sábado, 30 de agosto de 2008

Tópicos de Aparecida (V) - O tripé de Aparecida 2


Ao pensar no "tripé" de Aparecida (discipulado, missionariedade e serviço à vida), não estamos falando de coisas teóricas, mas sim, concretas, pois devem fazer parte do "arroz com feijão" das atividades pastorais de nossas Comunidades e Paróquias.

O discipulado deve aparecer na vida de nossas Paróquias na medida em que damos destaque a todas as formas de organização que levem o nosso povo a conhecer melhor e amar mais a Nosso Senhor. Aqui aparece toda a forma de ação catequética e litúrgica, bem como todos os carismas de oração que a Igreja possui: Movimentos, Grupos de Oração, Leitura Orante da Bíblia... Estas maneiras de orar e conhecer melhor a Jesus e sua proposta de vida fazem de nosso povo um povo discípulo (e dentro deste povo entram também nós, padres, que devemos ser os primeiros discípulos...).

A missionariedade na vida da Igreja se manifesta nas diferentes atividades que realizamos para ir ao encontro dos católicos afastados e daqueles que ainda não conheceram a proposta de Jesus. Isto significa sairmos de nossas sacristias para irmos ao encontro das pessoas no ambiente em que vivem: escolas, universidades, mundo do trabalho, da política, economia, sociedade... Missionariedade não significa apenas o trabalho de Santas Missões Populares, mas um projeto contínuo e permanente. Aparecida fala do "estado permanente de missão" e nos propõe uma "Missão Continental". As Santas Missões Populares são apenas uma faceta de um projeto que é bem maior e mais arrojado e que deve ser assumido por todos.

A defesa da vida consiste em todos os trabalhos de ação social, que supere uma postura apenas assistencialista, embora muitas vezes seja necessária uma assistência em situações emergenciais. O trabalho das Pastorais Sociais é a maior expressão da busca de mais vida para todos. Eu vejo com preocupação um certo cansaço das lideranças das Pastorais e Movimentos Sociais, sejam eles eclesiais ou não. Parece que nós, Igreja, estamos, aos poucos, perdendo o profetismo social, de denúncia dos atentados contra a vida dos pobres e de anúncio de valores como a justiça, a solidariedade e o amor. O serviço da caridade organizada e libertadora, de forma séria, faz com que a ação da Igreja seja ainda hoje profética em nossa sociedade. Uma comunidade de Igreja que não possuir nenhum trabalho social não pode ser considerada cristã, pois está traindo o Evangelho de Cristo, que se fez pobre para a nossa Salvação.

Nenhum comentário: