sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (IV) - O tripé de Aparecida


O Santo Padre, o Papa Bento XVI, ao convocar a realização da V Conferência para a cidade de Aparecida, deu a preciosa dica de como a Igreja latino-americana e caribenha deveria caminhar nesta próxima década. O tema proposto pelo Papa esteve sempre diante dos olhos dos nossos bispos e deve estardiante de nossos olhos, na medida em que fizermos os nossos Planos de Pastoral. "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n'Ele nossos povos tenham vida. "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Este tripé, discipulado, missão e vida, oferece-nos uma dinâmica pastoral totalmente nova. O três elementos não podem ser vistos de forma estanque e separada, mas dentro de um conjunto harmonioso, uma vez que eles se complementam e, vistos em conjunto, ganham um brilho especial.

O discipulado consiste aquela atitude de alguém que segue um Mestre. A Igreja é sempre discípula de Jesus Cristo e aprendiz do Evangelho. Este aprendizado se dá na medida em que ela se coloca aberta e atenta à Palavra de Deus, pela contemplação de tudo aquilo que o Senhor fez e ensinou. Mas esta contemplação não nos torna agentes meramente passivos, mas identificados com o Senhor, agindo com Ele e como Ele, fazendo acontecer os sinais do Reino de Deus.

A missionariedade é uma consequência do discipulado. Porém, não acontece antes ou depois do discipulado. Somos missionários enquanto discípulos e vice-versa. A missionariedade sem o discipulado perde o seu significado mais profundo. Ela consiste em sairmos de nós mesmos e de nossas sacristias, para irmos ao encontro dos outros, especialmente dos mais pobres e desesperançados. Aqui entra aquilo que falamos sobre a conversão pastoral: quando contemplamos o Senhor, animados pelo seu Espírito Santo, tornamo-nos missionários mais eficazes, pois vamos enviados pelo Espírito ao encontro de todos os homens.

A defesa da vida é tema muito atual. Vida defendida desde sua concepção até sua morte natural. A Igreja não é contra nada; ela é sempre e apenas a favor da vida. Esta defesa da vida consiste sua dimensão profética, de anúncio do Reino e de seus valores, e de denúncia contra os atentados à vida. Aqui podemos elencar toda a questão do aborto, da eutanásia, dos problemas sociais tão presentes em nosso continente, das "novas pobrezas", como alcoolismo, drogadição, violência urbana, narcotráfico, etc.

Portanto, discipulado, missionariedade e defesa da vida são o tripé que devemos trabalhar a partir de Aparecida.