sábado, 27 de dezembro de 2008

Sagrada Família e a nossa família às vezes nada sagrada...

Celebramos neste final de semana a Festa da Sagrada Família, onde contemplamos Jesus, Maria e José. Esta Festa adquiriu para mim um significado especial nos anos 1994/1998, quando fui Pároco da paróquia da Sagrada Família, no Bairro Cidade Nova, em Rio Grande, hoje atendida pelo meu amigo Pe. John Cléber.

Quando celebramos a Sagrada Família de Nazaré, a tendência que temos é a de festejar um estilo de família que está cada vez mais raro, quase que uma espécie em extinção. A tentação que nos vem é a de desânimo diante da triste realidade que vemos: divórcios, famílias incompletas, pais ausentes, filhos e filhas jogados pela vida afora... Parece que esta triste "ladainha" não tem fim...
O fato de Jesus ter se encarnado numa família tem por objetivo santificar todas as famílias, libertando-as das marcas que o pecado deixou nelas. Jesus santifica todas as realidades que assumiu, entre as quais a realidade familiar. Por isso é que se torna tão importante deixar a luz de Cristo invadir nossas casas e nosso ambiente familiar, mesmo aqueles que vivem situações de dor e de sofrimento. Deixemos que o Amor de Cristo transforme nossas famílias, estejam elas na situação que estiverem, é o melhor remédio para curar relações doídas e sofridas.
Para a Sagrada Família também não foi fácil: eram pobres, tiveram seu filhinho numa estrebaria, tiveram que fugir às pressas para o Egito, perderam o seu menino com doze anos numa cidade grande, como Jerusalém, Maria teve a dor de ver seu filho ser condenado como criminoso... Todas as dificuldades possíveis eles enfrentaram, como que para nos dizer: "Permaneçam firmes, pois vale a pena!"
Por isso, neste dia festivo, louvemos a Deus pela família que Ele nos concedeu, mesmo que marcadas por situações de dor e sofrimento. Deixemos que a luz do Natal nos marque e ilumine e, então conseguiremos fazer de nossas casas verdeiros lares, onde Jesus goste de estar e se sinta acolhido e amado no nosso amor vivido em nossa casa.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Compreendendo o sentido do Natal

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,). Jesus, o Verbo que se faz carne, é a palavra que se realiza. Se, pela Criação do Universo, por meio da Palavra, o Pai disse "Faça-se" e assim foi feito, pela Encarnação o Pai, de novo, por meio di Filho, diz "Faça-se uma nova humanidade", totalmente libertada das garras do pecado e, em Jesus, assim foi feito. Por isso, Paulo diz que Jesus é o novo Adão dessa nova Humanidade, pois nele se inicia o tempo da verdadeira obediência ao Pai, do verdadeiro Amor do Pai para conosco, que exige de nós uma resposta de aceitação de nossa parte. E, em Jesus Menino, contemplamos o Sim do Pai a nós e no seu Sim contemplamos os nossos "sins" ao Pai. Ele, verdadeiro Deus, se faz semelhante a nós em tudo, até mesmo na pobreza extrema e no despojamento absoluto de si mesmo, para que, semelhante a nós, na sua humanidade, possa nos tornar semelhantes a Ele e participantes da sua vida divina. Dar Sim ao Pai é, portanto, a nossa vocação, que se origina no Presépio, se confirma no Calvário e se plenifica na Eucaristia. O Natal faz isso em nós: nos possibilita ver Deus entrando no mistério de nossa fragilidade, para nos fazer entrar no Mistério de sua Misericórdia. Aproveitemos as luzes deste Natal para deixar que elas nos iluminem e transformem a nossa vida.
A todos, desejo um Feliz e abençoado natal do Senhor!

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Domingo da Alegria

O Domingo "Gaudete" é uma pequena "folga" na austeridade do Advento, para celebrarmos de modo antecipado as alegrias do Natal do Senhor. Ele já está às portas e o ambiente interior e exterior vão nos conduzindo a esta alegria. É como uma mulher grávida, que vê se aproximar o nascimento de seu filhinho e sente imensa alegria por estar chegando a hora de tê-lo em seus braços. Assim é a nossa alegria: o Senhor está próximo, o advento está nos seus finais, seja o Advento celebrado na Liturgia, seja o Advento "escatológico", o do fim dos tempos, quando o Senhor voltar em sua Glória. Por isso, a esperança-certeza é a grande tônica deste domingo e a alegria do anúncio da Boa Nova é a grande atitude que nós, cristãos, devemos ter. Num mundo tão cheio de más notícias, nós, cristãos, somos os anunciadores da única Boa Notícia que pode transformas vidas: a Boa Notícia de que somos amados por Deus, por meio do seu Filho, Jesus, nosso Senhor e Salvador.
Assim como João Batista, devemos "emprestar" a nossa voz para proclamarmos a Boa Nova de que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. E a nossa voz manifesta a Palavra com nossa boca e com nossas atitudes: o nosso sorriso, a nossa alegria, a nossa bondade manifestada em gesto.
Por isso, alegremo-nos no Senhor e levemos nossa alegria em nossos caminhos e nos caminhos daqueles que convivem conosco.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O momento presente e o outro: caminho para viver a Palavra de Deus

Confesso o quanto tem me feito bem meditar, rezar e vivenciar a "Palavra de Vida", que a cada mês nos chega, propondo um pequeno versículo da Palavra de Deus para nós. Por isso, mensalmente eu coloco a meditação que Chiara Lubich preparou já há alguns anos e que, mesmo hoje é profundamente atual.

Confesso, ainda, o quanto às vezes sou egoísta, querendo que sempre a minha vontade seja feita, deixando de lado aquilo que Deus me pede e aquilo que meus semelhantes necessitam.
Duas coisas a Palavra de Vida desde mês propõe para nós: a primeira: viver a vontade de Deus no momento presente. Este é um desafio muito grande, uma vez que temos a tendência ou de viver no passado ou de viver no futuro. No passado, através de saudosismo ou de ressentimentos, quando ficamos remoendo fatos e situações acontecidas, sejam elas positivas ou negativas. No futuro, quando vivemos na ansiedade do que ainda está por vir e que, de repente nem virá. Geralmente vivemos cercados de fantasmas, de medos e angústias de coisas que pensamos que irão nos atingir. Portanto, viver o momento presente, a situação atual que estamos vivendo e que dependem de nossas escolhas, onde podemos fazer a vontade de Deus ou então viver num egoísmo vazio de sentido.

O segundo aspecto que quero abordar aqui é a capacidade de sairmos de nós mesmos, para irmos na direção do outro: do Outro Supremo, que é Deus e dos outros, que convivem conosco. No mundo de hoje, perdemos a capacidade da alteridade, de estarmos voltados para o outro, com suas necessidades e sentimentos. Estar voltado para o outro é o antídoto do egocentrismo, que nos fecha à interlocução e ao amor, que é sinal do Amor que Deus tem para conosco. Eu posso conversar com alguém, mas com o coração fechado sobre mim mesmo ou posso estar totalmente voltado para o outro, com o coração generosamente aberto, na alteridade absoluta. E como é maravilhoso ser assim, pois a experiência que fazemos acaba sendo uma experiência de realização plena, pois somos vocacioonados para o outro, para o amor a Deus e ao próximo.

Quando vivemos o momento presente e vivemos na relação de alteridade para com Deus e o próximo, então aí, sim, estamos encontrando o caminho da felicidade plena.

A todos, um feliz final de semana!

domingo, 7 de dezembro de 2008

"Anoiteceeeeeeuuuuu, o sino gemeeeeeeuuuuu..."

Hoje tivemos o nosso Jantar Natalino, da Comunidade de São José Operário. Logo após saímos pelas ruas de nosso bairro, realizando nossa Serenata de Natal, alegrando a noite de nossos vizinhos. A experiência do alegre estar junto, com nossos jovens e adultos foi uma maravilha. Foi extremamente divertido e a todos deixou aquele gostinho de quero mais. A vida em comunidade foi a grande tônica deste ano em que buscamos a re-fundação de nossa Paróquia, nos seus quarenta anos. Eis as fotos da Serenata:



A galera andando pelas ruas e cantando: "Anoiteceeeeeuuu..."

A nossa gurizada animando a noite da Cohab 2

Mais uma dos nossos cantores...



A "Velha Guarda da Comunidade..."

Cantando e dançando com a Equipe da Cozinha do Jantar de Natal...

Confesso... sou feio, muito feio, mas o Bruno tá pior que eu... ahuahuahu...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Palavra de Vida - Mês de Dezembro

“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!” (Lc 22,42b)
Você se lembra? É a oração que Jesus dirige ao Pai no Horto das Oliveiras e que dá sentido à sua paixão, depois da qual veio a ressurreição. Essa frase exprime em toda a sua intensidade o drama que se passa no íntimo de Jesus. Revela a ferida interior provocada pela repugnância profunda da sua natureza humana diante da morte que o Pai quis para ele.Mas Cristo não esperou esse dia para adequar a sua vontade à vontade de Deus. Ele fez isso durante toda a vida. Se foi essa a conduta de Cristo, essa deve ser a atitude de cada cristão. Também você deve repetir na sua vida:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Talvez você ainda não tenha pensado nisso, mesmo sendo batizado, mesmo sendo filho da Igreja. Talvez você tenha reduzido essa frase a uma mera expressão de resignação, que se pronuncia quando não se pode fazer mais nada. Mas essa não é a sua verdadeira interpretação. Veja bem. Na vida você pode escolher uma destas duas direções: fazer a própria vontade ou optar livremente por fazer a vontade de Deus. Então você terá diante de si duas possibilidades: a primeira, que será logo decepcionante, porque você vai querer escalar a montanha da vida com suas idéias limitadas, com seus próprios recursos, com seus pobres sonhos, somente com as suas forças. A partir daí, mais cedo ou mais tarde, virá a experiência da rotina de uma existência marcada pelo tédio, pela mediocridade, pelo pessimismo e, às vezes, pelo desespero. A partir daí virá a experiência de uma vida monótona – apesar dos seus esforços para torná-la interessante – que nunca chegará a satisfazer suas exigências mais profundas. Isso você tem que admitir, não pode negar. A partir daí, no final de tudo, ainda virá uma morte que não deixará rastro algum, mas apenas algumas lágrimas e depois o esquecimento inexorável, total e universal. A segunda possibilidade é aquela em que também você repete:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Veja bem: Deus é como o sol. Do sol partem muitos raios que atingem cada homem: representam a vontade de Deus para cada um. Na vida, o cristão, e também todo homem de boa vontade, é chamado a caminhar rumo ao sol, na luz do seu próprio raio, diferente e distinto de todos os outros. Assim realizará o projeto maravilhoso, pessoal, que Deus preparou para ele. Se também você agir assim, vai se sentir envolvido numa divina aventura, nunca sonhada. Você será ao mesmo tempo ator e espectador de algo grandioso que Deus realiza em você e, por meio de você, na humanidade. Tudo o que lhe acontecer, como sofrimentos e alegrias, graças e desgraças, fatos de relevo (como sucessos e sorte, acidentes ou mortes de entes queridos), fatos corriqueiros (como o trabalho do dia-a-dia em casa, no escritório ou na escola), tudo, tudo vai adquirir um significado novo porque lhe será oferecido pelas mãos de Deus que é Amor. Tudo o que ele quer, ou permite, é para o seu bem. E se, de início, você acreditar nisso somente com a fé, depois enxergará com os olhos da alma como que um fio de ouro a ligar acontecimentos e coisas, a tecer um magnífico bordado, que é o projeto que Deus preparou para você.Talvez você se sinta atraído por esse modo de ver as coisas, talvez queira sinceramente dar à sua vida o sentido mais profundo.Então ouça. Antes de tudo vou lhe dizer quando você deve fazer a vontade de Deus.Pense um pouco: o passado já se foi e você não pode mais alcançá-lo; só lhe resta colocá-lo na misericórdia de Deus. O futuro ainda não chegou; você vai vivê-lo quando ele se tornar atual. Apenas o momento presente está em suas mãos. É justamente nele que você deve procurar viver a frase:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Quando você viaja – e também a vida é uma viagem –, permanece sentado tranqüilamente em seu lugar. Nem lhe passa pela cabeça a idéia de ficar caminhando para frente e para trás no ônibus ou no vagão do trem. Essa atitude seria de quem quisesse viver a vida sonhando com um futuro ainda inexistente, ou pensando no passado que jamais voltará. Não, o tempo caminha por si mesmo. É preciso concentrar-se no presente; então chegaremos à plena realização de nossa vida terrena. Você me perguntará: mas como posso distinguir entre a vontade de Deus e a minha? No presente não é difícil saber qual é a vontade de Deus. Vou lhe indicar um caminho: preste atenção à voz do seu íntimo, uma voz sutil, que talvez você tenha sufocado muitas e muitas vezes, e que se tornou quase imperceptível. Mas, procure ouvi-la bem – é voz de Deus (cf. Jo 18,37; cf. Ap 3,20). Ela lhe diz que este é o momento de estudar, ou de amar algum necessitado, ou de trabalhar, ou de vencer uma tentação, ou de cumprir um dever de cristão ou outro dever de cidadão. Ela o convida a dar ouvidos a alguém que lhe fala em nome de Deus, ou a enfrentar corajosamente situações difíceis... Ouça, ouça. Não sufoque essa voz. É o tesouro mais precioso que você possui. Siga-a. E, então, você construirá momento por momento a sua história, que é ao mesmo tempo história humana e divina, porque feita por você em colaboração com Deus. E você verá maravilhas. Verá o que Deus pode realizar numa pessoa que diz com toda a sua vida:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”

Chiara Lubich

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Palavra de Vida - Mês de novembro

Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me"
Não pense que, por estar no mundo, você pode se comportar nele como um peixe na água.
Não pense que, uma vez que o mundo entra em sua casa através de certas estações de rádio e pela televisão, você está autorizado a ouvir qualquer programa ou a ver qualquer transmissão.
Não pense que, pelo fato de circular pelas ruas do mundo, você pode olhar sem mais nem menos todos os cartazes e comprar nas bancas e nas livrarias qualquer publicação, indiscriminadamente.
Não pense que, por estar no mundo, você pode aceitar qualquer maneira de viver do mundo: experiências fáceis, imoralidade, aborto, divórcio, ódio, violência, furto.
Não, não. Você está no mundo. Isto é evidente.
Mas você não é do mundo (cf. Jo 17,14).
E isso faz uma grande diferença. Isso coloca você entre aquelas pessoas que se nutrem não das coisas que são do mundo, mas daquelas que são ditadas pela voz de Deus dentro de você. Essa voz está no coração de cada pessoa e faz você entrar - se lhe der atenção - num reino que não é deste mundo, num reino onde se vive o amor verdadeiro, a justiça, a pureza, a mansidão, a pobreza, onde vale o domínio de si.
Por que muitos jovens ocidentais buscam o Oriente - a Índia, por exemplo - para encontrar um pouco de silêncio e descobrir o segredo de certos mestres espirituais que, pela longa mortificação de seu próprio eu inferior, deixam transparecer um amor que impressiona a todos aqueles que os encontram?
É a reação natural à confusão do mundo, ao barulho que vive fora e dentro de nós, que já não deixa espaço ao silêncio no qual Deus se faz ouvir.Mas será que se deve mesmo ir à Índia, se já há dois mil anos Cristo disse a você: "Renuncie a si mesmo... Renucie a si mesmo..."?
Ter uma vida cômoda e tranqüila não é típico do cristão; e Cristo não pediu - e ainda hoje não pede - menos do que isso, se você quiser segui-lo. O mundo procura nos arrastar como um rio em tempo de cheia e você deve caminhar contra a correnteza. Para o cristão o mundo é como uma floresta cerrada, na qual é preciso ver bem onde se pisa. E onde se deve pisar? Nas pegadas que o próprio Cristo deixou quando esteve nesta terra: elas são as suas palavras. Hoje ele repete a você:
"Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo..." Talvez isso o exponha ao des¬prezo, à incompreensão, à zombaria, à calúnia; significará o isolamento; será um convite a aceitar a perda da própria reputação, a deixar de lado um cristianismo de fachada. E não é só:
"Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me."
Querendo ou não, a dor aflige a existência de todos. Também a sua. E pequenas e grandes dores não faltam todos os dias.
Quer evitá-las? Você se rebela? Elas fazem você praguejar? Neste caso, você não é cristão.
O cristão ama a cruz, ama a dor, mesmo entre as lágrimas, pois sabe que a cruz e a dor têm um grande valor. Não foi por acaso que Deus, entre os inúmeros meios à sua disposição para salvar a humanidade, escolheu a dor. Mas ele, lembre-se, depois de ter carregado a cruz e nela ter sido pregado, ressuscitou.
A ressurreição é também o seu destino (cf. Jo 6,40) se, em vez de desprezar a dor decorrente de sua coerência cristã e de tudo aquilo que a vida lhe prepara, você souber aceitá-la com amor.
Perceberá, então, que a cruz é o caminho para ter, já nesta terra, uma alegria jamais experimentada; a vida da sua alma começará a crescer; o Reino de Deus em você passará a ter consistência e aos poucos o mundo lá fora irá desaparecendo diante dos seus olhos até lhe parecer feito de papelão. E você não mais terá inveja de ninguém.
Aí sim, você poderá considerar-se seguidor de Cristo: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me."
E por ter seguido Cristo você será, como ele, luz e amor para sanar as inúmeras chagas que afligem a humanidade de hoje.

Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em julho de 1978

Chiara Lubich

terça-feira, 21 de outubro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mentiras e verdades...

Existe um ditado, que aprendi com a minha Mãe: "Mentira tem perna curta!" Acredito na sabedoria deste ditado, que todos nós ouvimos de nossos antepassados, desde a nossa mais tenra infância. Certo da veracidade das palavras da minha Mãe, aprendi a não mentir, especialmente quando se trata de coisas mais sérias. E, quando se trata das coisas de Deus, este ditado tem um especial peso, pois nós podemos mentir para todas as pessoas que convivem conosco, podemos enganar a todos em todo o tempo, mas não a Deus - Ele nos conhece mais do que ninguém, mais do que nós mesmos nos conhecemos e está no mais íntimo de nós. Portanto, não tem como mentir para Deus.
Com facilidade, encenamos para os outros aquilo que nós não somos, de forma que eles possam nos admirar e nos aceitar, não pelas nossas virtudes reais, mas por aquilo que ficticiamente queremos ser para eles. As consequências desse tipo de atitude é o fato de que, de repente, acabamos perdendo a nossa real identidade e nos tornamos estranhos para nós mesmos? "Quem sou eu, mesmo? Será que sou aquilo que o Fulano pensa que eu sou? Ou será aquilo que enceno, para que a Fulana me aceite e me ame?" A perda desta identidade acaba nos destruindo psicologicamente e passamos a viver como um barco sem rumo, à mercê dos ventos e das correntezas.
O Apóstolo João, na sua Primeira Epístola, fala das mentiras e verdades que podem fazer parte da nossa vida. Mente quem vive nas trevas, mas encena estar na luz; mente quem odeia, mas faz de conta que ama; mente quem vive longe de Deus, mas encena uma vida cristã, piedosa, hipócrita, para impressionar os outros... Em compensação, está na verdade aquele que procura viver em Deus e procura amá-lo amando os seus irmãos e irmãs.
Viver nas trevas é sinal de morte, enquanto que viver na luz de Cristo é sinal de vida e de verdadeira alegria, que somente Ele pode nos oferecer. Hoje, mais do que de mestres, o mundo precisa de testemunhas, que vivam aquilo que acreditam, rezam e celebram. A nossa sabedoria está, principalmente, na maneira como nos portamos e como vivemos. Que o Senhor, com seu Espírito, nos conduza pelos caminhos da conversão e da vida.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A centralidade da Palavra de Deus e da Eucaristia

A Palavra de Deus e a Eucaristia são o centro de toda a vida do cristão e da Igreja. Quando vivemos centrados na Palavra e na Eucaristia, começamos a ter uma nova dinâmica na nossa vida espiritual e na vida de nossas comunidades eclesiais. Um cristão que se alimenta de ambas as mesas torna-se fortalecido na luta contra o pecado e aprende a realizar a vontade de Deus na sua vida, tornando-se eficaz testemunha do Evangelho. A proximidade com o Senhor, que nos fala através da Sagrada Escritura e que nos alimenta por meio da Eucaristia vai nos santificando, pois nos torna semelhantes a Ele. O brilho de Deus passa a ser o nosso brilho e a alegria de sua presença se reflete no nosso olhar e nas nossas ações.
Entretanto, quando nos afastamos dele, a nossa vida perde o seu rumo, pois a centralidade dela deixa de ser o Senhor e passa a ser o nosso próprio eu. É por isso que a consequência do pecado é a morte, pois ela significa o desaparecimento de todos os sinais de vida no nosso ser, deixando-nos num vazio interior, sem alegria verdadeira e sem luz. Uma pessoa longe de Deus não tem a luz no seu coração e nem no seu olhar, tornando-se completamente azeda e infeliz, pois somente Deus pode preencher o vazio de nossa alma.
Por isso, coloquemos a Palavra e a Eucaristia como Centro de nossas vidas. Deixemos que a Palavra nos eduque e que a Eucaristia nos alimente e, com isso, um novo rumo daremos para a nossa história.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Espírito de Deus e o nosso testemunho de vida

A eficácia da ação evangelizadora está na junção de dois fatores: a ação do Espírito Santo e o testemunho de vida dos cristãos. Estes dois fatores são imprencindíveis se quisermos que a Boa Nova do Reino de Deus seja proclamada e aceita pelo mundo.

A ação do Espírito Santo é essencial porque toda a vida da Igreja é marcada pela sua Presença. Sem o Espírito de Deus, a Igreja seria apenas mais uma instituição vazia de sentido e teria os seus dias contados. Sem a sua Presença, nossos atos litúrgicos não passariam de teatrinho e nossas orações seriam o supra-sumo do farisaísmo.
Porém, a Graça do Espírito Santo supõe a nossa natureza, a nossa adesão total e sincera. Sem o nosso testemunho, a eficácia de nossas ações ficam comprometidas, pois de nada adianta falar aquilo que não se vive e testemunhar aquilo que não se pratica. Podemos ser excelentes pregadores, eficientes pastoralistas. Podemos saber conduzir reuniões, celebrar belíssimas Missas, utilizando todos os meios e tecnologias mais avançadas, mas se não tiver junto o testemunho de uma vida cristã, ecoará no meio do nada e não produzirá fruto algum. Poderemos até causar emoções, mas não mudaremos a vida de ninguém, pois não mudamos a nossa. Seremos, assim, cegos guias de cegos.
O Senhor quer de nós conversão e a busca pela santidade. E quer isto porque sabe que é garantia de felicidade e de salvação para nós. É claro que às vezes não é fácil, mas é nesses momentos que o Espírito Santo nos dá a força necessária para podermos dar o nosso SIM a Deus, e dando o nosso SIM a Deus poderemos dar o nosso sim aos irmãos, oferecendo para eles o nosso testemunho de vida cristã.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Democracia

Foi muito bonito assistir e participar da "Festa da Democracia", que foi este tempo eleitoral e o dia de votações ontem. Na quinta-feira, após retornar do Curso que fiz em Nova Santa Rita, pude perceber como é importante a democracia para o nosso país e para a vida do nosso povo. Ainda na estrada, entre Tavares e São José do Norte, às vezes, no meio do descampado, inúmeras pessoas, com as bandeiras do seu partido e, em alguns lugares, carreatas convidando o povo do interior para um comício, mostrando, assim, a beleza das cores e dos símbolos partidários. Já em Rio Grande, no dia seguinte, nas ruas do entorno da Praça Tamandaré, milhares de pessoas dos mais diferentes partidos confraternizavam, mostrando sua adesão aos seus respectivos candidatos. Foi uma belíssima e emocionante festa. É claro que muitos não têm a menor noção das propostas políticas apresentadas e estavam ali ganhando o seu dinheirinho como cabos eleitorais, mas mesmo assim faziam parte do cenário e davam noção da grandeza do atual momento político pelo qual nós passamos.
Votação encerrada, agora temos que parabenizar os eleitos e rezar por eles, para que cumpram com determinação e ética aquilo que se comprometeram realizar. Que eles possam pensar no bem estar da nossa gente e façam um bom governo, para o bem de todos. E que possamos ajudá-los com nossas orações e com nossa participação, para que nossas cidades sejam locais de vida digna para todos.
Agora retomamos o nosso Blog, com atualizações diárias, se Deus quiser.

sábado, 20 de setembro de 2008

O casamento do Marcelinho e Gigi

Hoje casarei um filho. É claro que ser Padre é ser pai de muitos filhos, mas alguns são mais filhos, por serem mais próximos, mais amigos, com quem nos identificamos mais. O Marcelinho é um desses filhos. Quando aqui cheguei, em maio de 2003, ele já fazia parte da vida desta Paróquia, sendo uma liderança extremamente positiva entre os nossos jovens daquela geração, seja na participação no Praesidium Stela Maris, da Legião de Maria Juvenil, seja na condução do Grupo Novo Amanhã, na Catequese, na Liturgia, no Nazareth, no Enjo... enfim, alguém que sempre se destacou pastoralmente. Mas, mais do que isto, foi sempre um filho amoroso e amigo para todas as horas. Mesmo depois que entrou para a Faculdade e começou a trabalhar e a namorar, ficando, assim, impedido de continuar atuando na vida da Paróquia, continuou bastante próximo, vivendo sua vida cristã como leigo, que testemunha a sua fé no ambiente em que vive. Com sua bem amada, a Gigi, continuou sua caminhada de fé, e hoje selam o seu amor com o Sacramento da Matrimônio. Tenho muito orgulho deste filho e desta nora e tenho a certeza de que eles serão muito felizes. Que Deus os abençoe!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Servir o Senhor com humildade


"Também algumas mulheres o serviam com os seus bens" (Lc 8,3). Na Igreja sempre houve a presença maciça de mulheres, que constribuíram e contribuem de diferentes modos para o êxito da ação evangelizadora. Foi assim desde os tempos de Jesus. Delas mal sabemos o nome, o que faziam ou como era suas vidas. O essencial é saber que elas existiam, amavam Jesus e O serviam com aquilo que eram e tinham. E saber disso é saber tudo.
Nós, também, em nossos dias, mulheres e homens, amamos e desejamos servir o Senhor com nossas características, capacidades e bens. E servimos porque amamos, reconhecendo-O nosso Senhor, Salvador e Deus. Não precisamos fazer resplandecer a nossa luz; deixemos que a Luz de Cristo resplandeça em nós e através de nós. "Convém que Ele cresça e eu diminua", fala João Batista. Se a luz do Céu resplandece já é suficiente, já nos basta.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Os nossos sonhos e projetos

Nesta semana tive a oportunidade de conversar com as turmas do Ensino Médio do Liceu Salesiano Leão XIII, nas Manhãs de Formação que eles organizaram para os alunos do 2. e 3. Ano. O assunto que tratei foi o sentido da vida e os projetos pessoais que eles, na idade em que estão, são chamados a assumir. É impressionante perceber que nos tempos atuais a vida passa correndo e a gente não busca pensar nos ideiais de vida que devem ser buscados e vivenciados. Passamos pela vida e, quando percebemos, um tempo danado foi perdido andando sem rumo nem direção.
O que queremos de nossa vida? O que pensamos estar fazendo no dia 18 de setembro de 2018, ou seja, dentro de dez anos? A resposta para estas perguntas é que vai definir nossos sonhos e projetos, nossa prática e ação. Se procurarmos respostas para elas, iremos determinar o que faremos e quais as nossas atitudes e quais os valores que irão pautar estas nossas atitudes.
Outra coisa que trabalhei com eles foi o fato de temros nos horizontes de nossas opções a necessidade de se viver e buscar uma atitude oblativa, ou seja, viver o amor de forma que este seja serviço ao outro, para que o outro tenha vida e felicidade. Da felicidade do outro depende o sentido da nossa vida e da nossa própria felicidade. Quando pensamos nos nossos planos e sonhos em vista apenas do nosso "ego", tornamo-nos monstros de egoísmo e frustramos os sonhos de Deus para nós e nossos próprios sonhos. A alteridade é essencial para a nossa própria felicidade.
Assim sendo, as perguntas que fiz aos jovens salesianos nãos e refere apenas a eles ou às suas próprias vidas, mas a cada um de nós, que temos um futuro pela frente e uma vida a construir. Enquanto existimos somos construtores da história e, portanto, co-responsáveis por ela. Que nossa contribuição ajude a humanidade a ser melhor.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O desafio do indiferentismo religioso

Pior do que ser contra é ser indiferente. Eu prefiro mil vezes que alguém não goste de mim do que outros que me são indiferentes. Porque o ódio é um sentimento e quem odeia ao menos dedica parte de seu tempo a destilar o seu ódio. Uma pessoa indiferente é terrível, porque para ela eu não existo, simplesmente isso: não existo, não sou.

O maior desafio para a Igreja em nossos dias não são as outras religiões e nem mesmo os que se consideram nossos inimigos: o maior desafio está exatamente no indiferentismo religioso, que consiste na mais absoluta apatia diante de Deus, do seu Evangelho e da sua proposta de vida. E o vírus do indiferentismo religioso está perigosamente se alastrando em nossa sociedade e entre os nossos fiéis.
Por isso, além de cuidar para não sermos atingidos pelo indiferentismo religioso, nós cristãos (e nós padres e consagrados...) precisamos nos imunizar através do amor apaixonado por Jesus Cristo e por sua Igreja. Somente pessoas que se deixaram encantar pelo Reino de Deus é que poderão ser eficazes na sua ação evangelizadora. A vivência da radicalidade do Evangelho é que deve nos orientar na postura de vida e nas opções fundamentais que fazemos. Não podemos e não temos o direito de achar que nos é permitido ser cristãos pela metade: assim como não existe uma mulher mais ou menos grávida, não pode existir um cristãos mais ou menos santo. Ou somos cristãos que vivem radicalmente a nossa fé ou não somos cristãos!
Alguém poderá dizer: "Eu não consigo, por mais que tente, ser fiel à radicalidade do Evangelho!" Se ao menos tentamos, podemos até cair muitas vezes, mas sempre seremos erguidos pela Misericórida de Deus. O triste é quando desistimos totalmente de Deus e acabamos por nos tornar totalmente apáticos a tudo o que Deus quer de nós.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A relação padre e jovem


"Jovens, não tenhais medo de serdes os santos de nossos tempos!" (João Paulo II)
O trabalho com juventude, mais do que apenas mais um trabalho pastoral, está muito mais realcionado com um carisma na vida da Igreja e na vida pessoal de quem trabalha. Exige tempo, disponibilidade e alegria do padre ou agente de pastoral.
Exige que permaneçamos perenemente jovens, identificados com eles, capazes de um relacionamento e de um diálogo com eles, de igual para igual. Se eles encontrarem em nós, adultos, pessoas em quem eles possam confiar, estaremos sendo eficazes no nosso trabalho. Porém, é igualmente necessário que esta identificação não faça desaparecer aquilo que é próprio a nós. Sou padre e sou adulto. E eles devem encontrar em mim não apenas "mais um gurizão da galera", mas também precisam perceber o adulto que sou, com as coisas próprias de adultos e com a experiência de adulto, que possa contribuir no seu processo de amadurecimento. Tenho muitos amigos e amigas jovens, que gostam de estar na minha companhia. Não preciso, para isso, fazer tipo adolescente, usando roupas de adolescente ou indo às festas que eles vão ou me portando como eles. Sendo adulto (e sendo feliz por ser adulto...) sem ser rabugento já é o essencial para ser próximo aos jovens, conquistando o seu carinho e, podendo assim, ajudá-los no seu crescimento. A experiência que tenho feito nestes últimos anos com a juventude tem sido a de uma paternidade espiritual, tornando-me, para muitos deles, um verdeiro pai, que se interessa, que está sempre junto, que aconselha e, se preciso for, puxa as orelhas, que ama e manifesta no seu amor o Amor de Deus Pai.

domingo, 14 de setembro de 2008

A Evangelização da Juventude

Desculpem ficar estes dias sem dar notícias, mas estava no 45. Nazareth da Diocese do Rio Grande. Tempo de Nazareth é sempre uma oportunidade de podermos refletir sobre a Evangelização da juventude, à luz do Documento 85 da CNBB, que trata do tema.
A juventude é, talvez, a mais bela e desafiadora fase na vida de uma pessoa. Tempo de decisões fundamentais, que influenciarão durante toda a sua existência. É tempo, também, de amadurecimento pessoal, profissional e afetivo. Por isso, a Igreja acompanha sempre com tanta atenção os nossos jovens, oferecendo a mais ampla gama de oportunidades de Evangelização, fornecidas pelas Pastorais da Juventude e pelos mais diversos Movimentos Eclesiais dedicados a eles, como o Nazareth, Emaús, Legião de Maria Juvenil, Enjo e outros tantos Movimentos.
Eu tenho a imensa alegria de ter sido chamado por Deus para ter o carisma de trabalhar com a juventude. Eles me rejuvenescem e me ajudam a ser um padre melhor. No seu rosto eu vejo o rosto de Jesus jovem e, assim como eles me ajudam, desejo ajudá-los a ser reflexo de Deus paraa Igreja e o mundo.
Domingo próximo, às 15 horas, no Centro Diocesano de Pastoral de Rio Grande, no Auditório, acontecerá o segundo encontro sobre a Evangelização da Juventude, com a presença de todas as organizações que, na nossa Diocese, trabalham com jovens. Todos são convidados.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Deixar que Deus nos ame

Hoje, conversando com uma pessoa, ela me disse o seguinte: "A melhor oração que podemos fazer a Deus é a seguinte: 'Senhor, eu deixo que Tu me ames'!" De fato, a maior crise que as pessoas vivem atulamente é a crise de amor. Embora digamos "Eu te amo" com certa facilidade e de um modo até mesmo irresponsável, tornamo-nos carentes da principal Fonte de Amor, que é Deus. E, carentes desse Amor, buscamos amores que não podem preencher o vazio que fica em nossa alma.
Deus respeita a nossa liberdade. Se não permitirmos que Ele nos ame, o Seu Amor não chegará até nós. Ele jamais deixa de nos amar, mas seremos nós que, com o coração fechado, impediremos que nossa vida seja plenificada pelo Amor que Ele nos oferece.
Quando ficamos fechado ao Amor de Deus, a nossa vida vai perdendo o seu sentido e vai ficando triste e vazia. Até podemos buscar coisas que possam nos preencher, mas jamais ficaremos repletos. Tornamo-nos pessoas amargas, sem o verdadeiro senso da felicidade.
Por isso, deixemos que o Senhor nos ame e amemo-nos uns aos outros com este Amor de Deus!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O desenvolvimento da cidade

A nossa região está vivendo um rápido processo de crescimento industrial, econômico e demográfico. Já nos próximos anos, Rio Grande, juntamente com São José do Norte e Pelotas poderá atingir a marca de um milhão de habitantes. Todo este crescimento terá suas vantagens e desvantagens, uma vez que teremos uma crescente oferta de empregos, desenvolvendo também o comércio de nossa região. Porém, este crescimento demográfico trará problemas sérios para serem resolvidos pelo poder público, como a necessidade de um crescimento ordenado em todos os níveis, como o trânsito, o saneamento básico, além da séria questão habitacional.
O desafio que estamos acompanhando também se traduz na necessidade de um mais eficaz gerenciamento eclesial, de forma a atender a demanda que está crescendo. Em que consiste este gerenciamento eficaz? Somos poucos Padres, poucos religiosos e religiosas, poucos leigos e leigas seriamente comprometidos com a Evangelização. Temos poucas Paróquias, que estão mal distribuídas, ficando enormes lacunas na periferia da cidade sem o adequado atendimento pastoral. Por isso, torna-se necessário e até urgente que o novo Plano de Ação Evangelizadora contemple estes desafios que estão surgindo a sugira ações eficazes para a Evangelização.
Alguns passos já estão sendo dados: no dia 02 de setembro tivemos uma reunião do Clero aberta aos religiosos e leigos, onde o Secretário do Planejamento e um professor da FURG nos assessoraram, dando pistas de para onde acontecerá o crescimento de nossa região e quais os desafios principais a serem atendidos. Ontem, tivemos o Conselho Diocesano de Ação Evangelizadora, onde retomamos este tema. Agora, iremos começar a formatar o novo Plano Diocesano de Ação Evangelizadora, que será apresentado e votado na Assembléia Diocesana, em novembro próximo.
Algumas coisas, porém, já parecem claras:
1. precisamos criar em nossas Paróquias uma nova mentalidade missionária, de forma que se tornem, como diz Aparecida, "Comunidades de Comunidades". Talvez seja necessário repensar os limites paroquiais, deslocando para a periferia da cidade, um número maior de padres e religiosos e religiosas;
2. Precisamos investir mais na formação de nossos agentes leigos, não apenas capacitando-os, mas encorajando-os a tomar a frente na Evangelização, superando a mentalidade clericalista ainda existente;
3. A Diocese precisa investir na aquisição de terrenos nos novos núcleos habitacionais que surgirão, para a construção de Capelas e Igrejas. No centro da cidade, é fundamental um trabalho pastoral diferenciado.
Enfim, para os inúmeros desafios teremos que criar inúmeras decisões e respostas para os nossos tempos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A força do testemunho de vida

Estamos há poucos dias de mais um Encontro de Jovens de Nazareth. A galera já está a postos, preparando para bem exercer as suas funções e eu também, uma vez que vou para lá pela vigésima quinta vez. Mesmo fazendo a mesma coisa vinte e cinco vezes, para mim sempre o Nazareth representa algo novo na minha vida e no meu Ministério Sacerdotal, especialmente com os jovens. Sou verdadeiramente apaixonado por eles e poder dedicar boa parte de meu tempo e energias para eles é algo tremendamente gratificante.

O que os jovens, garotos e garotas que lá estarão fazendo este Encontro, esperam? As repostas variam muito, mas acredito que vão todas na mesma direção: querem ter a experiência do amor de Deus e do amor dos irmãos. Esta experiência vai ser decisiva na vida de muitos deles, uma vez que, depois deste final de semana a sua vida poderá ter mudado. Deus, com o seu Espírito Santo, faz a parte dele. Cabe a nós, que trabalharemos lá, fazer a nossa parte.
Fazer a nossa parte? Mas como? Reascendendo a chama do amor de Deus em nossa vida, experimentando aquilo que vamos falar, que vamos pregar. Precisamos estar convencidos da verdade que proclamaremos, para que esta verdade possa ter a força do testemunho. De nada adianta falar em amor se eu não o vivo nas relações com meus semelhantes; de nada vale falar em fraternidade se eu sou um monstro de egoísmo; de nada vale falar em pureza se eu há muito não busco viver a castidade como Deus quer; será palhaçada falar em Sacramentos se eu os abandonei por achar desnecessário... Por isso, Nazareth é tempo de conversão para nós, que iremos trabalhar lá, retomando os valores que Jesus nos pede.
É fácil isto? Não! Não é fácil nem para o padre, garanto para vocês! Mas o Senhor não nos pede que estejamos totalmente prontos, perfeitos. O que Ele nos pede é que estejamos buscando, com sinceridade de coração, ser aquilo que Ele quer que sejamos. Se caímos, Ele deseja nos levantar, nos conduzir, como Bom Pastor que é, pelos seus prados e campinas. Seguindo-O, estarmeos prontos para sermos eficazes no nosso trabalho e o nosso testemunho de vida será eficaz para tocar no coração de muitos de nossos jovens.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A Palavra de Deus, luz para os nossos passos

Durante muitos séculos, a Bíblia era uma "ilustre desconhecida" para o nosso povo católico, sendo privilégio apenas dos mosteiros, dos teólogos e do clero o seu acesso. Evitava-se, assim, que as pessoas simples do povo fizessem interpretações errôneas da Palavra de Deus. Com o surgimento do "Movimento Bíblico", no correr do século XX, e especialmente com o Concílio Vaticano II, na sua Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina, houve uma grande popularização da Palavra de Deus dentro de nossa Igreja. Diversas edições, com as mais diferentes traduções foram feitas, algumas com comentários muito bem elaborados. Ao mesmo tempo, diversos Cursos Bíblicos começaram a ser realizados, voltados, especialmente, para os leigos e leigas que buscam aprofundar seus conhecimentos da Sagrada Escritura.

Na América Latina, aconteceu um fenômeno, que se desenrolou especialmente nas décadas de 70 e 80, em dois pólos da nossa Igreja: os Círculos Bíblicos, que deram origem a inúmeras Comunidades Eclesiais de Base, onde, semanalmente, grupos se reúnem para aprofundar a Bíblia e iluminar a realidade com ela; no outro pólo, o surgimento da Renovação Carismática Católica, que popularizou o uso da Palavra de Deus nos seus incontáveis Grupos de Oração. A Bíblia passou a ser do povo. Eu mesmo descobri e comecei a amar a Sagrada Escritura há 25 anos atrás, quando comecei a frequentar a Renovação Carismática e possotestemunhar o quanto a Bíblia foi e é importante na minha caminhada pessoal como cristão e discípulo de Jesus Cristo e como padre, ministro da Igreja.
Quem ainda não tem uma Bíblia para uso pessoal, procure adquirir uma: é baratinho e vale a pena. Afinal, gastamos tanto dinheiro com bobagens...

domingo, 7 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (XII) - A importância da mística na Evangelização

A eficácia pastoral é algo necessário para a vida da Igreja em nossos dias. Porém, não é tudo. Não podemos agir como empresários no comando de uma organização que precisa mostar lucros ao final de algum tempo, para superar os concorrentes. A Igreja não é uma "empresa", que vende um produto qualquer ou até mesmo uma idéia. Somos muito mais do que isto. Buscar eficácia pastoral, sim! Mas fazer disso o nosso objetivo maior, não! O nosso objetivo é anunciar o Reino de Deus e a Salvação que Jesus Cristo nos oferece. É por isso que a Evangelização é o nosso maior objetivo, pois por meio dela, as pessoas podem fazer a sua escolha maior pelo Reino de Deus e pela vida que Deus nos oferece.

"Ora et labora", lema de São Bento, é a receita para toda a ação eclesial. A Evangelização que nos propomos realizar deve ser fruto de uma intensa vida de oração. Nossa missionariedade deve ser consequência do nosso discipulado. Vamos utilizar na Evangelização os meios que temos à mão, mas devemos buscar na mística da experiência do encontro com Jesus a força e a sabedoria para bem utilizá-los, dando espaço ao Espírito Santo para que Ele faça a sua parte.

sábado, 6 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (XI) - O mundo urbano

O crescimento do mundo urbano exige novas maneiras de atuar na ação evangelizadora. A cultura presente nas nossas cidades exigem que elas sejam pensadas de forma global, atendendo as novas realidades e contemplando as novas pobrezas. Aparecida pede de nós, Igreja da América Latina e do Caribe, ações pastorais que sejam feitas com criatividade e competência. Durante séculos, a Igreja Católica atuou num mundo predominantemente rural e num contexto de Cristandade, onde era praticamente obrigatório às populações a prática da Religião Católica. Hoje, dentro de um contexto de secularização, boa parte de nossa população abandonou as práticas religiosas católicas, optando por uma prática religiosa individualista e intimista. "Creio em Deus, mas não professo a fé de nenhuma Igreja", é assim que dizem e praticam. Diante deste contexto de indiferentismo religioso ou ainda de uma "mescla" de doutrinas de diferentes credos, cabe à Igreja ir ao encontro das pessoas, apresentando a Boa Nova de Jesus Cristo como uma proposta atraente e agradável, capaz de cativar e acolher as pessoas, dentro da sua realidade pessoal.

Algumas posturas devem ser assumidas pela Igreja neste mundo urbano e nesta situação de indiferentismo religioso:
a) O testemunho dos nossos católicos deve ser um testemunho vivo de adesão pessoal a Jesus Cristo e sua proposta. Isso exige do cristão ética na sua vida pessoal, familiar e profissional. Testemunho também de alegria em conhecer e amar Jesus e a sua Igreja;
b) nossas Igrejas devem ser locais de acolhida e devem ter um ambiente sagrado, que leve as pessoas a rezar e a se encontrar com Deus. Devemos manter nossas Igrejas abertas, não somente nos horários de expediente, mas em outros horários, que atendam à demanda de quem estuda e trabalha durante o dia. Expediente à noite, bem como Missa ao meio-dia, especialmente nas Paróquias de centro se torna uma urgência;
c) devemos promover, em nossas comunidades eclesiais a possibilidade do atendimento ás pessoas, como confissões e orientação espiritual, esta não apenas com padres, mas oportunizando católicos profissionais, tipo terapeutas e médicos, que poderiam atuar como "aconselhadores". A criação de atendimento por telefone e internet também tem uma eficácia imensa;
d) a criação de núcleos de Igreja nas vilas e condomínios habitacionais facilitaria o acesso às famílias em seu próprio ambiente. O Ministério da da Visitação e da Acolhida é indispensável no mundo de hoje.
Enfim, criatividade é a alma do negócio. Usar mecanismos novos de evangelizar, bem como resgatar outros antigos, mas igualmente eficazes é necessário. Vivemos num tempo de um "Novo Pentecostes Missionário" na Igreja, uma Primavera da Evangelização. Não devemos deixar escapar esta oportunidade que o Espírito Santo dá à Igreja.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (X) - As novas pobrezas

Aparecida cunhou uma nova expressão, que entrou muito em voga a partir da V Conferência: as "novas pobrezas". Convém lembrar que a Igreja Católica na América latina, em Puebla, já no longínquo ano de 1979, fez aquilo que chamou de "opção preferencial pelos pobres". Esta opção preferencial, "não exclusiva e nem excludente", coloca os pobres como preferenciais em todo o atendimento eclesial e social que a Igreja realiza.

A opção preferencial pelos pobres, no dizer de Bento XVI, é cristológica, uma vez que é sinal da opção de Cristo pela humanidade, Ele, que sendo Deus se fez homem, assumindo a nossa pobreza e tornando-se um de nós. Optar pelos pobres é fazer o mesmo trajeto de Jesus, significa agir como Ele, que vai ao encontro de todas as pobrezas, com-padecendo-se de todos os sofrimentos e opressões sofridos pela humanidade. Compadecer significa "padecer-com", estar junto, solidário, unido. Assim deve ser a atitude concreta da Igreja, ou seja, de cada um de nós.
Mas o que significa esta "nova pobreza"? Nas últimas décadas, a situação sócio-político, econômica e social da humanidade mudou consideravelmente. O mundo anda depressa e com significativas transformações. Com isso, surgiram "novos rostos de pobres", que precisam ser vistos e atendidos com o nosso amor samaritano. Aparecida, a partir do número 407, são elencados estes rostos: os moradores de rua, os migrantes, os enfermnos, os dependentes de drogas e os encarcerados. Por que novos rostos? Afinal sempre existiram! Porém, fazem parte de um fenômeno recente o seu crescimento em nossa sociedade. Por isso, a música aquela antiga do Padre Zezinho é cada vez mais atual: "Seu nome é Jesus Cristo e passa fome..."
Constato, com tristeza e preocupação, que a nossa sociedade (e também a Igreja...) tem diminuído sua atenção para com a realidade dos empobrecidos. Pastorais e Movimentos Sociais perderam o seu espaço e este tema não é mais prioritário em nossos Planos de Pastoral. Parece que perdemos a nossa sensibilidade social. Contemplar e auxiliar os pobres, em seus antigos e novos rostos deve ser preocupação constante da Igreja e de cada católico, que deve cultivar o coração de Bom Samaritano.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (IX) - Paróquia: comunidade de comunidades

Aparecida cria uma nova terminologia teológico-pastoral para definir a função das Paróquias na vida da Igreja. Uma Paróquia é uma comunidade de comunidades. Isto parece apenas uma definição sem maiores consequências, mas não é bem assim.

Estávamos acostumados a ver uma Paróquia como uma estrutura composta de Matriz e Capelas, onde o pároco comandava o espetáculo, auxiliado pela diretoria, que tinha a função de realizar promoções para pagar as contas... Portanto, a Paróquia era uma espécie de "empresa", com funções religiosas e sociais. As estruturas que precisavam ser mantidas muitas vezes emperravam toda a vida pastoral, engessando a vida eclesial.
Definir a Paróquia como uma comunidade de comunidades nos dá uma nova percepção de como ela deve ser organizada. É claro que torna-se necessário que se façam promoções para o sustento da vida paroquial e suas atividades, mas a prioridade é sempre a missão evangelizadora. Na medida em que cresce esta consciência, cada comunidade vai se dando conta do seu valor e das suas responsabilidades pela vida eclesial. Sendo de certa forma autônoma, cada comunidade procura atender as pessoas e famílias ao redor de si, de forma personalizada, inculturada à região onde se localiza.
Na Paróquia que eu atendo existem quatro comunidades, sendo cada uma diferente da outra. Se tudo ficasse centralizado na Matriz, boa parte de nossa população ficaria sem um atendimento eficaz. Por isso, torna-se necessária a multiplicação de comunidades, de tal modo que todas as realidades sociais sejam contempladas com o anúncio do Evangelho. Porém, não deixamos de ser uma paróquia, e torna-se necessário que algumas atividades possam ser comuns, mantendo a identidade paroquial, como sinal de unidade entre todos. Tornar a paróquia rede de comunidade: eis a realidade que já temos aqui há anos e que Aparecida sugere a toda a América Latina.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (VIII) - Desafios para a nossa Diocese

Nesta terça-feira acontecerá uma importante reunião, entre o clero de nossa Diocese, representantes das comunidades religiosas, candidatos ao diaconado permanente e lideranças leigas, especialmente ligadas à Equipe Diocesana de Coordenação da Ação Evangelizadora, ao Projeto Missionário Diocesano e ao REMO (Reunião dos Movimentos), bem como outros interessados. Assessorará a reunião o Secretário Municipal de Planejamento e um professor da Universidade do Rio Grande.
Qual o tema para tão importante reunião? Como Rio Grande está na perspectiva de ter nos próximos anos um acentuado crescimento demográfico, torna-se urgente perceber as tendências deste crescimento, para termos uma eficaz ação da Igreja na área social e evangelizadora. É preciso pensar uma pastoral urbana que faça frente à demanda e que se repense com coragem as nossas próprias estruturas eclesiais, especialmente nossas Paróquias, quase todas elas no centro histórico e comercial da cidade.
Aparecida nos fornece pistas que são importantes para as decisões que serão tomadas, especialmente no que diz respeito à criaitivdade pastoral que transforme nossas estruturas caducas em estruturas mais leves e eficientes. É preciso pensar na tão necessária acolhida aos migrantes que estão vindo para cá, de forma que tenham respeitadas as sua cultura e religiosidade. Rio Grande está se tornando uma cidade com diferentes sotaques, com a chegada de muitos nordestinos e cariocas. Como apresentar Jesus Cristo a uma população cada vez mais heterogênea?
Portanto, pedimos a todos os nossos leitores que rezem neste dia pelo êxito desta nossa reunião. É claro que as mudanças que acontecerem deverão passar pelas mais diferentes instâncias, como o Conselho de Presbíteros, a Assembléia Diocesana, sendo a decisão final tomada pelo Bispo Diocesano. Mas, o primeiro passo está sendo dado hoje. É, portanto, uma data que ficará marcada na história de nossa Diocese.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Tópicos de Aparecida (VII) - Como ficou a nossa Paróquia?

A nossa Paróquia de São José Operário está vivendo neste ano de 2008 o seu quadragésimo aniversário de fundação. Em vista disso, iniciamos neste ano o que chamamos de "Projeto de Re-fundação paroquial", que consiste na retomada das intuições de nossos fundadores, os Missionários Redentoristas, que aqui atenderam de 1968 até 1988. As idéias básicas que queremos ressuscitar são três: a missionariedade, os Grupos de Família e a vida comunitária. Já fizemos diferentes atividades neste ano, tratando do tema "40 Anos": as Caminhadas Penitenciais, as "Noites da Memória", o Retiro Paroquial e a Festa, no próximo final de ano.

Quando olhamos este Projeto de Re-fundação Paroquial, percebemos o quanto dessas intuições fazem parte da imensa riqueza que o Documento de Aparecida nos oferece. Toda a novidade de Aparecida já faz parte da caminhada da Igreja da América Latina há várias décadas, embora com uma nova linguagem e um novo ardor. É aquilo que o livro do Apocalipse fala, quando acusa a Igreja de ter "arrefecido no seu amor", ou seja, de ter esfriado e perdido o rumo da sua caminhada.






A Igreja não é, repito, uma instituição fria e morta,mas possui um corpo e uma alma. Nós, cristãos, somos convocados pelo Senhor para re-assumirmos uma postura de fidelidade ao Evangelho, que nos leve a reencontrar aquilo que foi perdido e a, com novo ardor, e criatividade, construir o novo que os novos tempos exigem. "O mundo anda depressa e nós não pdoemos parar" (Scalabrini).
Este é o objetivo do nosso Porjeto de Re-fundação Paroquial: olhar para trás e perceber aquilo que pode e deve ser retomado com novo ardor; olhar para os lados e contemplar a realidade que nos cerca e que exigem de nós, Igreja de Cristo, uma tomada de posição, com decisões arrojadas e corajosas, que exigem empenho e determinação de todos nós; um olhar para a frente e, com força profética, planejar os rumos que devem ser tomados para atender as demandas que estão surgindo.
Aqui postamos fotos de nossas Comunidades, que compõe a Paróquia de São José Operário. Embora eu resida na Casa Paroquial, que está localizada nos fundos da Igreja de São José, a nossa Paróquia sempre se destacou como uma "Comunidade de Comunidades", ou seja, um conjunto de pequenas Comunidades que, vivendo juntas sua caminhada comum, possuem autonomia suficiente para aquilo que lhes é específico. Esta postura sempre foi utilizada pelos padres que aqui trabalharam e que eu também procurei continuar. É uma postura própria de Aparecida, mas que aqui desde os anos setenta já havia sido aqui instituída e vivenciada. Desta forma, Coração de Maria, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora das Graças e São José Operário tornam-se uma Igreja viva, mesmo com dificuldades, fiéis àquilo que desde 1968 já é realidade nesta área enorme de nossa cidade do Rio Grande.

domingo, 31 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (VI) - Como ficam as nossas Paróquias?


Muitos, quando começam a ler o Documento de Aparecida, ficam angustiados com relação às novidades que ele apresenta, especialmente quando ele trata do tema "Paróquias". O sistema paroquial é quanse tão antigo quanto a Igreja, existindo já nos primeiros séculos do cristianismo, quanso este se deslocou das cidades para a zona rural. Sempre esteve relacionado a uma área geográfica, confiada a um ou mais presbíteros (padres), que tinhama função de pregar a Palavra de Deus, administrar os Sacramentos e coordenar a ação pastoral, em nome do bispo.

Somente neste último século, com o processo de crescente urbanização, a Igreja passou a dar uma atenção mais efetiva ao mundo da cidade. As grande metrópoles e o crescente fenômeno das periferias, fez com que as Paróquias tivessem que se readequar às novas realidades. Por isso, o Documento de Aparecida trata da necessidade de uma nova forma de se viver e de se administrar as Paróquias. O número 173 do Documento propõe que as Paróquias possam se tornar cada vez mais missionárias, uma vez que o número dos frequentadores de nossas Igrejas é cada vez mais escasso. É necessário que se aja com criatividade, de forma que possamos chegar a todos os que precisam receber a proposta do Evangelho.

Outra proposta audaciosa que Aparecida nos faz é a de tornar as Paróquias "comunidades de comunidades" (DA 309), ou seja, retomar com uma nova roupagem a proposta das Comunidades Eclesiais de Base, que foram tão atuantes em nosso continente décadas atrás e que ainda existem em diferentes lugares e cidades. Estas pequenas comunidades deverão ser fruto de uma "setorização" da paróquia (DA 372), que provoque o surgimento de novas lideranças e de novos grupos. O termo "estruturas caducas", presente no Documento nos encoraja a sair em busca de novas modalidades de Evangelização e constante processo de aperfeiçoamento de nós, padres e das lideranças existentes em nossas Dioceses.

O Projeto Missionário Diocesano, existente na Diocese do Rio Grande desde 1996 tem procurado ser uma resposta (até mesmo antecipada...) para os desafios elencados pelos bispos em Aparecida. Muito pouco temos conseguido fazer, porque somos acomodados e medrosos. É necessário para a nossa Diocese um "Novo Pentecostes Missionário", que nos ajude a ir ao encontro das novas populações de nossas cidades, para acolhê-las, amá-las, como Cristo as acolhe e ama, afinal, esta é a tarefa e a missão de toda a Igreja.

sábado, 30 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (V) - O tripé de Aparecida 2


Ao pensar no "tripé" de Aparecida (discipulado, missionariedade e serviço à vida), não estamos falando de coisas teóricas, mas sim, concretas, pois devem fazer parte do "arroz com feijão" das atividades pastorais de nossas Comunidades e Paróquias.

O discipulado deve aparecer na vida de nossas Paróquias na medida em que damos destaque a todas as formas de organização que levem o nosso povo a conhecer melhor e amar mais a Nosso Senhor. Aqui aparece toda a forma de ação catequética e litúrgica, bem como todos os carismas de oração que a Igreja possui: Movimentos, Grupos de Oração, Leitura Orante da Bíblia... Estas maneiras de orar e conhecer melhor a Jesus e sua proposta de vida fazem de nosso povo um povo discípulo (e dentro deste povo entram também nós, padres, que devemos ser os primeiros discípulos...).

A missionariedade na vida da Igreja se manifesta nas diferentes atividades que realizamos para ir ao encontro dos católicos afastados e daqueles que ainda não conheceram a proposta de Jesus. Isto significa sairmos de nossas sacristias para irmos ao encontro das pessoas no ambiente em que vivem: escolas, universidades, mundo do trabalho, da política, economia, sociedade... Missionariedade não significa apenas o trabalho de Santas Missões Populares, mas um projeto contínuo e permanente. Aparecida fala do "estado permanente de missão" e nos propõe uma "Missão Continental". As Santas Missões Populares são apenas uma faceta de um projeto que é bem maior e mais arrojado e que deve ser assumido por todos.

A defesa da vida consiste em todos os trabalhos de ação social, que supere uma postura apenas assistencialista, embora muitas vezes seja necessária uma assistência em situações emergenciais. O trabalho das Pastorais Sociais é a maior expressão da busca de mais vida para todos. Eu vejo com preocupação um certo cansaço das lideranças das Pastorais e Movimentos Sociais, sejam eles eclesiais ou não. Parece que nós, Igreja, estamos, aos poucos, perdendo o profetismo social, de denúncia dos atentados contra a vida dos pobres e de anúncio de valores como a justiça, a solidariedade e o amor. O serviço da caridade organizada e libertadora, de forma séria, faz com que a ação da Igreja seja ainda hoje profética em nossa sociedade. Uma comunidade de Igreja que não possuir nenhum trabalho social não pode ser considerada cristã, pois está traindo o Evangelho de Cristo, que se fez pobre para a nossa Salvação.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (IV) - O tripé de Aparecida


O Santo Padre, o Papa Bento XVI, ao convocar a realização da V Conferência para a cidade de Aparecida, deu a preciosa dica de como a Igreja latino-americana e caribenha deveria caminhar nesta próxima década. O tema proposto pelo Papa esteve sempre diante dos olhos dos nossos bispos e deve estardiante de nossos olhos, na medida em que fizermos os nossos Planos de Pastoral. "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n'Ele nossos povos tenham vida. "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Este tripé, discipulado, missão e vida, oferece-nos uma dinâmica pastoral totalmente nova. O três elementos não podem ser vistos de forma estanque e separada, mas dentro de um conjunto harmonioso, uma vez que eles se complementam e, vistos em conjunto, ganham um brilho especial.

O discipulado consiste aquela atitude de alguém que segue um Mestre. A Igreja é sempre discípula de Jesus Cristo e aprendiz do Evangelho. Este aprendizado se dá na medida em que ela se coloca aberta e atenta à Palavra de Deus, pela contemplação de tudo aquilo que o Senhor fez e ensinou. Mas esta contemplação não nos torna agentes meramente passivos, mas identificados com o Senhor, agindo com Ele e como Ele, fazendo acontecer os sinais do Reino de Deus.

A missionariedade é uma consequência do discipulado. Porém, não acontece antes ou depois do discipulado. Somos missionários enquanto discípulos e vice-versa. A missionariedade sem o discipulado perde o seu significado mais profundo. Ela consiste em sairmos de nós mesmos e de nossas sacristias, para irmos ao encontro dos outros, especialmente dos mais pobres e desesperançados. Aqui entra aquilo que falamos sobre a conversão pastoral: quando contemplamos o Senhor, animados pelo seu Espírito Santo, tornamo-nos missionários mais eficazes, pois vamos enviados pelo Espírito ao encontro de todos os homens.

A defesa da vida é tema muito atual. Vida defendida desde sua concepção até sua morte natural. A Igreja não é contra nada; ela é sempre e apenas a favor da vida. Esta defesa da vida consiste sua dimensão profética, de anúncio do Reino e de seus valores, e de denúncia contra os atentados à vida. Aqui podemos elencar toda a questão do aborto, da eutanásia, dos problemas sociais tão presentes em nosso continente, das "novas pobrezas", como alcoolismo, drogadição, violência urbana, narcotráfico, etc.

Portanto, discipulado, missionariedade e defesa da vida são o tripé que devemos trabalhar a partir de Aparecida.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (III) - Ainda sobre Conversão Pastoral


A Igreja não é apenas mais uma instituição entre tantas. Ela possui um corpo, uma organização, é verdade. Mas, se esta organização não possuir uma alma, ela acaba morrendo por dentro. Por isto, a Igreja possui no Espírito Santo a sua alma, que é garantia de vida perene. Quando aconteceu o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII pediu para a Igreja a graça de um Novo Pentecostes, que iseria esta ação do Espírito de Deus em nossos dias, confirmando com a força do Alto toda a vida a ação eclesial.

Ao convocar a Igreja da América Latina e do Caribe para uma postura de "conversão pastoral", os nossos bispos estão nos pedindo uma postura e atuação que seja de dentro para fora, ou seja, que a conversão possa ser real, sincera e interior e, desta forma, produza frutos concretos, que se manifestem numa atitude diferente da que vinha existindo até então.

Quando a conversão é apenas exterior torna-se fogo de palha. É preciso que ela surja a partir de convicções sinceras e maduras, feitas individualmente e por todos em comum. Por isso, a Igreja no nosso continente deseja fazer a forte experiência do discipulado para que, contemplando Jesus Bom Pastor, possa corresponder concretamente aos desafios dos nossos tempos. E, desta forma,a conversão pastoral se tornará uma realidade concreta, em estruturas fortes e renovadas.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (II) - Conversão Pastoral


O tema da "conversão" é tão velho quanto a Bíblia. Inúmeras passagens, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento nos apresentam a temática da conversão enquanto retomada da Aliança com o Senhor e volta à prática da Palavra de Deus.

A visão cristã de conversão, durante muito tempo, foi direcionada à uma postura privada da relação homem e Deus. Nestas últimas décadas, com o crescimento da consciência social, surgiu a idéia de "conversão social", que nos coloca na direção dos pobres e oprimidos, dentro da ótica da Teologia da Libertação, à luz da Doutrina Social da Igreja.

O Documento de Aparecida cunhou a expressão "conversão pastoral". Todos são chamados a buscar esta postura de conversão pastoral, uma vez que ela é da Igreja toda. Por isso, o novo de Aparecida na verdade já não é tão novo assim, uma vez que faz resplandecer aquilo que o Concílio já havia falado, décadas atrás, sobre o sacerdócio comum dos fiéis, ou seja, todos, pelo Batismo, fazem parte do sacerdócio de Cristo e, por isso, todos são, de certa forma, co-responsáveis pela vida eclesial.

A constatação de que a vida da Igreja em nosso continente está amparada em estruturas "caducas", envelhecidas, leva à necessidade desta conversão. Chamada à missionariedade, a Igreja descobre que ainda está muito dentro de suas sacristias e que precisa sair delas para ir ao encontro das pessoas. Aliás, esta constatação, há mais de 25 anos, D. Frederico Didonet já havia feito aqui no Rio Grande.

E quais serias estas "estruturas caducas"? Algumas delas podemos elencá-las:

a) uma acomodação geral na Igreja, por meio de uma "pastoral de manutenção", ou seja, manter o que nós temos, sem preocupação missionária;

b) um clericalismo, que abafe a atuação dos leigos e leigas e o surgimento de novos carismas na Igreja;

c) um modelo de paróquias, enquanto "feudos", sem um compromisso maior com uma pastoral orgânica e sem atender as novas periferias, que surgem em nossos centros urbanos;

d) um modelo centralizador de Igreja, desrespeitando as culturas locais e os novos desafios. Este modelo pode existir muito em nossas paróquias e organismos eclesiais.

Enfim, mudar é preciso! A receita do bolo nós já a temos. Agora, é buscar a conversão, sincera e total do nosso coração, para entrarmos num processo de conversão pastoral, na direção da missão que Jesus nos confia em nosso continente.

Tópicos de Aparecida (I)


Aparecida foi a V Conferência dos Bispos da América Latina e do Caribe. Aconteceu em maio de 2007, tendo sido aberta pelo Papa Bento XVI. Antes dela, haviam acontecido em 1955, no Rio de Janeiro, em 1979, em Puebla e em 1992, em Santo Domingo. Cada uma destas Conferências teve papel histórico decisivo na vida da Igreja latinoamericana.

Não vou entrar no histórico das Conferências, embora isto seja apaixonante. Aqui, pelos próximos dias, iremos tratar das diferentes temáticas que Aparecida nos oferece e que nos ajudará na reflexão teológica e pastoral destes nossos tempos. Alguns destes temas foram cunhados em Aparecida, aparecendo no documento pela primeira vez; outros,são retomados das documentos anteriores e do Magistério Pontifício, seja do Papa João Paulo II, seja do Papa Bento XVI.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Fotos do Retiro Paroquial

Aqui algumas fotos do nosso I Retiro Paroquial, acontecido na Casa de Formação, em 23 e 24 de agosto de 2008.



Pensando alto: meu Decálogo (X)

"Quero viver na intimidade com Deus, dando um tempo não curto à vida espiritual cotidiana: Liturgia das Horas, Santa Missa, estudo da Palavra de Deus, Meditação... como Presbítero, desejo ser verdadeiramente um mestre de vida espiritual, ensinando, pelo testemunho de uma vida de intimidade com o Senhor, os caminhos da santidade."
O padre é alguém que, pela pregação e catequese, fala de Deus para o povo e, pela oração, fala do povo para Deus. O ministério sacerdotal acontece em várias frentes, e uma das principais, é por meio da oração. A espiritualidade não deve ser apenas um alimento privativo do padre, para consumo próprio, mas "trabalho" que ele realiza, colocando-se, como Moisés, diante de Deus, para rezar pelo povo que lhe é confiado. A oração que o padre realiza é parte essencial do seu ministério que, sem ela, fica árido, sem frutos e vazio de sentido. Certa vez, confessando com um frade carmelita, ele me disse: "Gil, reza muito, porque de um padre que não reza pode-se esperar qualquer coisa, especialmente as piores."
Por isso, o padre deve ser um mestre de vida espiritual, mais pela experiência de comunhão íntima com o Senhor do que pela teoria que ele pode ensinar. Isto eu experimento constantemente na minha vida e ministério: todas as vezes que estou "em dia" com este mandamento, sinto-me feliz e fecundo na minha vida pessoal e ministerial: fico mais disponível para as pessoas que me procuram, fico mais ungido na pregação da Palavra de Deus e na condução pastoral das comunidade que atendo, fico mais sensível àqueles que precisam de mim. Entretanto, às vezes passo por tempos de certa aridez espiritual. Nesses tempos, minha vida e ministério ficam mais pesados e as coisas complicam. É claro que não é a minha linda cara ou piedade que "conquistam" a fecundidade ministerial, mas não nos esqueçamos de que a Graça supõe a natureza, ou seja, temos que colaborar com Deus, para que a sua obra aconteça na nossa vida e ao nosso redor.
Por isso, rezemos por nossos padres (especialmente... REZEM POR MIM!!!!), para que sejamos fiéis à nossa vocação de orantes e intercessores, cumprindo, assim, diante do Senhor, a missão que Ele nos confia.
Concluo, aqui, o meu Decálogo pessoal, que havia rezado, pensado e redigido em Viena, já no longínquo ano de 2002, com comentários atualizados. A partir de amanhã, novos assuntos e temas para reflexão. Aguardem!!!!!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Pensando alto: meu Decálogo (IX)

"Quero viver na disciplina, dando tempo para cada coisa, sem esquecer de nada: tempo para o estudo, para a oração, para a convivência fraterna, para a pastoral, para o lazer e para o descanso."
"Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus"(Ecle 3,1). A sabedoria dos antigos é algo maravilhoso, uma vez que nos ensina ainda hoje. De fato, há tempo para tudo na vida. Pena que ainda não sabemos como utilizá-lo. Especialmente,quando vejo para os meus dias, percebo o quanto sou desorganizado com minhas coisas e com minha agenda. Faço mil coisas, algumas delas totalmente desconexas com as outras e, com isso, acabo gastando tempo e energia, que são dons preciosos de Deus.
Por isso, embora um padre não necessariamente precise ser monge, precisa aprender com os monges o grande lema de São Bento: "Ora et labora", dando tempo para cada coisa, inclusive para o cultivo pessoal.
Um padre não pode ser apenas um "fazedor de coisas", sob pena de perder o rumo do seu ministério. É necessário que tenha um tempo não curto a cada dia para dedicar-se à oração, por si e pelos que lhe são confiados. É necessário, igualmente, saber dedicar um tempo para o cultivo pessoal, com boas leituras, bons filmes e bons papos com amigos. E, finalmente, precisa dedicar-se ao serviço pastoral, feito com competência e dedicação. Quando apenas um desses ítens tem prioridade, o ministério do padre fica desequilibrado e a própria vida fica desestruturada. Por isso, há um tempo para tudo, e eu escolhi tentar viver equilibradamente cada um desses ítens.

domingo, 24 de agosto de 2008

I Retiro Paroquial

Acontece desde ontem, na Casa de Formação da nossa Diocese, o I Retiro Paroquial de nossas Comunidades. O pregador é o Pe. Antônio Reges Brasil, de Pelotas. Quase sessenta pessoas estão participando deste Retiro, que é uma das atividades do nosso "Projeto de Re-fundação Paroquial", uma vez que celebraremos, em novembro próximo, os 40 anos de criação da Paróquia de São José Operário. Rezemos pelo êxito do nosso Retiro e pelos seus frutos na vida de nossos paroquianos.

Pensando alto: meu Decálogo (VIII)

"Quero viver na castidade de um coração sem divisão, procurando ver nas pessoas o reflexo de Deus e em seus corpos o Templo do Espírito Santo. Quero tratar a todos afetuosamente, com a ternura de Cristo, evitando atitudes que criem confusão interior e ao mesmo tempo evitando ter a frieza de uma pedra de gelo."
Viver a castidade: talvez seja este o maior desafio nos nossos tempos, em que somos bombardeados por todos os lados por uma cultura hedonista, onde a genitalidade é supervalorizada e valores como a pureza são considerados "fora de moda". Porém, a vivência da castidade, por meio da promessa de celibato, feita em nossa Ordenação, não deve desumanizar-nos, uma vez que o celibato não pode tornar-nos "solteirões", cheios de manias e fechados em nós mesmos. Celibato e frustração não combinam; pelo contrário, quando este é assumido com a alegria de um coração consagrado, torna-se um verdadeiro dom para a Igreja e a humanidade. O celibato existe para que possamos amar verdadeiramente a todas as pessoas que nos são confiadas, sem exclusão de ninguém,pois o amor do padre deve ser reflexo do amor de Jesus Bom Pastor, que dá a vida pelo seu rebanho.
É claro que, como todo o ser humano, o padre possui também sua dimensão sexual, seus desejos e carências, afinal o celibato não nos torna seres assexuados. Porém, vamos aprendendo a sublimar esta dimensão, "transferindo" para outras áreas da nossa vida todo o nosso potencial sexual, seja na oração, seja no trabalho pastoral, seja na convivência com as pessoas de ambos os sexos. E nessa convivência, com amizades sadias e sólidas, vamos nos realizando como pessoas humanas, evitando, porém, relacionamentos que possam nos confundir ou confundir outros emocionalmente e evitando, também, sermos "pedras de gelo", incapazes de dar acolher carinho, amizade e amor, com pureza de coração.
O padre é alguém humano, frágil, pecador; é alguém que está constantemente se formando, a caminho. É preciso que saibamos compreender nossos padres, amá-los como são e ajudá-los a viver com serenidade e fidelidade o SIM que deram a Deus, de serví-lo com um coração sem divisão.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Pensando alto: meu Decálogo (VII)

"Quero viver a gratuidade da doação de vida, dando-me completamente ao serviço do Reino, sem cobranças monetárias ou afetivas. Quero ser como vela, que se deixa queimar para ser luz."
A gratuidade é um produto que está em vias de extinção. Sempre queremos compensação por algo que fazemos, mesmo que não seja uma compensação monetária. Com grande facilidade, buscamos reconhecimento, status, elogios e afeto. Fazemos todo o possível para agradar e para sermos acolhidos. Este desejo é natural e humano. Afinal, somos seres carentes de afeto e necessitados de carinho.
Somente Deus ama com total gratuidade. Somente Deus se doa inteiramente e, mesmo não sendo retribuído por nós, continua amando, continua se doando a nós. O padre, como ministro de Deus, deve ser expressão desse amor gratuito pelas pessoas. Esta gratuidade se manifesta pela postura que temos diante dos inúmeros trabalhos pastorais e do atendimento às pessoas, que não deve ser visto apenas como atividades "profissionais" que realizamos, mas algo que nos envolva afetiva e efetivamente.
Como é bom quando consigo fazer algo pelos outros, com total gratuidade! Como é maravilhoso quando consigo ser vela, que se deixa queimar para ser luz para os outros! Nesses momentos sinto profunda alegria em ser padre, em ser ministro de um Deus-Amor-Doação. Se recebo alguma compensação, tudo bem; se não recebo, tudo bem igualmente. Seja como, for, a maior recompensa deve ser a alegria que Deus dá pelo dever cumprido!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Algumas fotos com colegas...

Mesmo já tendo postado anteriormente, eis aí algumas fotos com diversos amigos padres e com o nosso bispo diocesano:

Com D. José Mário, nosso Bispo, e o Padre. Décio

Com o meu Orientador Espiritual, Pe. John Cleber

Com o meu amigo, Pe. José Francisco

Com os Pe. Nilto e Pe. Décio

Com o Pe. Luiz Fernando

Com o Pe. Raphael, de Santa Vitória

Pensando alto: meu Decálogo (VI)

"Quero viver Igreja, como cristão fiel batizado, como consagrado ao serviço de Deus e ao seu testemunho. Isto significa dedicar-me a conhecer melhor a Igreja, estudar com afinco sua Doutrina, estar em unidade com o Papa, com o meu bispo e presbitério, com o povo de Deus. Quero, na simplicidade, fazer tudo isto por simples e perfeito amor."
O padre não é padre sozinho, mas parte de um Presbitério. O seu sacerdócio está intrinsecamente ligado ao do seu bispo e ao dos seus irmãos. Esta unidade não é somente afetiva, mas deve manifestar-se efetivamente. Nos meus quase 18 anos de vida ministerial experimentei o quanto é fundamental viver esta realidade, que não é apenas teológica, mas também psicológica e principalmente "ontológica". Longe da unidade com o bispo e colegas de presbitério, o nosso ministério fica vazio de sentido e sem unção alguma. Por isso torna-se indispensável a unidade presbiteral. Graças a Deus o nosso presbitério do Rio Grande é unido. Estamos fazendo, especialmente nesses últimos tempos, a profunda experiência de amizade e companheirismo entre os padres de nossa Diocese e também com o bispo diocesano.
Igualmente é fundamental um amadurecimento na vivência eclesial, pois fazemos parte de uma Igreja, que é Una, Santa, Católica e Apostólica. Como padre eu não tenho o direito de pregar e ensinar o que "eu penso" ou o que "eu acho". É preciso, portanto, estudo, leitura, conhecimento da Doutrina da Igreja, para sermos melhores servidores do povo que nos é confiado.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Pensando alto: meu Decálogo (V)


"Quero viver em comunhão, não apenas com os que moram comigo,mas com toda a humanidade. Estar em comunhão consiste em sorrir com quem está feliz e chorar com os que choram. Quero estar em comunhão, especialmente com os sofredores, com os pobres, com os enfermos, sabendo que servindo a eles estarei servindo ao próprio Jesus-Servo-Sofredor."

Viver a comunhão e a unidade com quem a gente ama e de quem a gente é próximo é bastante fácil. Complicado é viver em comunhão com aqueles a quem menos amamos e que nos incomodam. Querer bem e trabalhar com os bonitinhos e cheirozinhos é fácil e bonito até. Com os abandonados, com os pobres, com os enfermos e velhinhos exige uma profunda conversão, para ver neles a presença de Jesus, Servo Sofredor.
Charles de Foucauld é um exemplo para os nossos tempos: de comilão, acomodado e egoísta, tornou-se o "Irmão Universal", indo ao encontro dos últimos nas profundezas da África. Fez-se servo de todos, amando a todos indistintamente. O padre precisa aprender essa lição, tornando-se servo que ama e que dá a vida, se necessário, pelos outros.
Para mim, a conversão mais necessária é a que me conduzirá aos pobres e enfermos. Com muita facilidade deixo-me levar pela aversão aos irmãos mais amados do Senhor e procuro fugir de situações-limites, de extremo sofrimento e de dor. Assumindo este 5o mandamento do meu Decálogo, buscarei ser presença solidária e amorosa junto a quem mais precisa dessa presença.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pensando alto: meu Decálogo (IV)

"Quero viver na alegria, alegria sincera, profunda e fraterna. Quero alegrar-me com as conquistas dos meus irmãos e irmãs. Quero alegrar-me com sua existência e estar feliz em sua presença pois eles são sinais de Deus a marcar a estrada da minha vida."
"Um santo triste é um triste santo." Esta frase, ditado popular comumente citado, ajuda a compreender a necessidade de se viver alegremente a realidade de ser filho de Deus. "A alegria do Senhor seja a nossa força", uma vez que o nosso Deus é o Deus da vida, da vitória e da verdadeira felicidade.
O Evangelho de ontem nos apresentava o jovem rico, que foi embora tristemente por não ter sabido atender ao convite amável do Senhor de deixar tudo para seguí-lo. Amou mais as coisas dele do que o próprio Deus, escolheu uma vida medíocre a um projeto de vida de heroísmo, que lhe daria uma alegria que não é deste mundo.
Escolher o Senhor e o seu Reino proporciona a alegria verdadeira e profunda, não aquela superficial que geralmente buscamos. Por isso, escolho esta alegria que Deus me oferece e quero marcar o mundo com um semblante alegre, sincero e sereno. Quero ser reconhecido por isto, manifestando, assim, o rosto alegre e terno de Deus, revelado por Jesus Cristo, a quem desejo sempre mais servir e amar, procurando ser semelhante a Ele.
Problemas? Sempre os terei! Momentos de crise e de dor? Sempre aparecerão! Mistério da Cruz? Fará sempre parte da minha existência! Porém, existe uma frase famosa do Pe. Jonas Abib: "Os meus problemas são meus, mas minha cara é dos outros." Por isso, mesmo nas dores e tempestades, que meu rosto manifeste a alegria de Deus!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Pensando alto: meu decálogo (III)

"Quero viver na obscuridade, longe dos holofotes, sabendo-me servo do Senhor e das pessoas e sabendo que, quando me deixo envaidecer, acabo tomando o lugar que só a Deus pertence e posso tornar-me como Herodes, que morreu corroído por vermes, por não haver dado glória a Deus."
A vaidade é, talvez, o pior verme que corrói a vida de um padre. Por ser formador de opinião e por estar à frente de uma Assembléia, podemos ser tentados a nos colocar no lugar de Deus. Porém, o padre é um instrumento, apenas um instrumento nas mãos de Deus.
Hoje vivemos num tempo midiático, onde inúmeros padres assumiram o trabalho de Evangelização, utilizando diversas formas de MCS, tipo televisão, rádio, missas-shows. Este é um tipo de carisma na vida da Igreja e possui o seu valor. Durante muito tempo fui considerado um "padre-midiático", especialmente nos anos noventa, durante meu ministério à frente da Paróquia Sagrada Família, aqui em Rio Grande.
Em Viena, escutando a vontade de Deus para a minha vida, optei por uma postura mais discreta e sóbria no exercício do meu ministério sacerdotal. Por que esta postura? Em primeiro lugar, pelo fato de perceber que, com facilidade, posso deixar-me levar pela vaidade e esquecer-me do fato de ser instrumento nas mãos de Deus. Em segundo lugar, por entender que o exercício do ministério sacerdotal se dá em duas frentes: diante dos homens para falar sobre Deus e diante de Deus para falar sobre os homens. Quando os holofotes cegam nossa visão, acabamos permanecendo diante dos homens para falar de nós mesmos e isto é trair a missão confiada pelo Senhor a nós.
Não condeno os padres-midiáticos e nem o uso da mídia para a Evangelização. Sempre que necessário for, irei usá-la. Porém, como opção de vida, escolhi evitar os holofotes, evitando, assim, a tentação de Herodes (At 12, 20-23) e seu trágico fim. Todas as vezes que eu pregar a mim mesmo e não der glória a Deus, farei com que o meu ministério seja corroído por vermes e se torne insosso e vazio.

sábado, 16 de agosto de 2008

Pensando alto: meu Decálogo (II)

"Quero viver no despojamento de roupas, de bens, de dinheiro... Tudo aquilo que causa preocupação e torna-se sonho ofusca a visão: o brilho do ouro pode acabar tirando a minha atenção do verdadeiro brilho do Reino."
A pobreza deve ser expressão de um coração despojado. Quando é apenas aparato externo, não convence e nem converte ninguém. A questão não está em ter ou não-ter, mas na liberdade que possuimos diante das coisas, dos títulos e do status que elas nos oferecem. Quando nos deixamos escravizar por alguma coisa, é sinal que estamos colocando algo no lugar que só a Deus pertence e isso é idolatria.
O despojamento significa esta liberdade, sem a qual ficamos esvaziados e sem sentido, pois o Reino deixa de estar no horizonte de nossa atenção e nos critérios de nossas opções fundamentais. Para a vida do padre e do cristão esta liberdade é fundamental, pois orienta toda a nossa existência. Eis aí o segundo mandamento.