segunda-feira, 16 de março de 2009

O artigo de D. Rino Fisichella

Fico feliz por alguém de bom senso ter se manifestado oficialmente sobre o rumoroso caso da menina violentada de Pernambuco. O artigo de D. Rino Fisichella, no L'Osservatore Romano de sábado, é uma obra prima em termos de sensibilidade cristã diante de tantos sinais de morte nessa triste história. O texto, traduzido para o português, foi retirado do site da Canção Nova. Ei-lo:
"O debate sobre algumas questões freqüentemente se torna cerrado e as diferentes perspectivas nem sempre permitem considerar o quanto o acontecimento em jogo seja realmente grande. É este o momento em que se deve olhar o essencial e, por um momento, deixar de lado aquilo que não toca diretamente o problema. O caso em sua dramaticidade é simples. Uma menina de apenas nove anos, a quem chamaremos Carmen, e a quem devemos olhar fixamente nos olhos sem distrair sequer um minuto, para fazê-la entender o quanto a queremos bem. Carmen, em Alagoinha, foi violentada várias vezes pelo seu jovem padrasto, engravidou de dois gêmeos e nunca mais teve uma vida tranqüila. A ferida é profunda porque a violência a destruiu por dentro e dificilmente lhe permitirá no futuro olhar os outros com amor.
Carmen representa uma história de violência cotidiana e ganhou as páginas dos jornais somente porque o arcebispo de Olinda e Recife se apressou em excomungar os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, infelizmente, teria passado despercebida, pois estamos acostumados a ver todos os dias fatos de uma gravidade sem igual, se não fossem as reações causadas pela atuação do bispo. A violência sobre uma mulher é grave, e se torna ainda mais deplorável quando perpetrada contra uma menina pobre, que vive em condição de degradação social. Não existe linguagem correspondente para condenar tais episódios, e os sentimentos que surgem são muitas vezes uma mistura de raiva e de rancor que se acalmam somente quando a justiça é feita realmente e se tem certeza de que o criminoso será punido.
Carmen deveria ter sido em primeiro lugar defendida, abraçada, acariciada com doçura para fazê-la sentir que estamos todos com ela; todos, sem exceção. Antes de pensar na excomunhão era necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente e recolocá-la num nível de humanidade da qual nós homens de Igreja devemos ser anunciadores e mestres. Assim não foi feito e, infelizmente, a credibilidade de nosso ensinamento sofre com isso, pois aparece aos olhos de muitos como insensível, incompreensível e sem misericórdia. É verdade, Carmen trazia consigo outras vidas inocentes como a sua, não obstante fossem frutos da violência, e foram ceifadas; isso, todavia, não basta para fazer um julgamento que pesa como uma guilhotina.
No caso de Carmen se confrontaram a vida e a morte. Por causa de sua tenra idade e de suas condições de saúde precárias sua vida corria sério risco por causa da gravidez. Como agir nestes casos? Decisão árdua para o médico e para a lei moral. Escolha como esta, mesmo como uma casuística diferente, se repetem cotidianamente nas salas de tratamento intensivo e o médico se encontra só no ato de decidir o que fazer. Ninguém chega a uma decisão desse tipo com desenvoltura; é injusto e ofensivo pensá-lo.
O respeito devido ao profissionalismo do médico é uma regra que deve envolver todos e não pode consentir chegar a um julgamento negativo sem antes considerar o conflito criado em seu íntimo. O médico traz consigo sua história e sua experiência; uma escolha como essa de ter que salvar uma vida, sabendo que coloca em sério risco outra, jamais é vivida com facilidade. Certo, alguns se acostumam a tais situações que e as vivem sem sentimento; nestes casos, porém, a vocação de ser médico é reduzida apenas a uma profissão vivida sem entusiasmo e passivamente. Fazer de um caso um todo, além de incorreto seria injusto.
Carmen repropôs um caso moral entre os mais delicados; tratá-lo de forma rápida não faria justiça nem à sua frágil pessoa nem aos que estão envolvidos no caso. Como todo caso singular e concreto, merece ser analisado de forma peculiar, sem generalizações. A moral católica possui princípios dos quais não pode prescindir, mesmo se o quisesse. A defesa de uma vida humana desde a sua concepção pertence a um destes princípios e se justifica pela sacralidade da existência. Todo ser humano, de fato, desde o primeiro instante de vida traz consigo a imagem do Criador, e por isto estamos convictos de que devem ser reconhecidos os direitos e a dignidade de toda pessoa, primeiro entre todos o de sua intangibilidade e inviolabilidade. O aborto não espontâneo sempre foi condenado pela lei moral como um ato intrinsecamente mau e este ensinamento permanece imutável em nossos dias desde os primórdios da Igreja. O Concílio Vaticano II na Gaudium es spes - documento de grande abertura e perspicácia em relação ao mundo contemporâneo - usa de forma inesperada palavras inequívocas e duríssimas contra o aborto direto. A colaboração formal constitui uma culpa grave que, quando realizada, exclui automaticamente da comunidade cristã. Tecnicamente, o código de Direito Canônico usa a expressão latae sententiae para indicar que a excomunhão se atua automaticamente no momento em que o fato acontece.
Não era preciso tanta urgência e publicidade ao declarar um fato que se realiza de maneira automática. O que se sente maior necessidade neste momento é o sinal de um testemunho de proximidade a quem sofre, um ato de misericórdia que, mesmo mantendo firme o princípio, é capaz de olhar além da esfera jurídica para atingir aquilo que o direito prevê como objetivo de sua existência: o bem e a salvação daqueles que crêem no amor do Pai e daqueles que acolhem o Evangelho de Cristo como as crianças, que Jesus chamava para junto de si e as abraçava dizendo que o reino dos céus pertence a quem é como elas.
Carmen, estamos do seu lado. Partilhamos o sofrimento pelo qual passou, queremos fazer de tudo para lhe restituir a dignidade que lhe foi tirada e o amor de que você precisa ainda mais. São outros que merecem a excomunhão e o nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e ajudam a recuperar a esperança e a confiança, não obstante a presença do mal e a maldade de muitos".

quarta-feira, 4 de março de 2009

Pensando alto na madrugada... Os que nos foram roubados...

O Senhor confia a nós, sua Igreja e seus pastores, o seu rebanho formado por homens e mulheres de todas as idades e condições sociais e culturais. Cabe a nós o zelo por esse rebanho, sabendo que depende muito de nós a sua relação com Deus e com aquilo que pode ser decisivo para a sua felicidade aqui e agora e depois definitivamente.
Ao contemplar todas as pessoas que, durante esses anos todos passaram pela minha vida e foram atingidas pelo meu ministério presbiteral, percebi o imenso número de ovelhas desse rebanho que, após uma bonita e até mesmo longa jornada entre nós, muitas vezes do nada, abandonam o Caminho e são jogadas nas garras dos mais vorazes lobos, que roubam a sua paz e felicidade verdadeira. Isto tornou-se, para mim, causa de tristeza e preocupação. Não tenho o direito de descansar, enquanto o rebanho do Senhor é trucidado.
A grande pergunta que me faço é exatamente esta: “O que nós, como Igreja, fizemos ou deixamos de fazer, por estes filhos e filhas que se afastaram do nosso rebanho?” A resposta para esta pergunta deve nos conduzir a um verdadeiro exame de consciência sobre o modo como temos apresentado a proposta de Jesus e também sobre a maneira como temos vivido esta proposta.
Em primeiro lugar, é fundamental deixar claro que não somos apresentadores de um conjunto de dogmas e de regras sobre o que se deve fazer e o que não se pode fazer. Cairíamos num farisaísmo vazio de sentido, tornando, assim, a mensagem do Evangelho algo opaco, sem brilho, sem entusiasmo, sem vida. Nós, Igreja e pastores, somos chamados a apresentar uma PESSOA – Jesus, e proporcionar às pessoas a nós confiadas, um ENCONTRO, encontro este que seja profundamente vivencial e transformador, um encontro com aquele que é a luz do mundo, o Iluminador, e que, no amor, iluminará a vida daqueles que com Ele se encontram. A vivência da proposta de Jesus é consequência de um encantamento com Ele.
Em segundo lugar, somente encanta quem é encantado. O Evangelizador deve ser, antes de tudo, uma pessoa que se encantou com Jesus e com o seu Reino, alguém apaixonado, pois faz a cada dia um Encontro novo com o Senhor e se deixa contagiar pela alegria do Reino, contagiando a todos ao seu redor, com essa alegria. Precisamos mostrar ao mundo, especialmente aos que nos foram confiados, como é bom, como é maravilhoso estar no Caminho. A alegria de ser amigo de Jesus é infinitamente maior do que todas as alegrias que possamos encontrar no pecado, pois quem permanece longe do Senhor jamais vai ser feliz, porque, qual uma maldição sobre sua cabeça, o pecado tira da pessoa toda a sua energia vital e toda a sua capacidade de ser verdadeiramente feliz.
Por isso, cabe a nós, Igreja, a missão de ir em busca dos cordeiros e ovelhas espalhados mundo afora, proclamando a Misericórida de Deus e o amor que temos por eles. É claro que sempre depende da decisão livre e soberana de cada pessoa, mas, quem em sã consciência, diante da certeza de saber-se amado pelo Senhor, ainda assim gostaria de ficar longe dele? Cabe a nós, também, mais do que nunca, rezar, interceder, clamar aos céus pelos afastados. É uma verdadeira batalha espiritual, que não deve cessar jamais.
Acima de tudo, o Senhor nos pede fidelidade à sua Aliança. A nossa fidelidade à Aliança do nosso Batismo deve ser livre, alegre e generosa. Nada deve nos afastar do Caminho; pelo contrário, mais do que nunca o testemunho dos cristãos fiéis e dos pastores do povo de Deus é essencial para que o mundo creia e retorne ao rebanho, de onde nunca deveria ter saído.

terça-feira, 3 de março de 2009

Palavra de Vida - Mês de março

“Se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará” (Jo 16,23b)
A coisa mais absurda que você pode observar neste mundo é, de um lado, a presença de homens desorientados, sempre em busca de alguma coisa, os quais, nas inevitáveis provações da vida, sentem a angústia das privações, a necessidade de ajuda e a sensação de orfandade; e, de outro lado, Deus, Pai de todos, que nada mais quer do que usar da sua onipotência para satisfazer os desejos e as necessidades de seus filhos.É como o vazio que busca a plenitude. É como a plenitude que anseia pelo vazio. Mas, esse encontro não se realiza.A liberdade de que o homem é dotado pode provocar também esse sofrimento.Mas, Deus não deixa de ser Amor e aqueles que o reconhecem sabem disso.Ouça o que diz Jesus:
“Se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará.”
Agora você pode considerar uma daquelas palavras cheias de promessas que, de vez em quando, Jesus repete no Evangelho. Com elas, ensina-lhe, com maior ou menor força e com diferentes explicações, como obter aquilo de que você necessita. Só Deus pode falar assim. Para ele, tudo é possível. Todas as graças estão em poder dele: tanto as terrenas como as espirituais, tanto as possíveis como as impossíveis.Mas, preste bem atenção.Ele sugere como você deve apresentar-se ao Pai para fazer o seu pedido. Ele diz: “Em meu nome”.Se você tem um pouco de fé, essas três breves palavras devem abrir-lhe perspectivas enormes. Veja só: Jesus, que viveu aqui entre nós, conhece as infinitas necessidades de cada pessoa e também as de você, e se compadece de nós. Por isso, no que diz respeito à oração, ele veio em nossa ajuda e é como se lhe dissesse: “Procure o Pai em meu nome e peça-lhe isto, isso e mais aquilo”. Ele sabe que o Pai não pode dizer não. Ele é seu filho, e é Deus.Não se apresente em seu próprio nome ao Pai, mas em nome de Cristo. Lembre-se de que um mensageiro não sofre penalidade.Dirigindo-se ao Pai em nome de Cristo, você desempenha a função de um simples mensageiro.Os negócios são tratados entre as partes interessadas.É assim que muitos cristãos fazem a própria oração. E eles podem testemunhar as inúmeras graças que receberam. Graças que revelam dia após dia a paternidade de Deus que os acompanha, atenta e amorosa.
“Se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará”
A esta altura pode ser que você me diga: “Mas eu pedi, tornei a pedir em nome de Cristo, e nada obtive”.Pode ser. Eu lhe disse acima que Jesus, em outras passagens do Evangelho, nos convida a pedir, e dá outras explicações que talvez lhe tenham passado despercebidas.Ele disse, por exemplo, que só obtém quem “permanece” nele, ou seja, na Sua vontade.Pode acontecer, então, que você peça alguma coisa que não se enquadra no plano de Deus para você e que Deus não considere oportuna para a sua existência nesta terra ou na outra Vida; ou, até mesmo, a julgue prejudicial.Como é que ele, sendo seu Pai, pode atender você nesses casos? Ele enganaria você. E isso jamais ele fará.Então, será conveniente que, antes de orar, você se coloque de acordo com Deus e diga: “Pai, eu gostaria de lhe pedir isto em nome de Jesus, se achar oportuno”.E, se a graça pedida se conciliar com o plano que Deus, no seu amor, concebeu para você, haverá de se concretizar a frase:
“Se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará”
Pode ser também que você peça alguma graça, mas não tenha a menor intenção de viver de acordo com aquilo que Deus pede. Também, nesse caso, seria justo que ele atendesse você? Ele não quer lhe dar somente uma graça, mas igualmente a felicidade plena. E esta felicidade se obtém procurando viver os mandamentos de Deus, as suas palavras. Não é suficiente apenas pensar nelas, nem limitar-se a meditá-las; é necessário vivê-las. Se você assim fizer, conseguirá obter tudo.Concluindo: quer obter graças? Peça qualquer coisa em nome de Cristo, colocando em primeiro lugar a vontade dele, com a decisão de obedecer à Lei de Deus.Deus fica muito feliz em poder doar graças. Infelizmente, na maioria das vezes, somos nós quem lhe amarramos as mãos.
Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em novembro de 1978.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Palavra de Vida - Mês de fevereiro

«Se alguém vem ter Comigo e não Me prefere a seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs, e até à própria vida, não pode ser Meu discípulo» [Lc 14, 26]
Fevereiro de 2009
Que vos parece? São palavras tremendamente exigentes, radicais, inéditas! No entanto, aquele Jesus que declarou indissolúvel o matrimónio e deu o mandamento de amar a todos, e, portanto, de amar especialmente os pais, aquele mesmo Jesus pede agora que se ponham em segundo lugar todos os afectos belos da Terra, sempre que forem um impedimento ao amor directo, imediato a Ele. Só Deus podia pedir tanto.Na verdade, Jesus desenraíza as pessoas do seu modo natural de viver e quere-as ligadas, antes de mais, a Ele, para realizar na Terra a fraternidade universal.Por isso, onde quer que encontre um obstáculo ao seu projecto, Deus “corta”, e no Evangelho Jesus fala de «espada», espiritual, claro.E chama «mortos» àqueles que não O souberem amar mais do que à mãe, à esposa, à vida. Lembram-se daquele homem que pediu para sepultar o pai antes de O seguir? Foi a ele que Jesus respondeu: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos»1.Perante uma tão grande exigência, podemos sentir um arrepio de medo, ou pensar que estas palavras de Jesus só eram compreensíveis naquela época, ou por aqueles que O seguissem de um modo especial. Mas não é assim. Esta frase é válida para todas as épocas, e também para os dias de hoje. E vale para todos os cristãos, também para nós.Nos tempos que correm podem surgir muitas ocasiões para pôr em prática o convite de Cristo. Vives numa família onde há alguém que contesta o cristianismo? Jesus quer que tu o testemunhes com a vida e, no momento oportuno, com a palavra, mesmo à custa de seres ridicularizado ou caluniado. És mãe e o teu marido convida-te a interromper a gravidez? Obedece a Deus, e não aos homens.Um irmão teu quer que te juntes a um grupo com fins pouco claros, ou mesmo reprováveis? Não te deixes envolver. Há alguém da tua família que te convida a arranjar dinheiro pouco limpo? Mantém a tua honestidade. Toda a tua família quer arrastar-te para uma vida mundana? Não vás, para que Cristo não se afaste de ti.
«Se alguém vem ter Comigo e não Me prefere a seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs, e até à própria vida, não pode ser Meu discípulo».
Pertencias a uma família descrente e a tua conversão a Cristo causou a divisão? Não te assustes. É um efeito do Evangelho.Oferece a Deus o sofrimento que sentes no coração por aqueles que amas, mas não cedas.Cristo chamou-te a Si de um modo especial, e agora chegou o momento em que a tua doação total exige que deixes o pai e a mãe, ou talvez que renuncies à namorada.Faz a tua escolha.Sem combate, não há vitória.
«Se alguém vem ter Comigo e não Me prefere a seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs, e até à própria vida, não pode ser Meu discípulo».
«… e até à própria vida».Vives num lugar de perseguição e o facto de te expores por Cristo põe em perigo a tua vida? Coragem. Às vezes a nossa fé pode pedir também isto. Na Igreja, a época dos mártires nunca acabou completamente. Cada um de nós, ao longo da sua vida, há-de ter que escolher entre Cristo e tudo o resto, para permanecer um cristão autêntico. Portanto, também para ti há-de chegar esse momento.Não tenhas medo. Não receies perder a vida, porque mais vale perdê-la por Deus do que nunca mais a encontrar. A outra Vida é uma realidade.E não te aflijas com os teus familiares. Deus ama-os. Se tu O souberes preferir a eles, chegará o dia em que Deus há-de passar por eles para os chamar com as palavras fortes do Seu Amor. E tu poderás então ajudá-los a tornarem-se, também, verdadeiros discípulos de Cristo.
Chiara Lubich
Palavra de Vida, Outubro de 1978, publicada em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. I, Roma 1980, pp. 111-113
1) Lc 9, 60.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

18 anos de Padre!

Neste exato momento, há dezoito anos atrás, pelas mãos do Sr. Bispo Diocesano do Rio Grande, D. José Mário, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, eu era ordenado Padre. Este vai ser um dos momentos mais marcantes da minha vida. Jamais vou esquecer a alegria que senti, quando pude dar o meu SIM a Deus, ao seu Reino, à sua Igreja e ao povo que me seria confiado. Nunca vou esquecer da emoção que foi poder celebrar pela primeira vez a Santa Missa, do choro copioso na hora da consagração na Primeira Missa, no dia seguinte. Jamais vou esquecer o quanto sonhei por aquele dia, bem como o quanto sonhei por todos os dias que se seguiram até hoje. Sim, porque ser Padre é uma Graça e uma Bênção que se renovam cotidianamente, em cada Missa celebrada e em cada momento em que vivo com intensidade e amor o meu Ministério. Hoje celebrei minha Missa número 9496 (sim, porque eu anoto, desde aquele dia, todas as Missas celebradas!) e o amor e a intensidade foram os mesmos da minha Primeira Missa. Poder fazer parte do Mistério da Presença Eucarística de Jesus entre nós é algo grandioso por demais! Poder fazer parte do Mistério da Misericórdia Divina e do Perdão é algo maravilhoso! Poder fazer parte do Mistério Pastoral da Igreja, atuando na Evangelização é algo incrível! Seja como for, seja onde for, seja com quem for, ser Padre é algo sublime, apaixonante, poderosamente fecundo!
Por isso, hoje, quero partilhar com vocês a imensa alegria de poder estar celebrando a minha "maioridade sacerdotal". Espero ir muito além, para poder ser útil na vida de muita gente e da Igreja particular do Rio Grande, a qual sirvo. Espero continuar servindo e amando a este Deus que me chamou e confiou em mim, apesar de minhas misérias e pecados.
Continuo contando com as orações de todos vocês! sem a oração do povo, coitados de nós, padres... E também continuo contando com o amor e a amizade de todos vocês, que são a família que Deus me concedeu. Espero que a oração e a misericórdia de vocês ajudem na santificação de nós, padres, a fim de que possamos ter coração de Pastor, que nem o Coração de Jesus, o Sacerdote por excelência!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Palavra de Vida - Mês de janeiro

“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.” (1Cor 12,20)
Você já visitou alguma vez uma comunidade viva de cristãos realmente autênticos? Já participou de um encontro entre eles, ou conheceu mais de perto a vida de uma comunidade assim?Se isso aconteceu, você terá percebido que as pessoas que a compõem desempenham funções diferentes; por exemplo: há quem tem o dom de falar e lhe comunica realidades espirituais que penetram profundamente na alma; há quem tem o dom de ajudar, de atender às necessidades dos outros e deixa você maravilhado diante dos sucessos alcançados em benefício daqueles que sofrem. Há também quem ensina com tamanha sabedoria, a ponto de reforçar a fé que você já possui, ou ainda quem tem o dom de organizar ou de governar; há quem sabe entender todo próximo que encontra e é distribuidor de consolações aos necessitados.É verdade, tudo isso você poderá experimentar; porém, aquilo que mais impressiona numa comunidade tão viva é o único espírito que a todos anima e que se tem a impressão de sentir pairar. Espírito esse que faz da comunidade uma única realidade, um só corpo.
“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”
Também Paulo – e ele de um modo todo especial – se encontrou diante de comunidades cristãs vivíssimas, que nasceram justamente por causa da sua extraordinária palavra.Uma dessas – ainda jovem – era a de Corinto, na qual o Espírito Santo tinha sido generoso em distribuir os seus dons, ou melhor, os carismas, como são chamados. Por sinal, naquele tempo se manifestavam carismas extraordinários, devido à vocação especial da Igreja nascente.Aconteceu, porém, que depois de ter feito a maravilhosa experiência da diversidade de dons distribuídos pelo Espírito Santo, essa comunidade conheceu também rivalidades ou desordens, justamente entre aqueles que tinham sido beneficiados por esses dons.Foi necessário, então, dirigir-se a Paulo, que estava em Éfeso, para pedir esclarecimentos.Paulo não hesita e responde numa das suas importantes cartas, explicando como devem ser usadas essas graças especiais.Ele explica que existe diversidade de carismas, diversidade de ministérios, como o dos apóstolos ou o dos profetas ou ainda o dos mestres, mas que um só é o Senhor do qual eles provêm. Diz ainda que, na comunidade, existem operadores de milagres e de curas, pessoas com o dom excepcional para o atendimento aos necessitados, outras para o governo, como também há quem sabe falar línguas e quem sabe interpretá-las. Mas acrescenta que um só é Deus, onde têm origem esses dons.Portanto, como os diversos dons são expressões do mesmo Espírito Santo, que os distribui livremente, não podem deixar de estar em harmonia entre si, não podem deixar de ser complementares. Esses dons não servem para uma simples realização pessoal, não podem ser motivo de vanglória, ou de afirmação de si, mas foram dados para uma finalidade comum: construir a comunidade. A finalidade deles é o serviço. Por isso, não podem causar rivalidades ou confusão.Paulo, mesmo pensando em dons particulares que diziam respeito diretamente à vida da comunidade, é do parecer que cada membro dessa comunidade tem a sua capacidade, o seu talento, que deve ser usado para o bem de todos, e que cada um deve ficar satisfeito com aquilo que tem.Ele apresenta a comunidade como um corpo, e se pergunta: “Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato? Realmente, Deus dispôs os membros, e cada um deles, no corpo, conforme quis. Se houvesse apenas um membro, onde estaria o corpo?” (cf. 1Cor 12,17-19) Mas, de fato,
“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”
Se cada um é diferente dos outros, cada um pode então ser um dom para os outros; sendo, portanto, aquilo que deve ser e realizar o desígnio que Deus tem para ele em função dos outros.Paulo vê na comunidade, onde os diversos dons funcionam, uma realidade à qual dá um nome esplêndido: Cristo. E com razão, pois este corpo tão original, composto pelos membros da comunidade, é realmente o Corpo de Cristo. Com efeito, Cristo continua a viver na sua Igreja, e a Igreja é o seu corpo. De fato, no batismo o Espírito Santo incorpora o batizando em Cristo, tornando-o assim membro da comunidade. Nela, todos foram transformados em Cristo, toda divisão é cancelada, toda discriminação é superada.
“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”
Se o corpo é um só, os membros da comunidade cristã só atuam bem esse novo modo de viver se realizarem a unidade entre si; unidade que supõe a diversidade, o pluralismo. A comunidade não é como um bloco de matéria inerte, mas como um organismo vivo, composto por vários membros.Para os cristãos, portanto, provocar divisões é o contrário do que devem fazer.
“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”
Como, então, você viverá essa nova Palavra que a Escritura lhe propõe?É necessário que você tenha um grande respeito pelas diversas funções, pelos dons e talentos da comunidade cristã.Você deve abrir o seu coração para acolher toda a rica variedade da Igreja, e não só da pequena Igreja que você freqüenta e bem conhece, como a comunidade paroquial ou a associação cristã da qual participa, ou ainda o movimento eclesial do qual você é membro, mas de toda a Igreja universal, nas suas múltiplas formas e expressões. Deve sentir que tudo lhe pertence, pois você faz parte desse único corpo.E da mesma forma como você cuida de cada membro do seu corpo físico e o protege, deve cuidar e proteger cada membro do corpo espiritual. (...) Você deve estimar a todos e também fazer tudo o que está ao seu alcance para que possam tornar-se úteis à Igreja do melhor modo possível. (...) Você não deve desprezar aquilo que Deus lhe pede, no lugar em que você se encontra – por mais que o trabalho cotidiano possa lhe parecer monótono e sem grande sentido –, pois pertencemos todos a um mesmo corpo e, como membro dele, cada um participa da atividade de todo o corpo permanecendo no lugar que Deus escolheu para ele. Além disso, o essencial é que você tenha aquele carisma – como anuncia Paulo – que supera todos os outros: o amor. O amor para com toda pessoa que você encontra, o amor para com todos os homens da terra.Somente com o amor, com o amor recíproco, é que os muitos membros podem ser um só corpo.
Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em janeiro de 1981.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

No limiar de um ano novo...

"Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração" (Lc 2,19). Começamos um novo ano e este é um tempo privilegiado para conservar no coração tudo o que o Senhor fez por nós no ano de terminou. Quantas graças, quantas bênçãos, quantas maravilhas aconteceram nos últimos 366 dias que vivemos! Guardar no coração tudo isso nos faz encher de gratidão o nosso interior e, com Maria, podemos cantar o nosso Magnificat: "...porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo" (Lc 1,49). Ao mesmo tempo, lembramos todas as porcarias que fizemos neste ano que se encerrou e delas nos arrependemos e pedimos perdão a Deus. Não as guardamos no nosso coração, porque, da mesma forma que uma infecção, quanto mais guardada, mais se agrava, assim os nossos pecados: devem ser jogados fora com uma boa confissão, para que sejam guardados no Coração Misericordioso do nosso Deus. Ele sabe o que fazer com os nossos pecados, uma vez que pagou por eles na Cruz...
Olhamos, igualmente, para o nosso futuro: não sabemos o que nos espera o ano de 2009. Pode ser que aconteçam coisas boas, pode ser que conheçamos pessoas que serão especiais para a nossa vida, pode ser que a dor e a morte venham nos visitar... Tanto faz, se até aqui nos ajudou o Senhor, mais ainda continuará nos ajudando com a sua Graça e com o seu amor. O Senhor, Deus do tempo e do espaço, estará conosco em cada momento de nossas vidas e jamais irá nos desamparar. Confiemos em sua Divina Providência e iremos ter a força do alto para o ano que ora se inicia.
A todos os amigos e amigas que nos visitam neste Blog, desejo um abençoado ano de 2009, com as bênçãos de Deus!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Sagrada Família e a nossa família às vezes nada sagrada...

Celebramos neste final de semana a Festa da Sagrada Família, onde contemplamos Jesus, Maria e José. Esta Festa adquiriu para mim um significado especial nos anos 1994/1998, quando fui Pároco da paróquia da Sagrada Família, no Bairro Cidade Nova, em Rio Grande, hoje atendida pelo meu amigo Pe. John Cléber.

Quando celebramos a Sagrada Família de Nazaré, a tendência que temos é a de festejar um estilo de família que está cada vez mais raro, quase que uma espécie em extinção. A tentação que nos vem é a de desânimo diante da triste realidade que vemos: divórcios, famílias incompletas, pais ausentes, filhos e filhas jogados pela vida afora... Parece que esta triste "ladainha" não tem fim...
O fato de Jesus ter se encarnado numa família tem por objetivo santificar todas as famílias, libertando-as das marcas que o pecado deixou nelas. Jesus santifica todas as realidades que assumiu, entre as quais a realidade familiar. Por isso é que se torna tão importante deixar a luz de Cristo invadir nossas casas e nosso ambiente familiar, mesmo aqueles que vivem situações de dor e de sofrimento. Deixemos que o Amor de Cristo transforme nossas famílias, estejam elas na situação que estiverem, é o melhor remédio para curar relações doídas e sofridas.
Para a Sagrada Família também não foi fácil: eram pobres, tiveram seu filhinho numa estrebaria, tiveram que fugir às pressas para o Egito, perderam o seu menino com doze anos numa cidade grande, como Jerusalém, Maria teve a dor de ver seu filho ser condenado como criminoso... Todas as dificuldades possíveis eles enfrentaram, como que para nos dizer: "Permaneçam firmes, pois vale a pena!"
Por isso, neste dia festivo, louvemos a Deus pela família que Ele nos concedeu, mesmo que marcadas por situações de dor e sofrimento. Deixemos que a luz do Natal nos marque e ilumine e, então conseguiremos fazer de nossas casas verdeiros lares, onde Jesus goste de estar e se sinta acolhido e amado no nosso amor vivido em nossa casa.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Compreendendo o sentido do Natal

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,). Jesus, o Verbo que se faz carne, é a palavra que se realiza. Se, pela Criação do Universo, por meio da Palavra, o Pai disse "Faça-se" e assim foi feito, pela Encarnação o Pai, de novo, por meio di Filho, diz "Faça-se uma nova humanidade", totalmente libertada das garras do pecado e, em Jesus, assim foi feito. Por isso, Paulo diz que Jesus é o novo Adão dessa nova Humanidade, pois nele se inicia o tempo da verdadeira obediência ao Pai, do verdadeiro Amor do Pai para conosco, que exige de nós uma resposta de aceitação de nossa parte. E, em Jesus Menino, contemplamos o Sim do Pai a nós e no seu Sim contemplamos os nossos "sins" ao Pai. Ele, verdadeiro Deus, se faz semelhante a nós em tudo, até mesmo na pobreza extrema e no despojamento absoluto de si mesmo, para que, semelhante a nós, na sua humanidade, possa nos tornar semelhantes a Ele e participantes da sua vida divina. Dar Sim ao Pai é, portanto, a nossa vocação, que se origina no Presépio, se confirma no Calvário e se plenifica na Eucaristia. O Natal faz isso em nós: nos possibilita ver Deus entrando no mistério de nossa fragilidade, para nos fazer entrar no Mistério de sua Misericórdia. Aproveitemos as luzes deste Natal para deixar que elas nos iluminem e transformem a nossa vida.
A todos, desejo um Feliz e abençoado natal do Senhor!

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Domingo da Alegria

O Domingo "Gaudete" é uma pequena "folga" na austeridade do Advento, para celebrarmos de modo antecipado as alegrias do Natal do Senhor. Ele já está às portas e o ambiente interior e exterior vão nos conduzindo a esta alegria. É como uma mulher grávida, que vê se aproximar o nascimento de seu filhinho e sente imensa alegria por estar chegando a hora de tê-lo em seus braços. Assim é a nossa alegria: o Senhor está próximo, o advento está nos seus finais, seja o Advento celebrado na Liturgia, seja o Advento "escatológico", o do fim dos tempos, quando o Senhor voltar em sua Glória. Por isso, a esperança-certeza é a grande tônica deste domingo e a alegria do anúncio da Boa Nova é a grande atitude que nós, cristãos, devemos ter. Num mundo tão cheio de más notícias, nós, cristãos, somos os anunciadores da única Boa Notícia que pode transformas vidas: a Boa Notícia de que somos amados por Deus, por meio do seu Filho, Jesus, nosso Senhor e Salvador.
Assim como João Batista, devemos "emprestar" a nossa voz para proclamarmos a Boa Nova de que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. E a nossa voz manifesta a Palavra com nossa boca e com nossas atitudes: o nosso sorriso, a nossa alegria, a nossa bondade manifestada em gesto.
Por isso, alegremo-nos no Senhor e levemos nossa alegria em nossos caminhos e nos caminhos daqueles que convivem conosco.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O momento presente e o outro: caminho para viver a Palavra de Deus

Confesso o quanto tem me feito bem meditar, rezar e vivenciar a "Palavra de Vida", que a cada mês nos chega, propondo um pequeno versículo da Palavra de Deus para nós. Por isso, mensalmente eu coloco a meditação que Chiara Lubich preparou já há alguns anos e que, mesmo hoje é profundamente atual.

Confesso, ainda, o quanto às vezes sou egoísta, querendo que sempre a minha vontade seja feita, deixando de lado aquilo que Deus me pede e aquilo que meus semelhantes necessitam.
Duas coisas a Palavra de Vida desde mês propõe para nós: a primeira: viver a vontade de Deus no momento presente. Este é um desafio muito grande, uma vez que temos a tendência ou de viver no passado ou de viver no futuro. No passado, através de saudosismo ou de ressentimentos, quando ficamos remoendo fatos e situações acontecidas, sejam elas positivas ou negativas. No futuro, quando vivemos na ansiedade do que ainda está por vir e que, de repente nem virá. Geralmente vivemos cercados de fantasmas, de medos e angústias de coisas que pensamos que irão nos atingir. Portanto, viver o momento presente, a situação atual que estamos vivendo e que dependem de nossas escolhas, onde podemos fazer a vontade de Deus ou então viver num egoísmo vazio de sentido.

O segundo aspecto que quero abordar aqui é a capacidade de sairmos de nós mesmos, para irmos na direção do outro: do Outro Supremo, que é Deus e dos outros, que convivem conosco. No mundo de hoje, perdemos a capacidade da alteridade, de estarmos voltados para o outro, com suas necessidades e sentimentos. Estar voltado para o outro é o antídoto do egocentrismo, que nos fecha à interlocução e ao amor, que é sinal do Amor que Deus tem para conosco. Eu posso conversar com alguém, mas com o coração fechado sobre mim mesmo ou posso estar totalmente voltado para o outro, com o coração generosamente aberto, na alteridade absoluta. E como é maravilhoso ser assim, pois a experiência que fazemos acaba sendo uma experiência de realização plena, pois somos vocacioonados para o outro, para o amor a Deus e ao próximo.

Quando vivemos o momento presente e vivemos na relação de alteridade para com Deus e o próximo, então aí, sim, estamos encontrando o caminho da felicidade plena.

A todos, um feliz final de semana!

domingo, 7 de dezembro de 2008

"Anoiteceeeeeeuuuuu, o sino gemeeeeeeuuuuu..."

Hoje tivemos o nosso Jantar Natalino, da Comunidade de São José Operário. Logo após saímos pelas ruas de nosso bairro, realizando nossa Serenata de Natal, alegrando a noite de nossos vizinhos. A experiência do alegre estar junto, com nossos jovens e adultos foi uma maravilha. Foi extremamente divertido e a todos deixou aquele gostinho de quero mais. A vida em comunidade foi a grande tônica deste ano em que buscamos a re-fundação de nossa Paróquia, nos seus quarenta anos. Eis as fotos da Serenata:



A galera andando pelas ruas e cantando: "Anoiteceeeeeuuu..."

A nossa gurizada animando a noite da Cohab 2

Mais uma dos nossos cantores...



A "Velha Guarda da Comunidade..."

Cantando e dançando com a Equipe da Cozinha do Jantar de Natal...

Confesso... sou feio, muito feio, mas o Bruno tá pior que eu... ahuahuahu...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Palavra de Vida - Mês de Dezembro

“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!” (Lc 22,42b)
Você se lembra? É a oração que Jesus dirige ao Pai no Horto das Oliveiras e que dá sentido à sua paixão, depois da qual veio a ressurreição. Essa frase exprime em toda a sua intensidade o drama que se passa no íntimo de Jesus. Revela a ferida interior provocada pela repugnância profunda da sua natureza humana diante da morte que o Pai quis para ele.Mas Cristo não esperou esse dia para adequar a sua vontade à vontade de Deus. Ele fez isso durante toda a vida. Se foi essa a conduta de Cristo, essa deve ser a atitude de cada cristão. Também você deve repetir na sua vida:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Talvez você ainda não tenha pensado nisso, mesmo sendo batizado, mesmo sendo filho da Igreja. Talvez você tenha reduzido essa frase a uma mera expressão de resignação, que se pronuncia quando não se pode fazer mais nada. Mas essa não é a sua verdadeira interpretação. Veja bem. Na vida você pode escolher uma destas duas direções: fazer a própria vontade ou optar livremente por fazer a vontade de Deus. Então você terá diante de si duas possibilidades: a primeira, que será logo decepcionante, porque você vai querer escalar a montanha da vida com suas idéias limitadas, com seus próprios recursos, com seus pobres sonhos, somente com as suas forças. A partir daí, mais cedo ou mais tarde, virá a experiência da rotina de uma existência marcada pelo tédio, pela mediocridade, pelo pessimismo e, às vezes, pelo desespero. A partir daí virá a experiência de uma vida monótona – apesar dos seus esforços para torná-la interessante – que nunca chegará a satisfazer suas exigências mais profundas. Isso você tem que admitir, não pode negar. A partir daí, no final de tudo, ainda virá uma morte que não deixará rastro algum, mas apenas algumas lágrimas e depois o esquecimento inexorável, total e universal. A segunda possibilidade é aquela em que também você repete:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Veja bem: Deus é como o sol. Do sol partem muitos raios que atingem cada homem: representam a vontade de Deus para cada um. Na vida, o cristão, e também todo homem de boa vontade, é chamado a caminhar rumo ao sol, na luz do seu próprio raio, diferente e distinto de todos os outros. Assim realizará o projeto maravilhoso, pessoal, que Deus preparou para ele. Se também você agir assim, vai se sentir envolvido numa divina aventura, nunca sonhada. Você será ao mesmo tempo ator e espectador de algo grandioso que Deus realiza em você e, por meio de você, na humanidade. Tudo o que lhe acontecer, como sofrimentos e alegrias, graças e desgraças, fatos de relevo (como sucessos e sorte, acidentes ou mortes de entes queridos), fatos corriqueiros (como o trabalho do dia-a-dia em casa, no escritório ou na escola), tudo, tudo vai adquirir um significado novo porque lhe será oferecido pelas mãos de Deus que é Amor. Tudo o que ele quer, ou permite, é para o seu bem. E se, de início, você acreditar nisso somente com a fé, depois enxergará com os olhos da alma como que um fio de ouro a ligar acontecimentos e coisas, a tecer um magnífico bordado, que é o projeto que Deus preparou para você.Talvez você se sinta atraído por esse modo de ver as coisas, talvez queira sinceramente dar à sua vida o sentido mais profundo.Então ouça. Antes de tudo vou lhe dizer quando você deve fazer a vontade de Deus.Pense um pouco: o passado já se foi e você não pode mais alcançá-lo; só lhe resta colocá-lo na misericórdia de Deus. O futuro ainda não chegou; você vai vivê-lo quando ele se tornar atual. Apenas o momento presente está em suas mãos. É justamente nele que você deve procurar viver a frase:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Quando você viaja – e também a vida é uma viagem –, permanece sentado tranqüilamente em seu lugar. Nem lhe passa pela cabeça a idéia de ficar caminhando para frente e para trás no ônibus ou no vagão do trem. Essa atitude seria de quem quisesse viver a vida sonhando com um futuro ainda inexistente, ou pensando no passado que jamais voltará. Não, o tempo caminha por si mesmo. É preciso concentrar-se no presente; então chegaremos à plena realização de nossa vida terrena. Você me perguntará: mas como posso distinguir entre a vontade de Deus e a minha? No presente não é difícil saber qual é a vontade de Deus. Vou lhe indicar um caminho: preste atenção à voz do seu íntimo, uma voz sutil, que talvez você tenha sufocado muitas e muitas vezes, e que se tornou quase imperceptível. Mas, procure ouvi-la bem – é voz de Deus (cf. Jo 18,37; cf. Ap 3,20). Ela lhe diz que este é o momento de estudar, ou de amar algum necessitado, ou de trabalhar, ou de vencer uma tentação, ou de cumprir um dever de cristão ou outro dever de cidadão. Ela o convida a dar ouvidos a alguém que lhe fala em nome de Deus, ou a enfrentar corajosamente situações difíceis... Ouça, ouça. Não sufoque essa voz. É o tesouro mais precioso que você possui. Siga-a. E, então, você construirá momento por momento a sua história, que é ao mesmo tempo história humana e divina, porque feita por você em colaboração com Deus. E você verá maravilhas. Verá o que Deus pode realizar numa pessoa que diz com toda a sua vida:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”

Chiara Lubich

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Palavra de Vida - Mês de novembro

Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me"
Não pense que, por estar no mundo, você pode se comportar nele como um peixe na água.
Não pense que, uma vez que o mundo entra em sua casa através de certas estações de rádio e pela televisão, você está autorizado a ouvir qualquer programa ou a ver qualquer transmissão.
Não pense que, pelo fato de circular pelas ruas do mundo, você pode olhar sem mais nem menos todos os cartazes e comprar nas bancas e nas livrarias qualquer publicação, indiscriminadamente.
Não pense que, por estar no mundo, você pode aceitar qualquer maneira de viver do mundo: experiências fáceis, imoralidade, aborto, divórcio, ódio, violência, furto.
Não, não. Você está no mundo. Isto é evidente.
Mas você não é do mundo (cf. Jo 17,14).
E isso faz uma grande diferença. Isso coloca você entre aquelas pessoas que se nutrem não das coisas que são do mundo, mas daquelas que são ditadas pela voz de Deus dentro de você. Essa voz está no coração de cada pessoa e faz você entrar - se lhe der atenção - num reino que não é deste mundo, num reino onde se vive o amor verdadeiro, a justiça, a pureza, a mansidão, a pobreza, onde vale o domínio de si.
Por que muitos jovens ocidentais buscam o Oriente - a Índia, por exemplo - para encontrar um pouco de silêncio e descobrir o segredo de certos mestres espirituais que, pela longa mortificação de seu próprio eu inferior, deixam transparecer um amor que impressiona a todos aqueles que os encontram?
É a reação natural à confusão do mundo, ao barulho que vive fora e dentro de nós, que já não deixa espaço ao silêncio no qual Deus se faz ouvir.Mas será que se deve mesmo ir à Índia, se já há dois mil anos Cristo disse a você: "Renuncie a si mesmo... Renucie a si mesmo..."?
Ter uma vida cômoda e tranqüila não é típico do cristão; e Cristo não pediu - e ainda hoje não pede - menos do que isso, se você quiser segui-lo. O mundo procura nos arrastar como um rio em tempo de cheia e você deve caminhar contra a correnteza. Para o cristão o mundo é como uma floresta cerrada, na qual é preciso ver bem onde se pisa. E onde se deve pisar? Nas pegadas que o próprio Cristo deixou quando esteve nesta terra: elas são as suas palavras. Hoje ele repete a você:
"Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo..." Talvez isso o exponha ao des¬prezo, à incompreensão, à zombaria, à calúnia; significará o isolamento; será um convite a aceitar a perda da própria reputação, a deixar de lado um cristianismo de fachada. E não é só:
"Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me."
Querendo ou não, a dor aflige a existência de todos. Também a sua. E pequenas e grandes dores não faltam todos os dias.
Quer evitá-las? Você se rebela? Elas fazem você praguejar? Neste caso, você não é cristão.
O cristão ama a cruz, ama a dor, mesmo entre as lágrimas, pois sabe que a cruz e a dor têm um grande valor. Não foi por acaso que Deus, entre os inúmeros meios à sua disposição para salvar a humanidade, escolheu a dor. Mas ele, lembre-se, depois de ter carregado a cruz e nela ter sido pregado, ressuscitou.
A ressurreição é também o seu destino (cf. Jo 6,40) se, em vez de desprezar a dor decorrente de sua coerência cristã e de tudo aquilo que a vida lhe prepara, você souber aceitá-la com amor.
Perceberá, então, que a cruz é o caminho para ter, já nesta terra, uma alegria jamais experimentada; a vida da sua alma começará a crescer; o Reino de Deus em você passará a ter consistência e aos poucos o mundo lá fora irá desaparecendo diante dos seus olhos até lhe parecer feito de papelão. E você não mais terá inveja de ninguém.
Aí sim, você poderá considerar-se seguidor de Cristo: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me."
E por ter seguido Cristo você será, como ele, luz e amor para sanar as inúmeras chagas que afligem a humanidade de hoje.

Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em julho de 1978

Chiara Lubich

terça-feira, 21 de outubro de 2008