ele e participantes da sua vida divina. Dar Sim ao Pai é, portanto, a nossa vocação, que se origina no Presépio, se confirma no Calvário e se plenifica na Eucaristia. O Natal faz isso em nós: nos possibilita ver Deus entrando no mistério de nossa fragilidade, para nos fazer entrar no Mistério de sua Misericórdia. Aproveitemos as luzes deste Natal para deixar que elas nos iluminem e transformem a nossa vida.
A todos, desejo um Feliz e abençoado natal do Senhor!

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Domingo da Alegria

O Domingo "Gaudete" é uma pequena "folga" na austeridade do Advento, para celebrarmos de modo antecipado as alegrias do Natal do Senhor. Ele já está às portas e o ambiente interior e exterior vão nos conduzindo a esta alegria. É como uma mulher grávida, que vê se aproximar o nascimento de seu filhinho e sente imensa alegria por estar chegando a hora de tê-lo em seus braços. Assim é a nossa alegria: o Senhor está próximo, o advento está nos seus finais, seja o Advento celebrado na Liturgia, seja o Advento "escatológico", o do fim dos tempos, quando o Senhor voltar em sua Glória. Por isso, a esperança-certeza é a grande tônica deste domingo e a alegria do anúncio da Boa Nova é a grande atitude que nós, cristãos, devemos ter. Num mundo tão cheio de más notícias, nós, cristãos, somos os anunciadores da única Boa Notícia que pode transformas vidas: a Boa Notícia de que somos amados por Deus, por meio do seu Filho, Jesus, nosso Senhor e Salvador.
Assim como João Batista, devemos "emprestar" a nossa voz para proclamarmos a Boa Nova de que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. E a nossa voz manifesta a Palavra com nossa boca e com nossas atitudes: o nosso sorriso, a nossa alegria, a nossa bondade manifestada em gesto.
Por isso, alegremo-nos no Senhor e levemos nossa alegria em nossos caminhos e nos caminhos daqueles que convivem conosco.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O momento presente e o outro: caminho para viver a Palavra de Deus

Confesso o quanto tem me feito bem meditar, rezar e vivenciar a "Palavra de Vida", que a cada mês nos chega, propondo um pequeno versículo da Palavra de Deus para nós. Por isso, mensalmente eu coloco a meditação que Chiara Lubich preparou já há alguns anos e que, mesmo hoje é profundamente atual.

Confesso, ainda, o quanto às vezes sou egoísta, querendo que sempre a minha vontade seja feita, deixando de lado aquilo que Deus me pede e aquilo que meus semelhantes necessitam.
Duas coisas a Palavra de Vida desde mês propõe para nós: a primeira: viver a vontade de Deus no momento presente. Este é um desafio muito grande, uma vez que temos a tendência ou de viver no passado ou de viver no futuro. No passado, através de saudosismo ou de ressentimentos, quando ficamos remoendo fatos e situações acontecidas, sejam elas positivas ou negativas. No futuro, quando vivemos na ansiedade do que ainda está por vir e que, de repente nem virá. Geralmente vivemos cercados de fantasmas, de medos e angústias de coisas que pensamos que irão nos atingir. Portanto, viver o momento presente, a situação atual que estamos vivendo e que dependem de nossas escolhas, onde podemos fazer a vontade de Deus ou então viver num egoísmo vazio de sentido.

O segundo aspecto que quero abordar aqui é a capacidade de sairmos de nós mesmos, para irmos na direção do outro: do Outro Supremo, que é Deus e dos outros, que convivem conosco. No mundo de hoje, perdemos a capacidade da alteridade, de estarmos voltados para o outro, com suas necessidades e sentimentos. Estar voltado para o outro é o antídoto do egocentrismo, que nos fecha à interlocução e ao amor, que é sinal do Amor que Deus tem para conosco. Eu posso conversar com alguém, mas com o coração fechado sobre mim mesmo ou posso estar totalmente voltado para o outro, com o coração generosamente aberto, na alteridade absoluta. E como é maravilhoso ser assim, pois a experiência que fazemos acaba sendo uma experiência de realização plena, pois somos vocacioonados para o outro, para o amor a Deus e ao próximo.

Quando vivemos o momento presente e vivemos na relação de alteridade para com Deus e o próximo, então aí, sim, estamos encontrando o caminho da felicidade plena.

A todos, um feliz final de semana!

domingo, 7 de dezembro de 2008

"Anoiteceeeeeeuuuuu, o sino gemeeeeeeuuuuu..."

Hoje tivemos o nosso Jantar Natalino, da Comunidade de São José Operário. Logo após saímos pelas ruas de nosso bairro, realizando nossa Serenata de Natal, alegrando a noite de nossos vizinhos. A experiência do alegre estar junto, com nossos jovens e adultos foi uma maravilha. Foi extremamente divertido e a todos deixou aquele gostinho de quero mais. A vida em comunidade foi a grande tônica deste ano em que buscamos a re-fundação de nossa Paróquia, nos seus quarenta anos. Eis as fotos da Serenata:



A galera andando pelas ruas e cantando: "Anoiteceeeeeuuu..."

A nossa gurizada animando a noite da Cohab 2

Mais uma dos nossos cantores...



A "Velha Guarda da Comunidade..."

Cantando e dançando com a Equipe da Cozinha do Jantar de Natal...

Confesso... sou feio, muito feio, mas o Bruno tá pior que eu... ahuahuahu...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Palavra de Vida - Mês de Dezembro

“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!” (Lc 22,42b)
Você se lembra? É a oração que Jesus dirige ao Pai no Horto das Oliveiras e que dá sentido à sua paixão, depois da qual veio a ressurreição. Essa frase exprime em toda a sua intensidade o drama que se passa no íntimo de Jesus. Revela a ferida interior provocada pela repugnância profunda da sua natureza humana diante da morte que o Pai quis para ele.Mas Cristo não esperou esse dia para adequar a sua vontade à vontade de Deus. Ele fez isso durante toda a vida. Se foi essa a conduta de Cristo, essa deve ser a atitude de cada cristão. Também você deve repetir na sua vida:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Talvez você ainda não tenha pensado nisso, mesmo sendo batizado, mesmo sendo filho da Igreja. Talvez você tenha reduzido essa frase a uma mera expressão de resignação, que se pronuncia quando não se pode fazer mais nada. Mas essa não é a sua verdadeira interpretação. Veja bem. Na vida você pode escolher uma destas duas direções: fazer a própria vontade ou optar livremente por fazer a vontade de Deus. Então você terá diante de si duas possibilidades: a primeira, que será logo decepcionante, porque você vai querer escalar a montanha da vida com suas idéias limitadas, com seus próprios recursos, com seus pobres sonhos, somente com as suas forças. A partir daí, mais cedo ou mais tarde, virá a experiência da rotina de uma existência marcada pelo tédio, pela mediocridade, pelo pessimismo e, às vezes, pelo desespero. A partir daí virá a experiência de uma vida monótona – apesar dos seus esforços para torná-la interessante – que nunca chegará a satisfazer suas exigências mais profundas. Isso você tem que admitir, não pode negar. A partir daí, no final de tudo, ainda virá uma morte que não deixará rastro algum, mas apenas algumas lágrimas e depois o esquecimento inexorável, total e universal. A segunda possibilidade é aquela em que também você repete:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Veja bem: Deus é como o sol. Do sol partem muitos raios que atingem cada homem: representam a vontade de Deus para cada um. Na vida, o cristão, e também todo homem de boa vontade, é chamado a caminhar rumo ao sol, na luz do seu próprio raio, diferente e distinto de todos os outros. Assim realizará o projeto maravilhoso, pessoal, que Deus preparou para ele. Se também você agir assim, vai se sentir envolvido numa divina aventura, nunca sonhada. Você será ao mesmo tempo ator e espectador de algo grandioso que Deus realiza em você e, por meio de você, na humanidade. Tudo o que lhe acontecer, como sofrimentos e alegrias, graças e desgraças, fatos de relevo (como sucessos e sorte, acidentes ou mortes de entes queridos), fatos corriqueiros (como o trabalho do dia-a-dia em casa, no escritório ou na escola), tudo, tudo vai adquirir um significado novo porque lhe será oferecido pelas mãos de Deus que é Amor. Tudo o que ele quer, ou permite, é para o seu bem. E se, de início, você acreditar nisso somente com a fé, depois enxergará com os olhos da alma como que um fio de ouro a ligar acontecimentos e coisas, a tecer um magnífico bordado, que é o projeto que Deus preparou para você.Talvez você se sinta atraído por esse modo de ver as coisas, talvez queira sinceramente dar à sua vida o sentido mais profundo.Então ouça. Antes de tudo vou lhe dizer quando você deve fazer a vontade de Deus.Pense um pouco: o passado já se foi e você não pode mais alcançá-lo; só lhe resta colocá-lo na misericórdia de Deus. O futuro ainda não chegou; você vai vivê-lo quando ele se tornar atual. Apenas o momento presente está em suas mãos. É justamente nele que você deve procurar viver a frase:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Quando você viaja – e também a vida é uma viagem –, permanece sentado tranqüilamente em seu lugar. Nem lhe passa pela cabeça a idéia de ficar caminhando para frente e para trás no ônibus ou no vagão do trem. Essa atitude seria de quem quisesse viver a vida sonhando com um futuro ainda inexistente, ou pensando no passado que jamais voltará. Não, o tempo caminha por si mesmo. É preciso concentrar-se no presente; então chegaremos à plena realização de nossa vida terrena. Você me perguntará: mas como posso distinguir entre a vontade de Deus e a minha? No presente não é difícil saber qual é a vontade de Deus. Vou lhe indicar um caminho: preste atenção à voz do seu íntimo, uma voz sutil, que talvez você tenha sufocado muitas e muitas vezes, e que se tornou quase imperceptível. Mas, procure ouvi-la bem – é voz de Deus (cf. Jo 18,37; cf. Ap 3,20). Ela lhe diz que este é o momento de estudar, ou de amar algum necessitado, ou de trabalhar, ou de vencer uma tentação, ou de cumprir um dever de cristão ou outro dever de cidadão. Ela o convida a dar ouvidos a alguém que lhe fala em nome de Deus, ou a enfrentar corajosamente situações difíceis... Ouça, ouça. Não sufoque essa voz. É o tesouro mais precioso que você possui. Siga-a. E, então, você construirá momento por momento a sua história, que é ao mesmo tempo história humana e divina, porque feita por você em colaboração com Deus. E você verá maravilhas. Verá o que Deus pode realizar numa pessoa que diz com toda a sua vida:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”

Chiara Lubich

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Palavra de Vida - Mês de novembro

Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me"
Não pense que, por estar no mundo, você pode se comportar nele como um peixe na água.
Não pense que, uma vez que o mundo entra em sua casa através de certas estações de rádio e pela televisão, você está autorizado a ouvir qualquer programa ou a ver qualquer transmissão.
Não pense que, pelo fato de circular pelas ruas do mundo, você pode olhar sem mais nem menos todos os cartazes e comprar nas bancas e nas livrarias qualquer publicação, indiscriminadamente.
Não pense que, por estar no mundo, você pode aceitar qualquer maneira de viver do mundo: experiências fáceis, imoralidade, aborto, divórcio, ódio, violência, furto.
Não, não. Você está no mundo. Isto é evidente.
Mas você não é do mundo (cf. Jo 17,14).
E isso faz uma grande diferença. Isso coloca você entre aquelas pessoas que se nutrem não das coisas que são do mundo, mas daquelas que são ditadas pela voz de Deus dentro de você. Essa voz está no coração de cada pessoa e faz você entrar - se lhe der atenção - num reino que não é deste mundo, num reino onde se vive o amor verdadeiro, a justiça, a pureza, a mansidão, a pobreza, onde vale o domínio de si.
Por que muitos jovens ocidentais buscam o Oriente - a Índia, por exemplo - para encontrar um pouco de silêncio e descobrir o segredo de certos mestres espirituais que, pela longa mortificação de seu próprio eu inferior, deixam transparecer um amor que impressiona a todos aqueles que os encontram?
É a reação natural à confusão do mundo, ao barulho que vive fora e dentro de nós, que já não deixa espaço ao silêncio no qual Deus se faz ouvir.Mas será que se deve mesmo ir à Índia, se já há dois mil anos Cristo disse a você: "Renuncie a si mesmo... Renucie a si mesmo..."?
Ter uma vida cômoda e tranqüila não é típico do cristão; e Cristo não pediu - e ainda hoje não pede - menos do que isso, se você quiser segui-lo. O mundo procura nos arrastar como um rio em tempo de cheia e você deve caminhar contra a correnteza. Para o cristão o mundo é como uma floresta cerrada, na qual é preciso ver bem onde se pisa. E onde se deve pisar? Nas pegadas que o próprio Cristo deixou quando esteve nesta terra: elas são as suas palavras. Hoje ele repete a você:
"Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo..." Talvez isso o exponha ao des¬prezo, à incompreensão, à zombaria, à calúnia; significará o isolamento; será um convite a aceitar a perda da própria reputação, a deixar de lado um cristianismo de fachada. E não é só:
"Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me."
Querendo ou não, a dor aflige a existência de todos. Também a sua. E pequenas e grandes dores não faltam todos os dias.
Quer evitá-las? Você se rebela? Elas fazem você praguejar? Neste caso, você não é cristão.
O cristão ama a cruz, ama a dor, mesmo entre as lágrimas, pois sabe que a cruz e a dor têm um grande valor. Não foi por acaso que Deus, entre os inúmeros meios à sua disposição para salvar a humanidade, escolheu a dor. Mas ele, lembre-se, depois de ter carregado a cruz e nela ter sido pregado, ressuscitou.
A ressurreição é também o seu destino (cf. Jo 6,40) se, em vez de desprezar a dor decorrente de sua coerência cristã e de tudo aquilo que a vida lhe prepara, você souber aceitá-la com amor.
Perceberá, então, que a cruz é o caminho para ter, já nesta terra, uma alegria jamais experimentada; a vida da sua alma começará a crescer; o Reino de Deus em você passará a ter consistência e aos poucos o mundo lá fora irá desaparecendo diante dos seus olhos até lhe parecer feito de papelão. E você não mais terá inveja de ninguém.
Aí sim, você poderá considerar-se seguidor de Cristo: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me."
E por ter seguido Cristo você será, como ele, luz e amor para sanar as inúmeras chagas que afligem a humanidade de hoje.

Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em julho de 1978

Chiara Lubich

terça-feira, 21 de outubro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mentiras e verdades...

Existe um ditado, que aprendi com a minha Mãe: "Mentira tem perna curta!" Acredito na sabedoria deste ditado, que todos nós ouvimos de nossos antepassados, desde a nossa mais tenra infância. Certo da veracidade das palavras da minha Mãe, aprendi a não mentir, especialmente quando se trata de coisas mais sérias. E, quando se trata das coisas de Deus, este ditado tem um especial peso, pois nós podemos mentir para todas as pessoas que convivem conosco, podemos enganar a todos em todo o tempo, mas não a Deus - Ele nos conhece mais do que ninguém, mais do que nós mesmos nos conhecemos e está no mais íntimo de nós. Portanto, não tem como mentir para Deus.
Com facilidade, encenamos para os outros aquilo que nós não somos, de forma que eles possam nos admirar e nos aceitar, não pelas nossas virtudes reais, mas por aquilo que ficticiamente queremos ser para eles. As consequências desse tipo de atitude é o fato de que, de repente, acabamos perdendo a nossa real identidade e nos tornamos estranhos para nós mesmos? "Quem sou eu, mesmo? Será que sou aquilo que o Fulano pensa que eu sou? Ou será aquilo que enceno, para que a Fulana me aceite e me ame?" A perda desta identidade acaba nos destruindo psicologicamente e passamos a viver como um barco sem rumo, à mercê dos ventos e das correntezas.
O Apóstolo João, na sua Primeira Epístola, fala das mentiras e verdades que podem fazer parte da nossa vida. Mente quem vive nas trevas, mas encena estar na luz; mente quem odeia, mas faz de conta que ama; mente quem vive longe de Deus, mas encena uma vida cristã, piedosa, hipócrita, para impressionar os outros... Em compensação, está na verdade aquele que procura viver em Deus e procura amá-lo amando os seus irmãos e irmãs.
Viver nas trevas é sinal de morte, enquanto que viver na luz de Cristo é sinal de vida e de verdadeira alegria, que somente Ele pode nos oferecer. Hoje, mais do que de mestres, o mundo precisa de testemunhas, que vivam aquilo que acreditam, rezam e celebram. A nossa sabedoria está, principalmente, na maneira como nos portamos e como vivemos. Que o Senhor, com seu Espírito, nos conduza pelos caminhos da conversão e da vida.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A centralidade da Palavra de Deus e da Eucaristia

A Palavra de Deus e a Eucaristia são o centro de toda a vida do cristão e da Igreja. Quando vivemos centrados na Palavra e na Eucaristia, começamos a ter uma nova dinâmica na nossa vida espiritual e na vida de nossas comunidades eclesiais. Um cristão que se alimenta de ambas as mesas torna-se fortalecido na luta contra o pecado e aprende a realizar a vontade de Deus na sua vida, tornando-se eficaz testemunha do Evangelho. A proximidade com o Senhor, que nos fala através da Sagrada Escritura e que nos alimenta por meio da Eucaristia vai nos santificando, pois nos torna semelhantes a Ele. O brilho de Deus passa a ser o nosso brilho e a alegria de sua presença se reflete no nosso olhar e nas nossas ações.
Entretanto, quando nos afastamos dele, a nossa vida perde o seu rumo, pois a centralidade dela deixa de ser o Senhor e passa a ser o nosso próprio eu. É por isso que a consequência do pecado é a morte, pois ela significa o desaparecimento de todos os sinais de vida no nosso ser, deixando-nos num vazio interior, sem alegria verdadeira e sem luz. Uma pessoa longe de Deus não tem a luz no seu coração e nem no seu olhar, tornando-se completamente azeda e infeliz, pois somente Deus pode preencher o vazio de nossa alma.
Por isso, coloquemos a Palavra e a Eucaristia como Centro de nossas vidas. Deixemos que a Palavra nos eduque e que a Eucaristia nos alimente e, com isso, um novo rumo daremos para a nossa história.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Espírito de Deus e o nosso testemunho de vida

A eficácia da ação evangelizadora está na junção de dois fatores: a ação do Espírito Santo e o testemunho de vida dos cristãos. Estes dois fatores são imprencindíveis se quisermos que a Boa Nova do Reino de Deus seja proclamada e aceita pelo mundo.

A ação do Espírito Santo é essencial porque toda a vida da Igreja é marcada pela sua Presença. Sem o Espírito de Deus, a Igreja seria apenas mais uma instituição vazia de sentido e teria os seus dias contados. Sem a sua Presença, nossos atos litúrgicos não passariam de teatrinho e nossas orações seriam o supra-sumo do farisaísmo.
Porém, a Graça do Espírito Santo supõe a nossa natureza, a nossa adesão total e sincera. Sem o nosso testemunho, a eficácia de nossas ações ficam comprometidas, pois de nada adianta falar aquilo que não se vive e testemunhar aquilo que não se pratica. Podemos ser excelentes pregadores, eficientes pastoralistas. Podemos saber conduzir reuniões, celebrar belíssimas Missas, utilizando todos os meios e tecnologias mais avançadas, mas se não tiver junto o testemunho de uma vida cristã, ecoará no meio do nada e não produzirá fruto algum. Poderemos até causar emoções, mas não mudaremos a vida de ninguém, pois não mudamos a nossa. Seremos, assim, cegos guias de cegos.
O Senhor quer de nós conversão e a busca pela santidade. E quer isto porque sabe que é garantia de felicidade e de salvação para nós. É claro que às vezes não é fácil, mas é nesses momentos que o Espírito Santo nos dá a força necessária para podermos dar o nosso SIM a Deus, e dando o nosso SIM a Deus poderemos dar o nosso sim aos irmãos, oferecendo para eles o nosso testemunho de vida cristã.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Democracia

Foi muito bonito assistir e participar da "Festa da Democracia", que foi este tempo eleitoral e o dia de votações ontem. Na quinta-feira, após retornar do Curso que fiz em Nova Santa Rita, pude perceber como é importante a democracia para o nosso país e para a vida do nosso povo. Ainda na estrada, entre Tavares e São José do Norte, às vezes, no meio do descampado, inúmeras pessoas, com as bandeiras do seu partido e, em alguns lugares, carreatas convidando o povo do interior para um comício, mostrando, assim, a beleza das cores e dos símbolos partidários. Já em Rio Grande, no dia seguinte, nas ruas do entorno da Praça Tamandaré, milhares de pessoas dos mais diferentes partidos confraternizavam, mostrando sua adesão aos seus respectivos candidatos. Foi uma belíssima e emocionante festa. É claro que muitos não têm a menor noção das propostas políticas apresentadas e estavam ali ganhando o seu dinheirinho como cabos eleitorais, mas mesmo assim faziam parte do cenário e davam noção da grandeza do atual momento político pelo qual nós passamos.
Votação encerrada, agora temos que parabenizar os eleitos e rezar por eles, para que cumpram com determinação e ética aquilo que se comprometeram realizar. Que eles possam pensar no bem estar da nossa gente e façam um bom governo, para o bem de todos. E que possamos ajudá-los com nossas orações e com nossa participação, para que nossas cidades sejam locais de vida digna para todos.
Agora retomamos o nosso Blog, com atualizações diárias, se Deus quiser.

sábado, 20 de setembro de 2008

O casamento do Marcelinho e Gigi

Hoje casarei um filho. É claro que ser Padre é ser pai de muitos filhos, mas alguns são mais filhos, por serem mais próximos, mais amigos, com quem nos identificamos mais. O Marcelinho é um desses filhos. Quando aqui cheguei, em maio de 2003, ele já fazia parte da vida desta Paróquia, sendo uma liderança extremamente positiva entre os nossos jovens daquela geração, seja na participação no Praesidium Stela Maris, da Legião de Maria Juvenil, seja na condução do Grupo Novo Amanhã, na Catequese, na Liturgia, no Nazareth, no Enjo... enfim, alguém que sempre se destacou pastoralmente. Mas, mais do que isto, foi sempre um filho amoroso e amigo para todas as horas. Mesmo depois que entrou para a Faculdade e começou a trabalhar e a namorar, ficando, assim, impedido de continuar atuando na vida da Paróquia, continuou bastante próximo, vivendo sua vida cristã como leigo, que testemunha a sua fé no ambiente em que vive. Com sua bem amada, a Gigi, continuou sua caminhada de fé, e hoje selam o seu amor com o Sacramento da Matrimônio. Tenho muito orgulho deste filho e desta nora e tenho a certeza de que eles serão muito felizes. Que Deus os abençoe!